Lágrimas de jovens indígenas em Manaus

L grimas sinceras de um indioHá alguns anos lançava em Manaus meu primeiro livro sobre os povos indígenas das Américas. A livraria Nacional estava cheia de gente, mas o que me animava era ver ali uns 10 índios, no fundo da sala. Comecei a falar que já estava na hora de aprendermos as lições transmitidas pelos primeiros habitantes do Brasil. Lembrei as palavras de Marçal de Souza, da tribo Guarani, que dizia ter começado o sofrimento de seu povo quando a primeira caravela chegou ao Brasil. Lembrei de povos espoliados e mal-tratados que, embora sejam hoje nomes de cidades, praças e ruas, ainda assim continuam lutando para preservar sua cultura, sua identidade como povo e como nação. De repente observei que algumas pessoas, no fundo da sala, começavam a soluçar. Isso mesmo, alguns jovens indígenas estavam chorando. Dirigi-me a um deles e perguntei se havia dito algo que lhes tinha magoado. A resposta foi: “Estou chorando porque gostaria que meu avô aqui estivesse para ver um branco falando bem da gente”. Aquilo calou fundo em mim, e desde então entendi que lutar por esses povos é nada mais que justiça manifesta.


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