Balanço amoroso-sentimental da vida… para 2007

Balan o para 2007 

Pois bem, ano novo, vida nova. E tempo para se fazer um balanço amoroso-sentimental da vida. Alguns blogueiros me escrevem pedindo outras informações sobre currículo, experiência de vida. Foi então que escrevi este “breve” memorial: 

Tenho 47 anos, 4 filhos e 14 livros publicados. Os 4 filhos têm nomes que evocam histórias bastante diversificadas como a Arábia Saudita, com minha filha Anísa, de 17 anos, cujo nome significa “A Árvore da Vida”; a Terra Santa (Israel), com minha filha Jordana, 18 anos, cujo nome em hebraico significa “Aquela que desceu do céu”; o Reino Unido, com meu filho Thomas, 20 anos, que se encontra em um abrigo anti-bombas em Haifa (Israel) onde pretende escrever uma monografia sobre o conflito árabe-israelense e a pequena Lara, 8 anos, nome russo que evoca os tons suaves da balalaica e as estepes eslavas.   

Acredito que a vida tem apenas três grandes prazeres: amar, ler e viajar. Não necessariamente nessa ordem e destes três verbos, alguns intransitivos, tenho pautado minha vida. Amo minha esposa Ceres (Deusa da Terra, em grego) e amo meus amigos, leitores e ouvintes de rádios. Leio compulsivamente, acumulando cerca de três mil livros em minha biblioteca caseira, quase todos riscados, grifados, sublinhados. E viajei por 46 países tentando discernir a beleza do humano que existe entre todos os povos, contemplando pores do sol dos mais cinzentos, com o de Oslo ao mais enigmático como o de Nova Déli, passando pelo esplendoroso de Sevilha e Barcelona. Saboreando suas culinárias muito peculiares, e percorrendo cidades díspares onde a aventura maior era nada menos que a de se sentir perdido. A propósito, Havana, me pareceu uma ótima cidade para se perder. 

“Tudo o que é humano me interessa” poderia ser um dístico adequado à minha forma de vivenciar o mundo. “O que alarga a vida de uma pessoa, são os sonhos impossíveis” – esta frase de Clarice Lispector tenho procurado traduzir em minha vida e por vezes me sinto bem feliz em ter uma vida, vamos dizer, “alargada”. Amo tanto a língua portuguesa que às vezes me arrependo de ter aprendido o inglês e o espanhol, para poder sempre me deleitar com os sons da última flor do Lácio, em seu estado virgem, sem que a mente estivesse sempre fazendo, de forma autônoma traduções imperfeitas, uma vez que não captam os sentimentos mais profundos e íntimos. 

Graduei-me em jornalismo pois estou convencido que a imprensa é o espelho do mundo, só que, dotado de visão e fala. Dou aulas em curso de pós-graduação em Direito, em Brasília, e sou associado a um feixe bem sortido de instituições culturais e humanitárias, dentre as quais a Academia de Letras do Distrito Federal, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e por aí vai. 

Meus poetas preferidos são Fernando Pessoa (“Todo cais é uma saudade de pedra”), Castro Alves (“O lábio apaixonado é um lar em chamas”) e Drummond (“O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar…”) Também não necessariamente nessa ordem. 

Tenho poucas discordâncias com os poetas e pensadores que admiro. Por exemplo, discordo de Bloom quando credita a invenção do humano ao bardo Shakespeare. Ao contrário, penso que a invenção do humano cabe a Sófocles, com a trilogia tebana, com a doce Antígona invocando leis imemoriais para se opor ao autoritarismo de Creonte. 

Meus livros nasceram em partos normais, sem fórceps. E tratam de índios sul-americanos, índios meso-americanos, afro-descendentes, meninos de rua, paradigmas para uma Nova Ordem Mundial, migrantes, refugiados e a condição da mulher através dos tempos. O título que mais gosto é de um livro publicado apenas no México, pela UNAM, chamado “O esquecimento está cheio de memória”.   

Escrevo regularmente para o Jornal do Brasil abordando temas tão díspares quanto os desafios da Nanotecnologia, o desenvolvimento sustentável no século XXI, a reforma da ONU. E mais uma dúzia de jornais que vão do Tocantins ao Amazonas. 

