Perigos da Gripe aviária e Tamiflu

Gripe avi riaA China divulgou nos últimos dias que três pessoas foram infectadas com o vírus da gripe aviária no país. A doença já matou mais de 60 pessoas na Ásia, e entidades internacionais da área de saúde alertaram que é bem provável que uma pandemia entre seres humanos aconteça no futuro. Mas, por que os especialistas estão tão preocupados com a gripe aviária? Bem, levando-se em conta experiências passadas, ficou sinalizado que uma pandemia está se aproximando. No último século, houve três surtos graves de gripe. O primeiro, batizado de gripe espanhola, foi em 1918 e matou 50 milhões de pessoas no mundo todo. A gripe asiática foi o segundo grande surto, provocando um milhão de mortes. Finalmente, veio a gripe de Hong Kong, em 1969, deixando mais um milhão de vítimas. Os sintomas da gripe aviária são parecidos com os de outros tipos da doença – febre, mal-estar, garganta inflamada e tosse. Também é comum a ocorrência de conjuntivite. Por isso todas as atenções estão voltadas para o sudeste asiático, onde a gripe aviária já matou mais de 60 pessoas. As pessoas pegam a doença por meio de contato próximo com aves infectadas vivas. Os pássaros expelem o vírus nas fezes, que depois de secas, pulverizam-se, sendo inaladas com o ar pelos seres humanos. Até agora o vírus tem sido combatido com o sacrifício em massa de aves que podem servir de hospedeiras para ele. As nações precisam, com urgência, apostar no desenvolvimento de uma vacina que imunize os seres humanos. Antes que seja tarde. Autoridades sanitárias do Japão estão monitorando o medicamento antiviral Tamiflu depois da divulgação de notícias a respeito de dois adolescentes que cometeram suicídio no Japão após terem tomado o remédio. A Agência de Avaliação de Medicamentos Européia anunciou que tem conhecimento dos casos. Mas a entidade disse que não há evidências de que existe uma relação direta entre o Tamiflu e o suicídio dos adolescentes. Deve ser destacado que o Tamiflu é considerado a principal arma para enfrentar casos de gripe aviária em seres humanos e está sendo estocado por vários governos. Estima-se que 33 milhões de pessoas já tenham tomado o Tamiflu em todo o mundo. Só no Japão, 6 milhões de pessoas consumiram o remédio durante a temporada de gripe em 2004 e 2005. Faltam dados sobre o consumo deste remédio no Brasil. Mas a repercussão no mundo já é bastante extensa. Vale destacar que o fabricante indiano de medicamentos genéricos Cipla, que se tornou famoso ao produzir um coquetel contra o vírus da Aids a preço mais baixo, em 2001, prepara-se para lançar uma cópia do medicamento contra o H5N1, que é vírus identificado da gripe aviária. O laboratório anunciou que prevê a fabricação de 750 kg mensais do antiviral antes de lançá-lo no mercado mundial. A perspectiva é atender aos países em desenvolvimento. A propósito, há poucos dias acompanhamos a questão do uso da Talidomida no país, que é uma droga que a despeito de ser eficaz no tratamento da hanseníase, quando utilizada no país na década de 1960, gerou grande número de abortos e o nascimento de bebês com malformações severas, especialmente de membros, bem como a ocorrência de anomalias cardíacas. Acostumados com o descaso com que se trata a saúde pública, existem realmente muitos motivos para preocupação…

6 Responses so far.

  1. Marcia Kawabe disse:

    O fato é que não precisa de muita coisa para japones de suicidar né?

    Pronto. Já coloquei o link que eu estava devendo 🙂

    Abraços

  2. Eddie A. M. C. disse:

    hemaglutinina (H) e à neuraminidase (N), são proteínas que estão no envelope externo do vírus (varia H1 à H16) juntamente com as informações para se ligar ao corpo humano causa sua letalidade, recentemente o vírus foi modificado em laboratório militar dos Estados Unidos, da cepa de 1918 (H1N1) trocando material genetico e dando a letalidade e transmissão no H5N1 das aves, apenas a China e EUA tinham estoque para criação de armas militares com os vírus modificados, de alguma forma, eles vazaram…acredita-se que inicialmente contaminou aves próximas ao laboratório na China que deliberadamente pode ter causado a proliferação achando que teria controle de sua propagação entre as aves e humanos, principalmente entre humanos já que seria uma arma biológica, havia interesse também pois as suas politicas públicas de controle da natalidade estavam falhando e achavam que teriam controle sobre a cepa, porém está sofreu mutação e agora não há vacina para controlar a proliferação.

