O Jardineiro Fiel cultiva a dor humana

O Jardineiro Fiel 05 01O Jardineiro Fiel, dirigido pelo diretor Fernando Meirelles merece ser visto. E comentado. O tema é atual: o uso do povo africano para testar medicamentos. Seres humanos são tratados como cobaias. Por quem? Pelos multimilionários laboratórios farmacêuticos tanto dos Estados Unidos quanto da Europa. A trama, inspirada em novela de John Le Carrè, mistura de tudo um pouco: realidade com ficção, diplomacia com espionagem, sentimentos nobres com a ganância por lucros. É um filme onde os bons são bons e os maus, maus. Não há meio termo, principalmente em se tratando de uma trama urdida por Le Carrè. Traições, solidão, mesquinhez e bravura conspiram ao longo de 125 minutos para nos fazer refletir sobre o que está por trás do surgimento de drogas potentes contra o câncer, a tuberculose ou mesmo o avanço do HIV. A fotografia tem o genes – se assim podemos chamar – do premiado Cidade de Deus. As paisagens ao tempo em que mostram a miséria nua e crua de lugares como o Zimbabue e Ruanda, apresenta também planos longos de extensas planícies, vales, tudo isso embalado por música ritmo New Age. O que menos aparece é o jardim… mas o aroma da fidelidade consegue tomar posse da sala do cinema em contraponto a ambientes políticos pautados por elevado grau de corruptores e corrompidos. O Jardineiro Fiel é mais um forte apelo para se entender porque a África tem entrado na História pela porta dos fundos. Se Fernando Meirelles (que ainda é bastante jovem!) não filmar mais nada de agora em diante, ainda assim, terá conseguido deixar uma obra sólida e consistente o bastante para ser reputado como um dos mais geniais diretores brasileiros da safra pós-1964.

13 Responses so far.

  1. Odette, Lucas e Arthur disse:

    Querido Ton,
    Obrigada pela dica. Adoro cinema e ontem mesmo estava pensando em ver este filme, pois me agradou o roteiro.
    Um abraço,
    Odette

  2. Deve ser realmente mto bom esse filme!! A capacidade do homem usar um semelhante, para o enriquecimento material, usando-o como rato, cavalo…É muito triste, é um apenas um filme??!!! Pesadelo p muitos.

  3. A cara de flor pode amuar ou flertar,
    A bela cruel pode refrear ou namorar;
    Mas timidez no feio é mal recebida,
    E dor em um olho cego é dupla ferida.20a

    (‘Abdu’l-Bahá, O Segredo da Civilização Divina)

  4. Ana disse:

    Caro Tom,

    Realmente assisti a este filme pelo título “O Jardineiro Fiel” confesso que esperava algo romântico como “O Carteiro e o Poeta” desta vez fui nocauteada, pois a abordagem foi de mais um filmes de Injustiça Humana. Fiquei pensando, teria eu coragem de largar tudo pela África? Dúvidas (…) elas me perseguem sempre, poderia dizer que dúvida e mudanças representam a minha maior constante. Mais, um filme que realmente nos apresenta a miséria e a supremacia de um capitalismo exacerbado. Porque a grande questão não era os remédios que estavam sendo testado, mas o volume de moeda que havia sido jogado no mercado financeiro.

    Depois, de refletir bastante sobre aquela miséria africana, voltei a questionar-me? Não somos africanos de pele mestiça e nos mesmos níveis de pobreza? Se eu quero fazer algo, não precisaria ir tão longe, pois a cada esquina que vejo crianças cheirando cola, pedintes mendigando um pão (…). Estaríamos nós distantes da realidade Africana?

    Logo, lembrei-me de que em 1983 houve a grande “Seca Nordestina”, isto é, aquelas que assolam o Nordeste Brasileiro de modo mais intenso. Lembrei-me que a campanha era mais ou menos assim: Brasil! O Nordeste em Busca de Soluções! Até hoje nada foi solucionado. Aquelas imagens foram tão fortes que nunca as esqueci, como o repórter que não conseguiu concluir a reportagem porque viu uma criança comendo rato, o local onde deveria ser um rio, havia apenas o curso de uma areia branca. Em lugar do verde, o solo rachado pelo ardor do sol sertão. A fome, a miséria nada pode ser facilmente descritível. Também fique a imaginar: será que não somos pessoas baratas para testes de Grandes Indústrias? Principalmente depois do Genérico.
    Finalmente encontrei uma resposta. Moramos em condições bem diferentes dos africanos pertencemos a um País Rico, mas de Povo Pobre. E a justificativa desta resposta estar no discurso do Professor Weber Figueiredo, paraninfo da turma de formandos em Engenharia da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) em 13 de agosto de 2002. Como recebi por e-mail posso citá-lo, e assim, mantenho a ética da pesquisa.