Faço comentários em uma dúzia de rádios. Falas curtas de um a dois minutos diariamente que são reprisados quatro vezes diariamente em rádios como a Nacional FM do Rio de Janeiro, a Nacional FM de Brasília, a rádio MEC, a rádio Câmara. Os comentários tratam de direitos humanos, ética e cidadania. E também da questão da infância e da adolescência. 

Algo que um dia apreciei muito foi a satisfação de prefaciar livros. Hoje, me enfastia um bocado. Mas os que me deram grande prazer foi a tessitura dos prefácios para amigos muito queridos como Gabriel Marques (“Da Senzala à Unidade Racial”), Leonardo Boff (“Ética da Vida”), Rose Marie Muraro (“Textos da fogueira”). E me dá uma certa ponta de vaidade ter prefaciado o livro “História da Cidade do Natal”, do eminente Luís da Câmara Cascudo. 

Em contraponto, muito me alegrou ter sido prefaciado por Frei Betto, Moacyr Scliar, Affonson Romano e… Koffi Anan, das Nações Unidas. 

Participo muito de conferências em Santiago do Chile, Landegg na Suíça, Havana, Frankfurt e Guadalajara. Sou consultor de mídia e direitos humanos de uma penca de instituições e ombudsman da DHNet. 

Faço duas coleções, como hobbies. A principal é a coleção que fiz e continuo fazendo ao longo destes 47 anos que a coleção de amigos sinceros, ternos, leais. Nada de filatelia, nada de automodelismo, nada de souvenirs. A segunda coleção é de esculturas de águias. As aprecio por sua visão arguta e extensa sobre o horizonte… e o futuro. Tenho águias mexicanas e egípcias, peruanas e cubanas, norte-americanas e parisienses. E uma imensa talhada em madeira especial, vinda da Malásia, com todos os cuidados pertinentes. Assim como amigos antigos como Venus Pezeshk, Fabio Gois, Carlos Michilis, Sam Hadji, Neusa Cardoso, Jorge Guerreiro, Moacyr Scliar, Affonso Romano de Sant´Anna, Hermógenes, Eugênio Bucci, Iradj Roberto, Frei Betto, Leonardo Boff… E amigos recentes que têm tudo para se tornarem Grandes Amigos, como Consuelo Pondé de Senna e Edivaldo Boaventura, ambos baianos de excelente safra! 

Para resumir tudo, poderia afirmar sem chances de errar, que me sinto um cidadão do mundo em construção.

8 Responses so far.

  1. zelerias disse:

    Continuação de bom trabalho.

    Desejo-lhe um ano de saúde e muitos contentamentos.

  2. Neli Faria disse:

    Pois eu não faria nem um por cento do que vc fez.Cansaria-me!

  3. Márcia disse:

    Vou agora mesmo, a consolidar un acto de cidadania….Sonhar com um mundo melhor, é bom, poder realizar deve ser meravilhoso!.

    Marcia Lu.

  4. Chegar à conclusão de que se está sempre em construção, sob o ponto de vista humano é um enormíssimo avanço. Parabéns!
    Arlindo de Sousa

  5. Renê Couto disse:

    Puxa…
    Você não faz idéia da saudade e do carinho que tenho por você tio Tom!

    Espero que continue crescendo espiritualmente, intelectualmente e materialmente durante essas muitas décadas que ainda tem de viver. E leve sua família, amigos e “sobrinhos” juntos com você.

    Amo muito você e sua família.

  6. Foto de propaganda anti-baha’i no Irã:
    http://www.iranian.com/PhotoDay/2007/January/bahai1.html

    Os baha’is iranianos têm de viver diariamente com este tipos de ameças e insultos.

  7. Ana Nélo disse:

    Tom,
    Li o teu Balanço de vida e verifiquei que o teu Patrimônio Líquido – PL, [técnicamente é o valor da Empresa] eu como avaliadora de Empresas diria que é um goodwill difícil de atribuir valores, posto que seu PL reflete grandes emoções e a lógica matemática não tem técnicas (no atual estágio da arte) para medir emoções, até por que elas não são resolvidas pela razão ou pela lógica. As emoções apenas são sentidas e nunca resolvidas ou explicadas pela razão, por isto elas são dissolvidas.

