“Meu amor por ti é tamanho”

Leonora1“Meu amor por ti é tamanho / Que nem cabe em teu coração.” Estes são os versos finais da primeira estrofe da poesia Primavera, escrita pela senhora Grace Heathcok Stirling em 2 de abril de 1895. E foi com grata surpresa que comecei este 12 de janeiro, aparentemente um dia 12 qualquer do ano e que agora se destaca porque meus olhos pousaram em poesias com aroma do século XIX. Li esta e outras 7. E sempre com a emoção represada desde há muito: que diferença dos parnasianos e que diferença, ainda mais colossal, dos neoconcretistas! A ingenuidade desses versos e a leveza dessas rimas me levaram a um outro tempo, pré-contagem-do-tempo, pré-engenhoca-chamada-relógio. E tem um soneto muito especial. Escrito em 25 de Julho de 1899, foi dedicado ao rio Hudson. Diz assim:

Belo Hudson! Que vens de colinas distantes
Em meio aos verdes vales, como um fio de prata.
Assim como criança, em suas dores infantes,
Busca na mãe consolo da dor que maltrata,
Igualmente, tuas águas cheias de colinas
Se apressam para os braços de quem te gerou,
Bem sabes que nasceste das águas salinas,
Pois foi delas que o sol, meu pai, te arrebatou,
E então te acalentou em um berço de nuvens
Oh! Quando ‘inda eras muito jovem p’ra correr!
Choveste, então, criança, sempre a te entreter,
Saltitante em cascatas, na tua juventude,
Para encheres, maduro, os vales abundantes,
E repousar, em paz, entre praias distantes.

A idéia de um berço de nuvens em simetria ao aconchego materno me pareceu muito original; o mesmo se dá com a relação de uma criança a um rio e a seqüência dos dois crescendo… cascatas, saltitantes, abundantes águas a encherem os vales. Tudo muito belo e muito leve. E o bom de tudo isso é constatar que os bons poetas são eternos e durarão tanto quanto durarem seus amantes: os leitores amorosos das poesias. Mas, ainda há a excelência do poeta-tradutor, Luis Henrique Beust que levou mais que um par de anos para traduzir essas oito poesias e nos apresenta, assim sem mais nem menos, em forma de ramalhete. Aos que não sabem, a sra. Stirling foi a mãe de Leonora Stirling Armstrong (1895-1980). É ela que ilumina e emoldura este texto. A história singular de Leonora pode ser conferida no sítio http://www.bahai.org.br/brasilia/Leonora.htm.


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