Mestres e doutores no BrasilTenho em mãos a informação que dos 230.784 professores que atuam na educação superior no Brasil, 57,7% são mestres e doutores. É o que afirma na primeira edição do Cadastro Nacional de Docentes do Sistema Federal de Ensino Superior, divulgado nesta semana pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Mais: de acordo com o documento, 22,7% (52.376) são doutores, pós-doutores ou livre-docentes, 35% (80.787) mestres, 29,4% (67.822) especialistas e 11,8% (27.334) graduados. Mas existe um desequilíbrio na distribuição dos professores universitários melhor qualificados no Brasil. É que, de acordo com o resumo técnico do cadastro, 48% desses professores estão concentrados na Região Sudeste, 21% no Sul, 17% no Nordeste, 9% no Centro-Oeste e 5% no Norte. Como era de se esperar, São Paulo é o Estado que mais tem professores em atividade – 24%. Minas Gerais tem 12% e Rio de Janeiro, 117%. Como vemos, democratizar ou mesmo pulverizar o número de mestres com mestrado e doutorado torna-se urgente. Um ensino superior de qualidade deve ser a marca de todas as universidades no Brasil. O país que queremos construir passa por essa democratização. Mas há que se ter vontade política e uma saudável vigilância da sociedade para o ensino superior no Brasil. Temos, uma grande questão de direito. O direito de se ter acesso a cursos de alta qualidade educacional. É o mínimo que a sociedade pode esperar.

One Response so far.

  1. Ana Nélo disse:

    Caro Tom,

    É sempre bom viajar pelo seu site, por que logo deparo-me com novas reflexões, ou vontade de escrever sobre algumas opiniões pessoais e individuais, por que antes de tudo, elas passam pelos meus ideiais.

    Esta questão de Mestres e Doutores nas Instituições de Ensino Superior elas merecem uma reflexão muito forte. Primeiro por que esta massificação e concentração das pesquisas no Sul e Sudeste Brasileiro? Temos que retornar a história, em 1996 com advento da Lei de Diretrizes e Base, quando o Sr. Paulo Renato era Ministro da Educação, exigiu que as universidades particulares tivessem em seus quadros mestres e doutores, de um lado (Isto é muito positivo). Mas, por outro lado, também tramitava a reforma das aposentadorias dos funcionários públicos e, quem investe em pesquisa são as Universidades Públicas, contudo o Governo (1996), presenteou a iniciativa privada com a mão-de-obra mais qualificada e que ao mesmo custou muito caro para a Nação-Brasil. O que significa dizer que os chamados “ícones do saber” que estavam nas IES por diletantismo para não perderem seus direitos solicitaram suas aposentadorias. E migraram para inciativa privada, no meu mais incipiente (com “C” ou com “S”) conhecimento induz a afirmar que o governo estava sorratereiramente privatizando o Ensino Superior.

    Bom, passamos para o ponto forte desta questão, na minha vã filosofia, os professores estão reivindicando seus direitos nos moldes da Década da Ditadura Militar e ao mesmo tempo fazendo uma pressão de operários sobre outros operários ou mesmo filhos de operários, esperando que tudo venha do Governo Federal e esta espera é muito forte no Norte e Nordeste Brasileiro. No Sudeste e Sul nem todas as Universidades fazem greve, pelo contrário enfrentam os comandos de Greves e vão para Assembléias de professores dizer que não querem esta modalidade de Greve, e sim trabalhar.

    Eu não sei se Belchior tinha razão quando afirmou sobre o Ocidente na música Bárbaros Bahiunos, dizendo que “esta gente tão demente de um ocidente tão cristão (…)”. Eu sempre refaço esta frase dizendo, “esta gente tão dormente de um ocidente tão cristão (…)”. Nada contra os Ensinamentos de sua Santidade o cristo, mas como estes valores vem sendo repassados de Geração para Geração. Precisamos reformular as fórmulas de pressionar o Governo e não a sociedade, posto que esta paga a conta duas vezes. Onem retornou as greves acadêmicas, ou as finalizaram … Mas, eu sou contra as greves pelas razões já exposta, buscar de recursos inclusive na iniciativa privada… Por que se há Universidades Federais sem recursos básicos, também há outras no Sul que tem luz própria, ou recursos próprios. E isto envolve mais os alunos e professores…

    Um outro aspecto que não pode ser deixado de lado, é copiar ou fazer parecido o que dar certos nas IES do Sudeste e Sul Brasileiro.

    Preferimos morrer tomando sustos com as medidas provisórias e decidir greve como se define feriados, e descartamos a busca de recurso da comunidade principalmente da iniciativa privada.

    Quanto a concentração de pesquisas no sudeste é por que eles repensaram a Universidade de outro modo, é natural que seja assim, pois a USP sozinha detém 30% das pesquisas do país e é pública. Outro fator relevante é a população destes estados, em 1994, vi o presidente da Associação Interamericana de Contabilidade dizendo que o número de crianças que nascem na Grande São Paulo por Ano corresponde a população do Uruguai. Então justifca-se a concentração de Mestres e Doutores naquelas regiões.

    Entrei na Universidade Pública como Aluna em 1984, e a forma de mundo mudou, as modalides ou a modalidade de Greve é a mesma. Mudou significativamente mesmo foram os Adjetivos. Contudo a sociedade vem cada vez mais se ausentado destas IES pela insegurança do período em que seus filhos transformam-se em profissionais.

    Para fechar este bloco de idéias, eu quero registrar que sou contra as greves acadêmicas desde 1986, quando ainda estudante de uma IES Pública, eu fiz as minhas descobertas e enfrentei sozinha um comando de greve. Mas, a produção acadêmica das Federais ainda está longe das IES das regiões ora mencionada.

    O outro fator delicado mas que não pode ser descartado é o desestímulo a pesquisa no Governo Lula, onde os professores ficaram a mercer dos órgão de fomento à pesquisa de cada Estado, e as verbas para este fim são poucas, muitas vezes restringe-se ao Doutorado, sem mestrado como uma família vai viver com um salário inferior a sua subsistência.

    Ausência de visão de intercâmbio nas regiões onde os índices são baixos, falta de divulgação de intercâmbio acadêmico… Estamos num mundo sem fornteiras, atingimos paradigmas ainda não descoberto pela Humanidade, onde as informações atravessam continentes em segundos, de um lado. Por outro lado, ainda há uma forte resistência ao inglês, pelo menos onde encontro-me, professores e estudantes ainda com dificuldades de otimizarem seu tempo eletrônicamente e, entrar na rede é simplesmente uma questão de sobrevivência. Temos que dar chances as regiões cujos índices de Mestres e Doutores são baixos, mas vamos pesquisar com qualidade, temos que fazer como a águia se livrar de toda ropagem velha jogar fora do alto de uma montanha para reconstruir um mundo melhor para as Gerações que virão.

    Gostaria que os leitores deste blog considerarssem que cada parágrafo foram soltas várias idéias e sob as quais não ofereci conclusões propositadamente, foram apenas idéias pulverizadas, contudo fundamentadas, objetivando provocar discussões.

    Obrigada Tom por oferecer um site tão repleto de reflexões.


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