    Eu sempre admirei a tua dinâmica do teu SER, seus objetivos são bem traçados e as metas atingidas, isto também reflete a firmeza pessoal e individual. Aproveito o momento para parabenizar-lhe por ministrar aulas para: Os Máximas Data Vênia, visto que é um grupo muito fechado. Significa dizer que tens muitos méritos.

    Querido Tom, quando optei pela carreira de magistério foi por descobrir em mim mesma a capacidade de transformação do SER, colocar brilho nos olhos dos alunos é um fenômeno inexplicável. Ao entrar numa sala, parece-me que só há os alunos, o conhecimento e as discussões comuns a sala de aula. Eu sempre digo que a aula é tão transcendental que eu consigo eliminar o mundo. Neste momento só existe, eu os alunos e a busca do conhecimento. Quando encontro um aluno interessado considero que encontrei uma multidão.

    Querido, não posso me furtar de comentar as perguntas mais corriqueiras que são repetidas para uma pessoa da área de business. Tal questão é nacionalmente aceita (isto porque já ministrei cursos em todas as regiões brasileiras). Professora a Sra trabalha ou apenas ministra aulas? Nem sei dizer-te quantas vezes já ouvi esta pergunta. Lembro apenas da última resposta: Não ministrar aulas não é trabalho é hobby. A sociedade em seu atual estágio ainda não percebeu a importância do Professor tampouco da pesquisa, aí que não representa trabalho.

    Veja o atual paradigma de mundo é que alguém só trabalha se estiver dentro de uma empresa mesmo em momentos de indisposição e fadigas, apenas cumprindo tabela: Chegar o momento Bater o Ponto no passado e hoje voltamos a posição dos analfabetos, passar a impressão digital.

    Ninguém pergunta o que significa ficar uma noite inteira fazendo uma modelagem empresarial para servir a gerência empresarial futuro e quiçá os gestores/Empreendedores estamos formando para uma sociedade que não sabemos qual vai ser o seu modelo econômico, posto que os que se praticam hoje não satisfazem ou não atendem a nossa necessidade econômica principalmente nos países emergentes. E ainda mais, um país só cresce com P & D [Produto & Desenvolvimento].

    Mas sou feliz com o que faço: Pesquisa e ensino, estas observações são conclusões extraídas da minha experiência de ministrar aulas, palestras e pesquisas de Norte a Sul do continente Brasil. E por que não sabemos como será o paradigma de mundo nos próximos 5 a 10/anos. Por exemplo: até quando teremos uma sociedade empreguista? Não somos tão antigos não é Tom… mas no nosso tempo, uma enciclopédia resolvia todos os nossos problemas de pesquisa… hoje trocamos informações por internet, recebemos malas direta, panfletos nos semáforos… Isto é, a informação chega às pessoas não se faz necessário correr atrás delas. Mas, surgiu um outro problema, você sabe ler, selecionar e usar as informações?
    TOM QUERIDO ESTA FOI A ÚNICA E SIMPLES CONTRIBUIÇÃO DURANTE OS DOIS ÚLTIMOS ANOS. Se não mudei consciência pude pelo menos passar inquietações e/ou nos espíritos adormecidos.

    O meu tempo que não é dedicado a pesquisa acompanho meus pais para tratamentos médicos, decorrentes de suas fragilidades de saúde, hoje os dois precisam muito de orações. Uma outra conclusão que percebo é que uma das minhas missões é a de servir, quer seja, no meio familiar ou mesmo no meio acadêmico. Quanto mais estudo, não é para mim, mas para transferir aos outros… Dentre tantas missões a que tenho mais dificuldade de enfrentar são as hospitalares, posso ser professora, jamais uma médica.

    2006 foi um ano inteiramente dedicado aos serviços aqui mencionados acrescentando-se a isto a elaboração da “Terra do sem fim”: Tese consegui escrever aproximadamente 75%, ainda não consegui julgar se foi um ano de grandes produtividades, mas difícil de ser conduzido.

