Ninguém se torna racista do dia para a noite

Uma educação que respeite os direitos humanos básicos começa sempre em casa. Ninguém se torna racista do dia para a noite. Ajudar nossos filhos a entender as notícias dos jornais, as informações recebidas via rádio e a compreender o que eles vêem nos telejornais, precisa ser destacado como parte de nosso papel como pais-educadores. Afinal, nossos filhos nos vêem como referências, modelos a serem seguidos. Aproveitemos essa boa vontade deles, essa disposição em serem parecidos conosco de um ponto de vista positivo. O ambiente familiar facilita tudo, principalmente se existe diálogo entre pai, mãe e filhos. Ainda não foi inventada forma mais eficiente de educação de crianças do que o exemplo que vemos em casa. Não é por acaso que em muitos países existem cursos de educação dos pais. Mas, por enquanto, comecemos nosso trabalho educativo e assim estaremos contribuindo para uma nova sociedade, pautada por valores humanos universais. No futuro eles saberão nos agradecer. Continua valendo a máxima de que uma boa ação vale mais que setenta anos de boas palavras.

One Response so far.

  1. Shahbaz Fatheazam disse:

    A (DE)FORMAÇÃO BRASILEIRA

    Enquanto interno (do tipo escolar e não hospitalar) numa escola britânica nos anos 70 sofri a discriminação racial. Senti na pele como é ser classificado e tratado como um cidadão inferior. A insolência da rapaziada foi geral, constante, ferina. Cito as falas pejorativas: ‘Olha, ele sabe comer com talheres’ ou ‘Não é um desodorante que você precisa, mas, um repelente’ ou ‘Aqui não tem árvores para subir na vida’. Eu agüentava esses pequenos espíritos de pequena burguesia. O que me contristava mesmo é que as autoridades máximas da escola – os orgulhosos professores embrulhados nas suas mantas largas de sabedoria – assumiam uma atitude complacente com o preconceito que eu sofria e, pior, as vezes se envolviam diretamente nas hipocrisias evidentes e nas expressões disfarçadas de zombaria tais como oferecer papeis ridículos nas peças teatrais da escola ou de me forçar repetir frases em latim que acentuava o meu sotaque.
    Alegro-me observar que aqui, no Brasil, meus três filhos no sofrerão este tipo de manifestação intencional, malévola, fundamentada na raça. Brasil é um exemplo vivo de um laboratório social que deu ao termo raça novos contornos e cuja força da miscigenação vai derrubar, para sempre, a superstição de que a mistura de sangue e a interpenetração de culturas significam a degeneração de um povo. Gilberto Freyre, num dos seus ensaios, foi muito feliz em resumir o Brasil como multirracial na sua composição étnica e meta-racial na sua consciência coletiva. A própria história brasileira é uma longa tradição de coexistência e assimilação dos povos. Tais características, porém, representam tanto uma benção como um problema na formação de uma identidade nacional. Advertiu certo um outro estudioso observador, recentemente: ‘Ninguém vai entender o Brasil se não encarar os problemas fundamentais da mestiçagem e sincretismo.’
    Acredito que os nossos males – principal entre eles a injustiça nas desigualdades – tem como raiz nossa falta de aprofundamento sobre a questão de tensão inerente entre os diversos grupos étnicos e, apesar da ação pública e a nossa simpatia compreensiva do problema, não pomos termo à desvantagem racial. No Brasil, a discriminação não assume uma aversão nacionalista ou racista como em outros países. Mas existe um aspecto paternalista no tratamento das pessoas de cor (metade da população) onde a sua influência tendenciosa retrata os negros, ameríndios e mulatos, como um grupo divergente da humanidade cujas aspirações não se adaptam ao mundo moderno. Isso é uma deformação moral e intelectual. Uso a palavra intelectual porque foram inúmeras declarações, entre elas a da UNESCO de 55 anos atrás, que afirma ser a raça, menos que um fato biológico, um mito social. A variação na mentalidade e capacidade dos povos não se explica pelo fenômeno de cor e o termo raça, em si, é mais uma invenção política do que uma utilidade antropológica.
    O modo de ver da população brasileira sobre o assunto da raça esta mudando graças às pressões do seu próprio ‘fusionismo’. Em tempo! Como enquadrar em classificações tradicionais da etnia uma pessoa naturalizada canadense domiciliada no Brasil que nasceu na Índia, de pais iranianos! Sem apelar a um conceito supranacional de cidadania mundial eu seria reconhecida como um s.r.d. – ‘sem raça determinada’ – um título pouco honorífico que os veterinários atribuem aos cães de rua, o vulgo vira lata!

    Prof. Shahbaz Fatheazam
    Consultor do Banco Mundial e
    Coordenador Adjunto do
    Curso de Especialização na PUCPR- Campus Maringá
    shahbaz@prosisa.com.br


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