Informação: o massacre nosso de cada dia

O perigo da caixa magicaO Iraque é bombardeado, a faixa de Gaza também. E nossas mentes? Essas são bombardeadas em tempo real. Os petardos são as dezenas de mensagens que recebemos diariamente, algumas em forma de publicidade, outras vestidas solenemente de informação, outras ainda nos inteiram do que acontece aqui e do outro lado do mundo. Conduzindo o carro lemos de forma automatizada as inúmeras faixas e os outdoors vistosos. Chegamos à universidade ou à escola e pousamos os olhos nos inúmeros murais. Vamos ao local de trabalho e encontramos os quadros de aviso, os boletins corporativos. Sentamos na mesa de trabalho, ligamos o micro e já chegam as mensagens institucionais. Checamos nossa caixa de emails e encontramos dezenas de mensagens indesejadas em meio a algumas desejadas. Daí em diante é seguir a rotina de limpar o joio do trigo, de separar o que merece nossa atenção, aquelas mensagens que exigirão resposta imediata, as que podem aguardar um pouco que “ninguém vai morrer por isso” e ainda aquelas que deverão ser arquivadas em uma pasta particular do tipo “matéria bruta para reflexão”. É hora de por a mão na massa, de botar pra trabalhar o que chamamos de livre-arbítrio. É o nosso sagrado filtro, algo que nos distingue das demais espécies de vida. Nós, os humanos, podemos e devemos opinar, decidir, optar. É nosso direito intransferível e muitas vezes, solitário. Como dizia o comentarista “pensar, é só pensar”. Pensemos então. Enquanto isso saudemos a pós-modernidade em que vivemos. Uma saudação sem colesterol mental.

7 Responses so far.

  1. Elfo disse:

    Para o meu amigo Washinton Araújo que um dia se cruzou comigo numa Escola de Verão no Algarve e que não quiz dar à minha esposa algo que ela iria apreciar na altura só porque ela não era ainda Bahá’í declarada… é dificil a uma pessoa invisual ter acesso à informação que nós os normo-visuais temos. Como ela gostaria de ler as tuas palavras, assim como gostou de as ouvir de ti nas tuas palestras.
    Como dizes no teu post: “pensar, é só pensar”
    E a uma invisual não lhe resta muito mais… pois não?

  2. Dad disse:

    Espero que um dia os computadores possam falar para todos puderem saber o que se fala por esta blogosfera, apesar de todas as suas limitações físicas, que no mundo espiritual não há disso.

  3. Elfo disse:

    Pois… esqueci-me do g em Washington. As minhas desculpas.

  4. Carlos Michiles disse:

    A violência e a brutalidade humana que acontece no Iraque é apenas uma repetição das reiteradas formas de violência que os homens infligem sobre seus semelhantes que só criam um desânimo na crença da natureza humana. Aos poucos essa crença se esmilingue dando lugar a essas repetições de insanidade sobre populações civis – crianças, mulheres, idosos, gente indefesa. Covardia de covardes! Essa violência é apenas uma entre as milionárias manifestações da violência contemporânea sob formas como o preconceito e a corrupção macumunada do governo/PT/empresarios num conluio conjugal indecente – como essa que humilha a consciência da nação brasileira.
    Mas, motivado pelos bons fluidos dos pássaros como seres e como símbolos, quero mesmo é falar um pouco sobre duas coisas que preciso falar: muitos anos atrás assisti o filme Deep Throat (garganta profunda). Assisti com os olhos cheio de ânsia para ver cenas fortes de sexo. E é mesmo. Mas não tin ha idéia do papel histórico desse filme. Hoje, depois de assisti no FICB o documentário sobre esse filme percebi o quanto esse filme é importante para a história do cinema. A crueldade com que o contexto nixoniano em que foi feito o filme – não por um cineasta mas por um cabelereiro cheio de relatos de suas clientes sobre suas experiências sexuais – deixou sobre seus atores. Todos vítimas de um preconceito brutal motivado por cenas que hoje são estampadas nos horários nobres da TV.
    Depois, a leitura que recomendo – As obras primas que poucos leram, organizada por Heloisa Seixas, Ed. Record, vol.I – dessa coletânea monumental cuja leitura corresponde a um curso acadêmico de literatura. De cara o leitor se depara com uma emocionante texto de Otto Maria Carpeaux sobre Kafka. Escrito de memória sobre as vivências de Otto e seu encontro com esse escritor que ele não considera um escritor, menos ainda do que um artista mas lembrado por Sartre como o pai da literatura moderna. Depois vem Grande sertão: veredas, Em busca do tempo perdido, Ulisses, Dom quixote, Memórias póstumas de Brás Cubas, O sol também se levanta, Angustia, Morte em Veneza, O vermelho e o negro, Germinal e muita, mas muita coisa para ser lido e degustado com tamanha humanidade nesses tempos de desânimo e muita mídia, salvo, graças a Deus, pelo cético Voltaire que escreveu Candide, ou o otimismo da condição humana na pena de André Malraux.
    Com afeto, nesse tempo de sol, secura e vento!

  5. Mel disse:

    Belos textos..
    Bjks

  6. André Kano disse:

    Não nos enganemos. Escolher parece coisa simples, automática, imanente, cotidiana, mas não é. Pouquíssimas pessoas realmente escolhem e à medida em que a vida contemporânea vai se tornando mais susceptível ao efêmero – a informação instantânea, o macarrão instantâneo – escolher se torna um ato cada vez mais raro. Escolher é um ato, sobretudo, de soberania.

  7. Dad disse:

    Se na base houver uma boa estrutura educacional, aprendemos, desde crianças a saber escolher, mesmo que muito vezes se vejam e ouçam coisas muito mázinhas…

    O problema é mesmo que os pais e outros educadores não têm tempo ou não são capazes de ensinar a fazer entender bem as coisas, às vezes até por preconceito de falar abertamente com os filhos. A Sociedade, deste modo, ultrapassa em muito o que lhes é dito ou omitido em casa e depois os exemplos do que se passa são muito complicados.
    Vivemos numa sociedade de comunicação mas esta falha no primeiro núcleo, a estrutura familiar é a falha primordial, o resto… vem por acréscimo, normalmente.


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