    Ilustríssimos Colegas da Mesa, Senhor Presidente, meus queridos Alunos, Senhoras e Senhores.
    Para mim é um privilégio ter sido escolhido paraninfo desta turma. Esta é como se fora a última aula do curso. O último encontro, que já deixa saudades. Um momento festivo, mas também de reflexão.
    Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma de direito, talvez eu falasse da importância do advogado que defende a justiça e não apenas o réu. Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma de medicina, talvez eu falasse da importância do médico que coloca o amor ao próximo acima dos seus lucros profissionais. Mas, como sou paraninfo de uma turma de engenheiros, vou falar da importância do engenheiro para o desenvolvimento do Brasil.
    Para começar, vamos falar de bananas e do doce de banana, que eu vou chamar de bananada especial, inventada (ou projetada) pela nossa vovozinha lá em casa, depois que várias receitas prontas não deram certo. É isso mesmo. Para entendermos a importância do engenheiro vamos falar de bananas, bananadas e vovó.
    A banana é um recurso natural que não sofreu nenhuma transformação. A bananada é = a banana + outros ingredientes + a energia térmica fornecida pelo fogão + o trabalho da vovó e + o conhecimento, ou tecnologia da vovó.
    A bananada é um produto pronto que eu vou chamar de riqueza. E a vovó? Bem a vovó é a dona do conhecimento, uma espécie de engenheira da culinária.
    Agora, vamos supor que a banana e a bananada sejam vendidas. Um quilo de banana custa um real. Já um quilo da bananada custa cinco reais. Por que essa diferença de preços? Porque quando nós colhemos um cacho de bananas na bananeira, criamos apenas um emprego: o de colhedor de bananas.
    Agora, quando a vovó, ou a indústria, faz a bananada, ela cria empregos na indústria do açúcar, da cana-de-açúcar, do gás de cozinha, na indústria de fogões, de panelas, de colheres e até na de embalagens, porque tudo isto
    é necessário para se fabricar a bananada.
    Resumindo, 1 kg de bananada é mais caro do que 1 kg de banana porque a bananada é igual banana mais tecnologia agregada, e a sua fabricação criou mais empregos do que simplesmente colher o cacho de bananas da bananeira.
    Agora vamos falar de outro exemplo que acontece no dia-a-dia no comércio mundial de mercadorias. Em média: 1 kg de soja custa US$ 0,10 (dez centavos de dólar), 1 kg de automóvel custa US$ 10, isto é, 100 vezes mais, 1 kg de aparelho eletrônico custa US$ 100, 1 kg de avião custa US$1.000 (10 mil quilos de soja) e 1 kg de satélite custa US$ 50.000.
    Vejam, quanto mais tecnologia agregada tem um produto, maior é o seu preço, mais empregos foram gerados na sua fabricação. Os países ricos sabem disso muito bem. Eles investem na pesquisa científica e tecnológica. Por exemplo: eles nos vendem uma placa de computador que pesa 100 g por US$ 250. Para pagarmos esta plaquinha eletrônica, o Brasil precisa exportar 20 toneladas de minério de ferro. A fabricação de placas de computador criou milhares de bons empregos lá no estrangeiro, enquanto que a extração do minério de ferro, cria pouquíssimos e péssimos empregos aqui no Brasil.
    O Japão é pobre em recursos naturais, mas é um país rico.O Brasil é rico em energia e recursos naturais, mas é um país pobre. Os países ricos, são ricos materialmente porque eles produzem riquezas. Riqueza vem de rico. Pobreza vem de pobre. País pobre é aquele que não consegue produzir riquezas para o seu povo. Se conseguisse, não seria pobre, seria país rico.
    Gostaria de deixar bem claro três coisas:
    1º) quando me refiro à palavra riqueza, não estou me referindo a jóias nem a supérfluos. Estou me referindo àqueles bens necessários para que o ser humano viva com um mínimo de dignidade e conforto;
    2º) não estou defendendo o consumismo materialista como uma forma de vida, muito pelo contrário; e
    3º) acho abomináveisl aqueles que colocam os valores das riquezas materiais acima dos valores da riqueza interior do ser humano. Existem nações que são ricas, mas que agem de forma extremamente pobre e desumana em relação a outros povos.
    Creio que agora posso falar do ponto principal. Para que o nosso Brasil torne-se um País rico, com o seu povo vivendo com dignidade, temos que produzir mais riquezas. Para tal, precisamos de conhecimento, ou tecnologia, já que temos abundância de recursos naturais e energia. E quem desenvolve tecnologias são os cientistas e os engenheiros, como estes jovens que estão se formando hoje.