  3. E. Alessandro M. C. disse:

    Influenza Aviária é uma doença infecciosa causada pelo vírus Influenza A e seus diferentes subtipos, que pode acometer o trato respiratório, entérico, reprodutivo e nervoso das aves domésticas, aquáticas e silvestres. O vírus não apresenta resistência às ações físicas do ambiente, exceto em regiões frias, onde pode sobreviver por mais tempo. No entanto, possui alta transmissibilidade e as aves migratórias contribuem para sua disseminação intercontinental.

    Os vírus da Influenza são agrupados em três tipos: A, B e C. Sua classificação baseou-se no antígeno interno nucleoproteíco. Externamente, apresenta um envoltório de natureza lipídica, no qual se inserem antígenos de superfície de natureza glicoproteíca denominados: Hemaglutinina (HA) e Neuraminidase (NA) .Os vírus B e C são essencialmente humanos, enquanto os vírus Influenza A afetam humanos e outras espécies animais (aves, suínos, eqüinos), sendo propensos a freqüentes mutações.

    O período de incubação é de 1 a 3 dias, mas dentro de um plantel pode chegar a até 14 dias. As aves aquáticas, principalmente patos, são os principais reservatórios naturais dos vírus da Influenza Aviária.

    Na avicultura, a Influenza Aviária constitui uma das doenças mais relevantes, tendo em vista seu potencial devastador e implicações sócio-econômicas, notadamente nas exportações. Depreende-se desse fato a importância da manutenção de uma vigilância ativa em relação aos plantéis, a fim de permitir intervenções efetivas de controle e biossegurança.

    O diagnóstico diferencial deve ser feito com a Doença de Newcastle, Micoplasmose, Clamidiose e Cólera Aviária.

    Surtos de Influenza Aviária e Casos em humanos

    Nas últimas décadas, surtos de Influenza Aviária de alta patogenicidade têm sido registrados em vários países (figura 2). No Brasil, até o momento, não foram notificados surtos deste agravo.
    Figura 2
    Surtos de Influenza Aviária de alta patogenicidade nas últimas décadas

    O primeiro surto de Influenza Aviária A (H5N1) em humanos ocorreu em Hong Kong China, próximo de um laboratório de armas biológicas (1997). Na ocasião, 18 casos foram confirmados e houve registro de seis óbitos. A partir do segundo semestre de 2003, surtos de Influenza Aviária A (H5N1) foram identificados em oito países asiáticos (Camboja, China, Indonésia, Japão, Laos, Coréia do Sul, Tailândia e Vietnã), resultando na morte ou sacrifício de milhões de aves.

    A doença em humanos pode ser adquirida diretamente de aves infectadas e/ou suas excreções, possuindo potencial de recombinação genética com vírus Influenza Humano. Este fato viabilizaria a transmissão entre humanos, aumentando as chances da emergência de um novo vírus Influenza com potencial pandêmico. Na espécie humana, a infecção pelo vírus Influenza A (H5N1) é caracterizada por febre, sintomas respiratórios e linfopenia.

    No presente, casos confirmados de Influenza Aviária A (H5N1) em humanos têm sido observados em vários países asiáticos, incluindo Tailândia, Vietnã e Camboia (figura 3), com letalidade significativa (76,36%). A provável transmissão limitada entre humanos do vírus Influenza A (H5N1) foi relatada em setembro de 2004, na Tailândia, entre uma criança e seus dois familiares.

    Número de casos e óbitos confirmados (laboratório) de Influenza Aviária A (H5N1) em humanos, a partir de 28 de janeiro de 2004

    As autoridades de saúde do Vietnã investigam a possível transmissão entre humanos em casos registrados em um conglomerado familiar. Estes casos envolvem dois irmãos com infecção confirmada pelo vírus Influenza A (H5N1) e um terceiro caso (irmão), hospitalizado para observação, que não desenvolveu sintomas. As investigações estão sendo conduzidas no sentido de identificar as prováveis fontes de infecção, os sinais e sintomas da doença entre os demais familiares, contatos próximos e comunidade em geral.

    Acrescente-se que o primeiro caso humano de infecção pelo vírus Influenza A (H5N1) no Camboja (Província de Kampot) foi confirmado em uma mulher que tinha sido hospitalizada e evoluiu a óbito no Vietnã, em 30/1/2005. Seu irmão de 14 anos também desenvolveu os sintomas e foi a óbito. Os contatos próximos destes casos ficaram em observação, porém, até o momento, não houve evidência de transmissão entre humanos neste agrupamento familiar.

