“Não se preocupe que vou dar um jeitinho”

A frase é muito comum: “Não se preocupe, vou dar um jeitinho”. Em alguns casos somos nós que, para evitar alguns minutos em uma fila no banco, de repente nos lembramos do nome do gerente ou de algum funcionário com o qual temos amizade… e a solicitação para que seja dado um “jeitinho” surge de forma espontânea. E assim começamos a aceitar a idéia de que a lei é mais igual para uns que para outros, que as normas de condutas são diferenciadas, que mais vale um amigo na praça que ter dinheiro no banco. Se antes a idéia do jeitinho era para invocar o senso de criatividade do brasileiro, hoje parece ser nada mais que uma forma evitar o cumprimento de uma norma, de uma lei. E, com isso, economizar tempo, quando não economizar dinheiro ou obter outra forma de lucro. Se nada for feito, contribuir-se-á para se distorcer uma virtude básica da vida em sociedade: o senso de justiça. E uma sociedade que perde a noção de justiça entra em um ciclo de decadência muito difícil de sair, pois isso passa de uma geração a outra. A consagração do jeitinho brasileiro tem relação direta com comportamentos antiéticos, e favorece a idéia de que existem cidadãos de primeira e de segunda classe.

One Response so far.

  1. Ana Nélo disse:

    Caro TOm,

    Que bom ver uma reportagem sobre o “Jeitinho Brasileiro” certa vez numa conversa informal na USP um Professor que não revelarei o nome por uma questão de ética, também falava com um Português, o referido português também confirmou que esta frase é muita usada em Portugal, ou seja, o jeitinho português. Sempre tive esta expressão de modo pejorativo. Mas, ao ler o autor Roberto daMatta, vi o jeitinho analisado sob diversos anglos, o mais surpreendente um modo positivo. Aliás dando o jeito no jeitinho. Muitas vezes quebraram normas empresariais em troca de boas decisões empresariais, por não estar presos a normas. Os brasileiros também já são reconhecidos como os profissionais mais procurados na área de business por serem pessoas muito flexíveis.

    Depois de ler e reler o DaMatta, vi uma frase interessante o Brasil é um país das relações e as pessoas são seduzidas pela amizade, antes de transformar isto numa interpretação ambígua. Vamos ao exemplo: Chego morta de cansada a casa e o chefe liga que tem um relatório para ser entregue amanhã, aliás ontem (coisas bem típicas da área financeira) trabalhamos uma noite inteira para não deixar o amigo na mão.

    Outro exemplo: Se estamos super cansados um compromisso amanhã, mas um amigo pede uma carona, logo vem toda a turbulência, do dia seguinte… depois a crise existencial: Ele ou ela uma pessoa tão amiga eu vou deixar na mão morto de cansado, você tira o carro da garagem e dar a carona solicitada.

    Somos um país de comportamento muito diferente e não podemos explicar nossas diferenças por meio dos Europeus, dos norte americanos, dos demais povos se as diferenças são nossas e não dos outros.

    Agora vamos ao teor da ética. A Ética nunca pode ser analisada fora de um contexto cultural, moramos ou melhor nascemos num país onde as pessoas podem até matar, por um real mas, não há evidências de crimes provocados por diferença de credo, de nacionalidade etc. Já destituimos presidentes da república sem derramar sangue? Onde aconteceu estes eventos na história da humanidade?
    Temos, sim, de trabalhar os nossos profissionais para serem éticos e dentro desta flexibilidade não usá-la para legislar em causa própria tampouco para a prática de atos ílicitos, esta é a minha luta como educadora daqueles que passam pelas minhas aulas.

    Com amorosas saudações Baha’ís,
    Ana Nélo


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