Paris 2005: Cidade Luz em chamas

Paris em chamasE assim Paris, a Cidade Luz, vem sendo incendiada pelos fogos da intolerância e da barbárie. Há quase duas semanas, mais de 5.000 veículos foram queimados não apenas em Paris mas também em outras cidades francesas. E pelo menos 1.200 pessoas foram presas. O combustível, mais que a gasolina propriamente dita, são velhas amigas nossas. O racismo e o desemprego. Uma mistura perigosa. Não é de hoje que a xenofobia, o desprezo pelos estrangeiros, tem sido parte dos debates políticos na capital francesa. Lideranças políticas, a cada eleição, levantam bandeiras equivocadas de repúdio àqueles que buscam na França melhores condições de vida. Nesse contingente temos milhões de pessoas que têm suas raízes em países do norte da África. Que existe uma fratura social na França, ninguém tem como negar. E a crise avança. A intolerância na França se agravou bastante desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Na escalada de violência pesou o controvertido projeto de lei que buscava proibir o uso do véu islâmico por parte dos alunos da rede pública de ensino do País. Enquanto isso, a repressão já começou. Em algumas cidades entrou em vigor o toque de recolher a menores de idade. O certo é que os atuais conflitos começam a ter semelhança com o famoso maio de 1968 quando os protestos dos estudantes franceses deflagaram o maior movimento de desafio à autoridade do Estado. Os olhos do mundo caem sobre a França. Não estaria ali o estopim para uma convulsão social em larga escala, em tempos de globalização? É esperar para ver.

One Response so far.

  1. Washington,
    Pela primeira vez vou discordar do seu texto. Tinha de haver uma primeira vez, né?

    Os problemas de integração e intolerância são muito anteriores ao 11 de Setembro e ao problema do uso do véu nas escolas públicas. Há anos que eu oiço: “Se fores a Paris, cuidado com os bairros da periferia norte! Se tiver mesmo de lá ir, vá durante o dia!”

    Aliado ao problema de assimilação e integração de emigrantes, juntaram-se os problemas das sociedades que hoje vivem nas economias de mercado globais: excessiva diferença entre ricos e pobres. Foi referido pelos jornalistas portugueses em França que nem todos estes jovens que provocam distúrbios são de origem magrebina ou africana; há muitos franceses entre eles.

    O problema tem raízes muito específicas no espaço e no tempo. Não me faz sentido compará-lo ao Maio de 68, que foi uma revolta estudantil com aproveitamento político.

    Um abraço.


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