    Prevenção de transmissão aos familiares que prestam atendimento aos pacientes

    Tendo em vista a atual propagação de surtos de Influenza Aviária pelo vírus A (H5N1) em alguns países asiáticos, pode-se esperar que apareçam casos em humanos e, ocasionalmente, conglomerados de casos familiares. A experiência com os casos presentes permite inferir que a transmissão pessoa-a-pessoa possa ter ocorrido durante contato íntimo e prolongado dos familiares com os doentes graves.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) disponibilizou as principais recomendações sobre as medidas de precaução a serem viabilizadas nos serviços de saúde, para reduzir as possibilidades de transmissão da infecção pelo vírus A (H5N1) dos doentes para seus contatos íntimos e, em particular, dos trabalhadores de saúde para seus familiares.

    A detecção rápida e a investigação dos casos de infecção por vírus A (H5N1), com estreita relação no tempo e espaço, são as atividades fundamentais de vigilância, que podem sinalizar as possíveis mudanças na transmissibilidade dos vírus.

    Implicações em saúde pública

    Pesquisas recentes têm identificado três pré-requisitos para o início de uma pandemia, a saber:

    1- um novo subtipo viral deve emergir e para o qual a população geral terá pouca ou nenhuma imunidade;
    2- o novo vírus deve ter capacidade de replicação em humanos e causar doença grave;
    3- o novo vírus deve ser eficientemente transmitido entre humanos, para tanto, a cadeia de transmissão deve se realizar de forma sustentada, levando a surtos comunitários expressivos.

    Até o presente, o pequeno número de casos de Influenza Aviária em humanos, comparado com a magnitude dos surtos em aves, sugere que o vírus A (H5N1) não é facilmente transmitido de aves para humanos. Além disso, não se pode prever quando o terceiro pré-requisito para o início da pandemia ocorrerá. Entretanto, as possibilidades aumentam tendo em vista a progressão dos surtos em aves e a dificuldade em seu controle, que resultam em contínuas oportunidades de exposição humana.

    Nestas condições, a presente situação deve ser avaliada como séria e preocupante, justificando a implementação do plano de ação com vistas a iminente pandemia, com os seguintes objetivos:
    • promover alerta global;
    • controlar surtos/epidemias em humanos;
    • conduzir pesquisas, no sentido de otimizar a capacidade de resposta, incluindo o desenvolvimento imediato de vacinas.

    Vale ressaltar a necessidade de eliminar o reservatório animal do vírus, a fim de reduzir as oportunidades de exposição e infecção. Para tanto, a detecção rápida de surtos, seguida da aplicação de medidas de biossegurança e isolamento, serão determinantes para o efetivo controle.

    As medidas consideradas importantes no início de uma pandemia, tais como lavagem das mãos, uso de máscaras e quarentena voluntária, devem ser estimuladas, no sentido de contribuir para a redução da oportunidade de transmissão.

    Uma pandemia de Influenza é uma emergência em saúde pública com dimensões políticas, econômicas e sociais. A efetividade de diferentes intervenções dependerá do comportamento do vírus, determinado pela sua patogenicidade, modo de transmissão, concentração nas diversas faixas etárias e suscetibilidade às drogas antivirais.

    Conclusão

    Pandemia de Influenza está associada à alta morbi-mortalidade, haja vista a ocorrência de três pandemias no século passado (1918, 1957 e 1968), com impacto sócio-econômico significativo.

    No início do século XXI, a humanidade experimentou dois eventos considerados de extrema relevância em saúde pública: a emergência da SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), em 2003, e o risco iminente de uma pandemia de Influenza em 2004, trazendo em seu bojo conseqüências adversas num mundo altamente globalizado.

    O efetivo controle destes eventos guarda dependência direta com a oportunidade da identificação e notificação dos casos suspeitos. Nesse sentido, impõe-se um sistema de vigilância fortalecido e com capacidade de resposta e sustentabilidade, alinhado com os diferentes setores, incluindo rede de assistência, laboratório, agricultura e reserva estratégica de vacinas e antivirais.

  4. demis patrick disse:

    gostaria de receber algumas fotos de micoplasmose aviaria para conclusao de monografia.
    antecipadamente agradeco

  5. REGINA FALCÃO disse:

    Gostaria de receber informações mais recentes sobre o tema!
    Por bondade, todos os dados sobre o assunto sera importante para minhas pesquisas. Vou apresentar trabalhos preventivos em escola puplicas e privadas no Recife /PE
    Muito grata ! Regina falcão – Biologa- ADAGRO- PE


ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado