Fagner e sua entrevista na Veja

Fagner sendo entrevistado demonstra ser um  timo cantor Li a recente entrevista do cantor Raimundo Fagner à revista Veja. Confesso que fiquei meio desconfortável. Senti saudades do Fagner cantando Mucuripe e Canção Brasileira. E pensei também no seu (belo) plágio do poema Marcha, de Cecília Meireles. O poema quase todo está na sua música Canteiros. Isso foi em 1973, ainda no seu disco de estréia. Somente em 1981, as herdeiras de Meireles conseguiram condenar o cantor, as gravadoras Polygram, Polystar (e outras) a pagar uma multa de Cr$ 101 mil por violação de direitos autorais. E ainda acho que ele é melhor cantando com Zeca Baleiro do que emitindo opiniões, Porque isto? Porque ele cobra de seus colegas artistas posições políticas. Opinar é próprio da democracia, mas induzir – ou forçar – os demais a opinar… é ação mais característica de regimes totalitários. O que não é o caso no Brasil. De qualquer maneira Fagner critica duramente Chico Buarque por dizer que “está triste” com a cena política brasileira. Reclama de Fernanda Montenegro, detona Gilberto Gil e por aí vai. Sobre Caetano Veloso vai além: “Caetano tem um problema de ego: quer sempre aparecer. Quando não tem assunto, vai à mídia e diz que é melhor que o Chico Buarque e o Milton Nascimento juntos.” Depois, na mesma entrevista diz, faceiro: “Mas sou doido por Caetano.” Aproveita para passar um pito na filósofa Marilena Chauí: “Ela vem defender o indefensável.” E, como se ainda não bastasse, Fagner rotula de “abestados” quem concorda com a filósofa. Depois da entrevista nas páginas amarelas de Veja, um político fez o seguinte comentário: “A única coisa que não tem lado bom é CD do Fagner.” Faltou apenas informar ao político que CD não tem lado. É um só. De minha parte, o desconforto apenas aumentou. Isso porque, opiniões à parte, Fagner sendo entrevistado demonstra ser um ótimo cantor.

4 Responses so far.

  1. Marcia Kawabe disse:

    Que horror!

    Não vi a entrevista não e pelo visto não perdi nada …

  2. Márcio M. Araújo disse:

    Totalmente compatível o plágio no passado com a agressividade reacionária que Fagner exibe agora.
    Há muito sem produzir algo de relevante,Fagner conseguiu aparecer de alguma forma. E a Veja encontrou, afinal, um “artista” para falar mal dos artistas, pensadores, humanistas e quetais.

  3. Patricio Junior disse:

    Acho que todos gozando de plena saúde mental têm a capacidade de expôr suas opiniões! Creio que o Fagner não cometeu nenhum cosntrangimento em opinar sobre questões que normalmente são tratadas nos bastidores. Respeito a opinião formada por ele e creio que o mesmo não precise usar a revista Veja para estar na mídia. Como tantos bons artistas ele já é mídia mesmo e não precisa de entrevistas bombásticas para estar no cotidiano. Sem fanatismo algum, aceito as suas críticas e faço votos para que ele continue inflamando as “cabeças pensantes” e o brio dos intelectuais e políticos brasileiros.

  4. Afra Andra disse:

    A obra de Fagner já fala por si mesmo. Uma entrevisat não podee por em cheque uma estrada contruída com determinação e talento. Creio que os críticos não souberam diferenciar o artista da pessoa. Uma lástima.


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