Um outro mundo possível… será possível?

Um outro mundo poss vel
E as bombas continuam a cair em Beirute, em Haifa, no Vale do Beka e em várias cidades libanesas e israelenses. Quando, meu Deus, irão inventar as tais bombas de amor, os tais mísseis de compaixão, as esperadas granadas de paz? Foram esses pensamentos que me acordaram bem cedo, uma quinta-feira que poderá ser igual às outras milhares de quintas-feiras, mas… também poderá não ser. Enquanto existir um conflito armado no mundo, existirá um lar para o qual o pai, a mãe, uma filha ou um filho não mais regressarão. Enquanto o mundo dorme, centenas de pessoas são exterminadas, suas vidas são interrompidas como se interrompe uma chamada telefônica por defeito na linha. Mas o mundo continua seu ritmo, um ritmo de desequilibrado, de quem tropeça nas pernas… o tempo todo. Penso em um outro mundo possível, onde houvesse sempre a sensação da chegada, o abraço aguardado, os olhares entrecruzados que falam mais que os verbetes do Houaiss em silenciosa procissão pelo branco da página onde é escrita a História.

Recebi muitos comentários quando desabafei neste blog as preocupações que tenho com meu filho Thomas, que reside em Israel, desde 11 de janeiro deste ano. Em todos os comentários, o mesmo sentimento maior de pertencer ao gênero humano. E com este, o carinho onipresente e a amizade escancarada. E também uma legião de corações, qual bússolas, apontando para o Alto. Não posso deixar de ver mais este conflito no Oriente Médio como uma página adicional à longa história da estudidez humana através dos séculos. E me convenço, nem sempre muito à vontade, que vivemos em um mundo cuja “Ordem demonstra estar lamentavelmente defeituosa”, é como uma avião que passa por uma espécie de “queda sob controle”.

Um dos meus alunos da pós-graduação insistiu em uma aula para saber o que eu pensava do tumultuado início do século XXI. Pois bem, é um século que já começa a testemunhar as lancinantes dores de um parto, o parto de uma nova consciência da unidade humana, acrescida ainda da compreensão de que temos destinos comuns a partilhar. A busca da felicidade e de uma fraternidade que ultrapasse os estigmas – e como são muitos! – que implicam em distinguir seres humanos pela cor da pele, pela nacionalidade, pela classe social, pela crença religiosa esposada. Penso que em 2106, os que lerem este texto, se subsistir até lá, talvez possam ver algumas dessas imagens como cena do cotidiano, pois do contrário, teremos vergonhosamente falhado em levar avante uma civilização em constante evolução.

Mas há um silëncio muito barulhento que me inquieta e perturba. É o silëncio do Sagrado. Até quando o corcel das paciëncia divina permanecerá inerte? Me vêm à mente o conselho de Agostinho, o santo, que ante a queda do Império Romano insistia em aconselhar: “caminhar e cantar e anunciar o novo mundo que nos aguarda”. Este é o ponto. Vivemos dias em que diversos “impérios romanos” estáo em franca derrocada. E as causas dessa imensa solidão de espírito em que nossos dias estão aprisionados não são outras que a aceleração da decadência moral, o consumismo exacerbado, o individualismo colocado nos altares da vida em sociedade.

E todas essas palavras mal-arranjadas, mal-digitadas, tentando desesperadamente dizer o indizível, algo assim como uma convocação para que lutemos por algo melhor. Mesmo que não sejamos os beneficiários diretos, ainda assim vale a pena lutar. Nossos netos e bisnetos serão gratos.

Durma Thomas, em paz. E que toda essa extensa legião de civis inocentes enrascados em um conflito que a cada a dia que passa, mais parece sair do controle, dos eixos do bom senso, encontre um rasgo de serenidade ao contemplar um amanhecer em Haifa, com os raios tocando a comovente cúpula dourada sobre o Monte Carmelo ou ao contemplar uma nesga de céu do mais puro azul cobrindo o Vale do Beka e de Beirute.

3 Responses so far.

  1. Anísa Araújo disse:

    Nossa pai… estou sem palavras para expressar todo o sentimento que esse texto possui e me transmitiu… é tão comovente e verdadeiro! Os meus olhos, minha alma e coração almeijam o dia em que a Nova Ordem Mundial se estabelecerá, para enfim termos a tão esperada Paz e todo o sofrimento será cessado. Os dias atuais são calamidosos, sim, porém com Fé as coisas melhorarão. Parabéns pelo belíssimo texto!
    Um grande abraço,
    de sua filha – Anísa

  2. Vera Betancourt disse:

    Tom, acabei de ler seu texto, ” Um outro mundo possivel… sera’ possivel ?”, e me deixou parada meditando sobre suas palavras, querendo dizer, escrever alguma coisa para compartilhar com voce seus sentimentos de amor , preocupacao, pai amororso mas amigo nao encontrei as ou a palavra certa, o que me veio na mente e coracao foi o desejo de estar ai junto a voce e abraca-lo com muito afeto e cantar cantigas de ninar para o seu coracao.
    Sau amiga Vera .

  3. paulo disse:

    …bgujhklfsdhgadklgknfdhgzsdvmxdfhklngklzdfxkgjk\zfg


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