    Infelizmente, o Brasil é muito dependente da tecnologia externa. Quando fabricamos bens com alta tecnologia, fazemos apenas a parte final da produção. Por exemplo: o Brasil produz 5 milhões de televisores por ano e nenhum brasileiro projeta televisor. O miolo da TV, do telefone celular e de todos os aparelhos eletrônicos, é todo importado. Somos meros montadores de kits eletrônicos.
    Casos semelhantes também acontecem na indústria mecânica, de remédios e, incrível, até na de alimentos. O Brasil entra com a mão-de-obra barata e os recursos naturais. Os projetos, a tecnologia, o chamado pulo do gato, ficam no estrangeiro, com os verdadeiros donos do negócio. Resta ao Brasil lidar com as chamadas caixas pretas.
    É importante compreendermos que os donos dos projetos tecnológicos são os donos das decisões econômicas, são os donos do dinheiro, são os donos das riquezas do mundo. Assim como as águas dos rios correm para o mar, as riquezas do mundo correm em direção aos países detentores das tecnologias avançadas.
    A dependência científica e tecnológica acarretou para nós brasileiros a dependência econômica, política e cultural. Não podemos admitir a continuação da situação esdrúxula, onde 70% do PIB brasileiro é controlado por não residentes. Ninguém pode progredir entregando o seu talão de cheques e a chave de sua casa para o vizinho fazer o que bem entender.
    Eu tenho a convicção que desenvolvimento científico e tecnológico aqui no Brasil garantirá aos brasileiros a soberania das decisões econômicas, políticas e culturais. Garantirá trocas mais justas no comércio exterior. Garantirá a criação de mais e melhores empregos. E, se toda a produção de riquezas for bem distribuída, teremos a erradicação dos graves problemas sociais.
    O curso de engenharia da UERJ, com todas as suas possíveis deficiências, visa formar engenheiros capazes de desenvolver tecnologias. É o chamado engenheiro de concepção, ou engenheiro de projetos. Infelizmente, o mercado desnacionalizado nem sempre aproveita todo este potencial científico dos nossos engenheiros.
    Nós, professores, não podemos nos curvar às deformações do mercado. Temos que continuar formando engenheiros com conhecimentos iguais aos melhores do mundo. Eu posso garantir a todos os presentes, principalmente aos pais, que qualquer um destes formandos é tão ou mais inteligente do que qualquer engenheiro americano, japonês ou alemão. Os meus trinta anos de magistério, lecionando desde o antigo ginásio até a universidade, me dá autoridade para afirmar que o brasileiro não é inferior a ninguém, pelo contrário, dizem até que somos muito mais criativos do que os habitantes do chamado primeiro mundo.
    O que me revolta, como professor e cidadão, é ver que as decisões políticas tomadas por pessoas despreparadas ou corruptas são responsáveis pela queima e destruição de inteligências brasileiras que poderiam, com o conhecimento apropriado, transformar o nosso Brasil num país florescente, próspero e socialmente justo.
    Acredito que o mundo ideal seja aquele totalmente globalizado, mas uma globalização que inclua a democratização das decisões e a distribuição justa do trabalho e das riquezas.
    Infelizmente, isto ainda está longe de acontecer, até por limitações físicas da própria natureza. Assim, quem pensa que a solução para os nossos problemas virá lá de fora, está muito enganado. O dia que um presidente da república, ao invés de ficar passeando como um dândi pelos palácios do primeiro mundo, resolver liderar um autêntico projeto de desenvolvimento nacional, certamente o Brasil vai precisar, em todas as áreas, de pessoas bem preparadas. Só assim seremos capazes de caminhar com autonomia e tomar decisões que beneficiem verdadeiramente a sociedade brasileira.
    Será a construção de um Brasil realmente moderno, mais justo, inserido de forma soberana na economia mundial e não como um reles fornecedor de recursos naturais e mão-de-obra aviltada.
    Quando isto ocorrer, e eu espero que seja em breve, o nosso País poderá aproveitar de forma muito mais eficaz a inteligência e o preparo intelectual dos brasileiros e, em particular, de todos vocês, meus queridos alunos, porque vocês já foram testados e aprovados.
    Finalmente, gostaria de parabenizar a todos os pais pela contribuição positiva que deram à nossa sociedade possibilitando a formação dos seus filhos no curso de engenharia da UERJ. A alegria dos senhores, também é a nossa alegria.

