Direitos Humanos para muitos é um luxo

Direitos Humanos  um luxoAcabo de atender ao convite para uma aula na Universidade Euroamericana, em Brasília. O curso: Relações Internacionais. O tema: Declaração Universal de Direitos Humanos. Foi muito bom rever o conteúdo, artigo por artigo, da Declaração aprovada em 10 de dezembro de 1948 pela ONU. E foi desconcertante ver que muitos artigos continuam ainda no papel, pelo menos aqui no Brasil. Na verdade falar de Direitos Humanos em qualquer país pobre do mundo mais parece um exercício poético, um exercício mental. E também parece um luxo. Isso porque parte significativa da nossa população não tem assegurados os direitos animais, que são o de comer, encontrar abrigo quando tem frio, educar a cria, enfim, são coisas de bicho. E, no entanto há milhões de crianças abandonadas e milhares de mendigos catando restos nos lixões espalhados pelas grandes cidades. Mais de 350 mil crianças morrem por ano no Brasil de subnutrição e por aí vai. Falamos sobre o artigo que condena o trabalho escravo. Uma das alunas, sem qualquer cerimônia, mas com sinceridade na voz, declarou que “na fazenda do meu pai temos quatro trabalhadores escravos… eles estão lám trabalham e não são pagos, mas recebem 20% do que plantam quando os produtos são vendidos…” Logo respondi que o ideal seria uma fiscalização do Ministério do Trabalho seguir para a fazenda de seu pai, em dia e hora incerta. Silêncio. Pesado como a hipocrisia contida na famosa máxima de que fazer justiça é dar a cada indivíduo o que é seu: a riqueza para os ricos, a miséra para os miseráveis. Nesses 90 minutos de aula vi que estamos muito longe do espírito que anima este texto fundamental dos direitos humanos.


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