Leonora na Academia de Letras da Bahia

Leonora na Academia de Letras da Bahia 01
Livro de Gabriel Marques traça apurado perfil biográfico dessa mulher singular

Leonora Armstrong (1895-1980) merecia já há algum tempo uma biografia que fizesse jus a sua singular trajetória. E isso aconteceu nos últimos meses, através dos esforços incansáveis do escritor Gabriel Marques, residente na Bahia há mais de 30 anos. Leonora chegou ao Brasil em princípios de 1921, vindo dos Estados Unidos a bordo do vapor SS Vasari, aportando no Rio de Janeiro em pleno período momesco. Era fevereiro e o Rio fervia. Ela, sozinha, contando pouco mais de 25 anos, ainda solteira e com bem pouco dinheiro, mesmo sem conseguir articular uma dúzia de frases em português empreendeu a grande aventura de sua vida. Depois, tudo virou história. Uma história de determinação e auto-sacrifício, de deprendimento e de altruísmo. Foi uma mãe amorosa para centenas de crianças órfãs na Bahia, foi olhos para um bom número de deficientes visuais ao traduzir para o braille diversos livros, foi uma benemérita aos deserdados e sofridos da terra que abraçou como sua segunda pátria, o Brasil.
Mas, o que levou Leonora a “avançar por mares nunca dantes navegados”? O seu amor a Deus e a humanidade. Um amor que lhe incendiara a imaginação quando ouviu ainda em 1921 a mensagem da unidade da humanidade. Esta era a mensagem da Fé Bahá´í, uma religião mundial contando menos de cem anos e nascida em maio de 1844 na antiga Pérsia, atual Irã. Como todo jovem, homem ou mulher, o idealismo terminava sendo seu maior combustível. E ela acreditava em algo que poderia mudar as feições da sociedade em que vivia. Demonstrava força de vontade e não era hesitante quando tinha que tomar ações para tornar realidade o que se agitava no intimo de seu ser.
A jovem Leonora decidiu mergulhar – de ponta – na visão de que poderíamos construir uma civilização imune ao bacilo da guerra, um mundo onde o homem e a mulher poderiam ser vistos como sendo asas de um mesmo pássaro e num mundo onde as religiões e crenças — longe de dividir a família humana — passariam a ser fonte perene de união e de progresso social e espiritual de todos, sem excessão. Depois vieram nada menos que seis décadas dedicadas inteiramente à materialização de seus ideais juvenis. Com o tempo, viajou por quase todos os estados do Brasil, concedeu centenas de entrevistas a jornais e emissoras de rádio, traduziu quase uma centena de livros para o português e também o espanhol, frequentou os salões da Sociedade Teosófica em várias capitais brasileiras, ocupou a tribuna de diversos congressos esperantistas. Era uma cidadã do mundo em constante mutação. Empreendeu difíceis viagens por muitos países latino-americanos, esteve na Europa, retornou ao seu país natal por brevíssimos períodos, mas foi aqui no Brasil que deitou suas raízes mais profundas. Tendo falecido na Bahia, em outubro de 1980, Leonora foi ainda o alvo de homenagem no Congresso Nacional do Brasil, durante as celebrações do centenário de falecimento do fundador da Fé Bahá´í, Bahá´u´lláh – nome que em árabe significa Glória de Deus, ocorrido em novembro de 1992. O nome de Leonora Armstrong foi concedido a diversos logradouros públicos de capitais e cidades de diversas regiões do Brasil, incluindo a Amazônia, o Sudeste, o Sul e o Nordeste, incluindo a cidade de Salvador, onde é nome de rua no bairro de São Cristóvão.
O livro “Leonora Armstrong – Memórias e Cartas” retrata com riqueza de detalhes as circunstancias de sua infância e juventude, a perda de sua mãe quando tinha apenas 7 anos de idade, apresenta as recordações da infância, as tragédias que se abateram sobre ela e sua unica irmã Alethe e os efeitos desse passamento prematuro sobre seu pai, passando estas duas pequenas crianças para os cuidados e atenção de sua avó materna. Relata seu primeiro contato com a Fé Bahá’í e de sua relação toda especial com a luminosa Figura de ´Abdu´l-Bahá (1844-1921), o exemplo perfeito dos ensinamentos bahá´ís. O livro é precioso, pois Gabriel Marques não mediu esforços para lançar luz sobre esta figura emblemática, pesquisou de forma incansável sua vasta correspondência, detalhou episódios que lhe marcaram os dias, suas atividade culturais e sociais e o próprio nascimento de uma religião mundial em nosso país, uma religião que ensinava a existência de um único Deus, uma única religião – transmitida à humanidade por etapas, de tempos em tempos – e uma única humanidade.
Um misto de diário, memórias e recordações de um mundo em contínua mutação, amplamente documentado e contendo muitas fotografias. Todo leitor amante da paz e ansioso pela construção de uma nova ordem mundial, certamente encontrará um lugar em sua estante para esta obra. Nela, Leonora é encontrada de corpo e alma e passeia livremente por centenas de páginas nas quais seus ideais e suas lições de vida formam um painel rico e vigoroso do que é possível realizar quando se abriga no coração um amor profundo pela nossa espécie, a espécie humana.

SERVIÇO

Local: ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA
Av. Joana Angélica, 198,Nazaré, Salvador/Bahia.
Tel. (71) 3321-4308
Data: 07.11.06 – Hora: 18 h.
Contatos: Lunaé Parracho – tel. (71) 8835-0919 – http://www.bahai.org.br

2 Responses so far.

  1. Carolina disse:

    Quisiera conseguir el libro de Leonora Asmstrong en Espanol o Ingles. Ojala me pueda ayudar con la informacion.
    Mil disculpas que no se portugues.

    Gracias

  2. Stanley Thompson disse:

    Vou estudar o portugues numas escolas de idiomas mais tarde deste ano com 3 semanhas cada um de SP, Rio, e Salvador talvez Maciao e mais de turismo, Octubre ou depois ate Dezembro ou Janiero??. Agora tratando que escoger escola de Barro ou de Pelorinho isto seria com quedar com a familia local. Tenho convite visitar o sede local Bahai de Nova Campinas SP, espero tambem reunir com os Bahais de Salvador aunque agora nao posso comprender muito de que esta falado.
    Allah-u-Abha


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