A morte de 29 garimpeiros em conflitos com índios na Reserva Roosevelt, em Rondônia, em abril de 2004, trouxe à tona as tensas relações entre brancos e índios no Brasil. A tragédia aconteceu na reserva dos índios Cinta-Larga. Faz-se necessária uma nova leitura do triste episódio. O que temos feito com nossos povos indígenas? Existe no país uma voz que não pode ser calada. É a voz dos sobreviventes indígenas. Sampré, Tribo Xerente, disse que “nosso sofrimento começou com o primeiro navio que chegou ao Brasil.” O lendário Tecumseh, da Tribo Shawnee, nos lançou estas questões: “Onde estão muitas outras tribos de nosso povo, antes poderosas? Desapareceram diante da avareza e da opressão do homem branco, como a neve diante de um sol de verão. Vamos deixar nos destruir, por nossa vez, sem luta, renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que irão gritar comigo: Nunca! Nunca!” Eugênio, da Tribo Bororó, resumiu de forma brilhante a filosofia de seus ancestrais: “Nós usamos o remédio das plantas. Temos crenças, benzedores. Acreditamos que Deus colocou a natureza para o homem aproveitá-la. Deus criou todas as coisas, todos os animais, para o índio servi-lo. Nosso povo não pode esquecer da tradição. Interessa-nos só o que é nosso. O que é importante em nossa vida é nosso costume.” É urgente que a cultura indígena seja objeto de estudo, de forma transversal, nos currículos das escolas de todo o país. Eis apenas um dos primeiros passos para aliviar parte da dor que temos causado a esses povos.

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