    Muito Obrigado.
    Weber Figueiredo, UERJ, 13 de agosto de 2002

    Desculpe Tom, mas não para deixar esta informação de fora sei que é longa. Mas, algo me diz que só entra neste site, para refletir as nossas questões locais comparando-as as mundiais.

  5. Ana disse:

    Errata,
    Na terceira linha, é mais um filmes, leias-se é mais um filme.

    mas não para, leia-se, não dar para deixar de fora esta informação.

    Outros erros que o leitor seja compreensível com a minha angústia de escrever meus dedos não acompanham o meu modo de pensar, e nem sempre é simples descodificar as idéias.

    Um Grande abraço.

  6. SAM disse:

    Ecrevo este comentário tanto tempo depois por dois motivos. O primeiro é que felizmente este filme estreou em Portugal (infelizmente com tanto tempo de atraso e sem a companhia de outros filmes que não estrearão nunca por cá!!!). O segundo é que tinha que aproveitar e escrever sobre este filme…
    Um jardineiro fiel! Esse é o título de uma vida e não de um filme… É o título das vidas que são ceifadas, sabe Deus por quem, seja onde for: África, Iraque, Irã, Brasil, Europa… Sim, pois enquanto se morre de fome na África, morremos de vergonha na Europa.
    Mas é essa vergonha que nos impele, a nós, culturalmente europeus a sermos ou cada vez mais inertes ou cada vez mais reinvidicadores.
    A película não poderia ser melhor. John Le Carré, gênio francófono de primeira. Ele diz que pensava no petróleo como cerne da trama, mas que lhe aconselharam a industria farmacêutica… Grande conselho! Mas só mesmo a mente brilhante desse escritor (que como todo francês famoso gosta de nos fazer pensar) e os olhos brilhantes de um brasileiro vanguardista poderiam encontrar a beleza e a serenidade na corrupção, a paz na mesquinhez humana. O cocktail de emoções que o filme nos transmite e a atuação estonteante (habitual) do Sr. Fiennes…
    A transculturalidade desses três vetores e a transculturalidade da história fazem dela única! O filme consegue ser sereno sem ser monótono, triste sem ser lamechas e realista sem tirar-nos a esperança!
    Eles estão de parabéns, mas estamos nós também por termos visto e gostado e desejado agir depois de vê-lo.
    Já escrevi muito…
    Um abraço trans-atlântico

  7. bom eu acho o título nada a ver com o filme mas bem super critivo eu pensava que fossa algo sobre romance mas é um assunto muito bem colocado eu amei os conjuntos de ordens e de novas coisas que você assisti aquele filme eu por exemplo aprendi muito !!!

  8. ANA PAULA disse:

    ADOREI O FILME POIS MOSTRA A REALIDADE NUA E CRUA DA MISERIA HUMANA.A GANANCIA DE PODEROSO POR DINHEIRO E PODER USANDO PESSOAS COMO COBAIAS É IMPRESCIONANTE……….A PURA REALIDADE É QUE MUITOS PAISES DO PRIMEIRO MUNDO NÃO SÃO SOLIDADARIOS E SI QUER DÃO VALOR A VIDA

  9. jodele disse:

    Gostei muito do filme, O filme mostra a realidade do que acontece no mundo infelismente. o filme e bom.

  10. Débora disse:

    Eu assistir, gostei muito do filme, porque retrata como o capitalismo age sobre as pessoas, é capaz de matar uns por causa de dinheiro e perda de tempo para se fazer uma nova manipulação para o remédio.
    Espero que eu não chegue a ser como essas pessoas!

  11. Maria disse:

    Caro.

    Eu assisti o filme , recomendado por um professor de direito.
    Confesso que foi um dos melhores filmes que assisti, chorei igual criança, e olha que eu só gosto de filmes romanticos e choro também.
    Mas é inaceitavel ver aquele povo sendo tratado como lixo ou objetos (repudiante)…
    É uma dura e fria realidade, mas infelizmente é isso que o dinheiro faz com as pessoas, as tornam frias e calculistas.
    Suas palavras descrevem muito bem a dura realidade e o filme.
    Recomendo para todos assistirem também.

  12. karol disse:

    Eu gostei do filme pois relata de como grandes potencias se unem para estabelecer ainda um meio de capitalismo monopolista onde ñ negam q o que interessa de verdade são os lucros ….

  13. wanessa disse:

    sou estudante da area de enfermagem curso farmacologia e fiquei chocada com esse filme cara que miseria de pais…e ainda tem gente q se aproveita disso!


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