Brinquedos de outra época

Brinquedos de outra epocaAo passear por uma feira popular nos arredores de Brasília, tive a surpresa: brinquedos de outra época à venda. Eram carrinhos de rolimã, pião com linha, pequenos caminhões, sempre muito coloridos e feitos de lata. Ainda podia ouvir, em algum lugar perdido na memória, os risos soltos, os rostos felizes de outras crianças brincando nas ruas. Era um tempo em que a rua era extensão da nossa casa, e a violência ainda não estava tão impregnada na realidade do dia-a-dia. Hoje, vejo meus filhos adolescentes sentados diante da tela do computador, alucinados por jogos virtuais. Minha filha de seis anos se delicia com o site do Zé Plenarinho, disponibilizado pela Câmara Federal na Internet, a procurar erros em duas imagens aparentemente iguais. Lugar sagrado esse da infância. Lugar emocionante esse da memória. Afinal, o que é a idade de um homem senão a carga de lembranças que ele carrega? Pergunto às pessoas na faixa dos 30, 40 anos: éramos mais felizes ontem ou serão as crianças de hoje mais felizes? Como dizia o autor do Pequeno Príncipe, Saint-Exupéry, sou da minha infância como se é de uma pátria.

3 Responses so far.

  1. Lanna A. de Paula disse:

    Minha infância reflete o meu presente…apesar dos reveses da vida, encontro muitos momentos, situações para sorrir, gargalhar!!! Os brinquedos de lata, madeira, as bonequinhas de pano… as árvores do quintal!!! Os perigos eram outros!!! Nossas portas abertas, sempre!!! Nossos pais, mto mais presentes. Amigos que até hoje te procuram. Acho que a psicologia empregada em minha época, foi mto mais eficaz… se sentia o amor incondicional!!! Amei essa matéria!!! E, realmente, o que seria de nós sem essas lembranças??? Um grande abraço.

  2. Fábio Góis disse:

    Mestre Washington,
    quando fazia a revisão desses textos, lembro-me que fiquei especialmente compungido quando cheguei a esse. A lembrança de outras épocas foi tão forte que eu quase podia sentir o cheiro de minha infância: da maresia da praia de Boa Viagem, do cheiro de espoleta que evolava de minhas arminhas de brinquedo, da comidinha quente de minha tia (minha avó, de quem sentia o cheiro agradável das vestes, já estava velha demais pra cozinhar), do cheiro do jambo que brotava em um “pé de pau” que tinha em minha rua, do aroma celestial do abraço benquisto e sempre almejado da menina mais bela da escola… lembranças de um lugar onde havia vivido uma tal de Clarice Lispector, nosso amado Recife!
    Suas iniciativas, Washington, sempre me fazem pensar na sua disposição para se entreter com o nobre, o belo, o poético. Felizes os que te conhecem e que Deus ajude os que não te compreendem…
    Um abraço lispectoriano.
    Fábio Góis

    p.s.: gostei das ilustrações que acompanham cada texto. Sensibilíssimas.

  3. phentermine disse:

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