    Tom ao mencionares que gostaria de falar apenas a língua portuguesa, eu gostaria de dominar idiomas mais completos para melhorar o repertório dos meus textos. Português como menciona a nossa Amada Clarice não está pronto e assim mesmo eu considero um idioma difícil, tanto assim o é, que ESPERO UM DIA FALAR PORTUGUÊS FLUENTEMENTE.

    Tom ao rever teus livros diletos são comuns as minhas leituras: como Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Frei Beto, Leonardo Boff, e outros, por exemplo Fernando Sabino, ria sem parar quando li o Grande Mentecapto, ele deu uma volta no mundo inteiro, este mundo era apenas Minas Gerais.

    Mas, sempre li Frei Beto, os textos deles são claros, objetivos e coesos, além disto, como gosto de exagerar nos elogios com certo nível de humor: Frei Beto escreve tão bem “que é uma falta de Educação”.

    Quisera eu, em meu segundo grau ter a oportunidade de ler livros como os dele. Naquela época, só líamos o que era permitido pelo regime governamental.Entretanto eu gostaria de nunca tê-lo conhecido, pois assim guardaria na parede da minha memória as lembranças de um escritor que refletisse na sua pessoa o que repassa em seus textos, deste modo teria apenas a lembrança do “Grande Escritor”.

    Fiquei deveras decepcionada quando fui comprar um livro dele e na ocasião ele estava autografando [praça Benedito Calixto/Jardim América:SP]. Ele frustrou-me por que a forma que se expressou foi de uma maneira, que particularmente considerei estúpida. Ás vezes não é bom compararmos as pessoas nas suas ausências, para não nos tornamos injustas ou amargas.

    Uma semana antes deste autógrafo do Frei Beto fui para o Lançamento do Livro Estação Carandiru do Draúzio Varella, além de ter pouco entrosamento com os textos deste autor, ele foi de um carisma, de uma atenção inexplicável. O dr. Draúzio foi educado ou melhor um gentleman. Enquanto Frei Beto [eu já conhecia os textos] o resultado foi frustrante…
    Sabes Tom nem sempre é bom encontrarmos pessoas tão carismáticas como o Dr. Drauzio, o efeito que incorporamos involuntariamente passamos a comparar com outros, na ate também é assim: quanto assistir ao bom espetáculo do ballet Kirov, considerei a perfeição da arte na terra. Todavia, isto nos conduz inconsciente mente a comparar e perceber mais defeitos nos indelicados e apenas perdoar o armador.

    Esta é uma opinião formada no balanço de Janeiro de 2005 a dezembro de 2007. hoje eu lembrava que entre maio de 2004 e março 2005, tivemos 7 acidentes familiares, dentre estes duas fatalidades… Demais tempo dedico a cuidar do meu pai e a conclusão da pesquisa… Por favor Tom faças orações, preciso muito delas, inclua-me, pois preciso recarregar minhas baterias (força espiritual) para enfrentar tantas adversidades.

    Querido deixei de dizer-te, assim mesmo eu sou feliz, por que na profissão que escolhi eu faço o que gosto. Apesar de tudo isto, estou enfrentando com leveza e, portanto estou feliz, não pelos fatos arrolados, mas pela serenidade que consigo manter nas situações adversas, mas ainda assim… se alguém toca ou tenta ferir meus direitos ou não respeitar os meus direitos de Cidania, podes acreditar viro uma Arara: Literalmente. Gostaria de ter serenidade….

    Na Santa Luta da vida eu não quero párar, rever sempre o conceito de eqüidade. a única coisa que tenho certeza, faço estes trabalhos por que sempre acho pouco que realizo.
    Um grande Abraço
    Ana

  8. Ana Nélo disse:

    Possivelmente eu não deveria mencionar a forma que Frei Beto se comportou ou não causou-me uma impreessão agradável como pessoa. Fazermos comparações pode nos tornar uma pessoa injusta. Assim prefiro, que os leitores do Blog desprezem o meu comentário.

    Basta ficar em nossa memória o Grande Escritor que ele é. Textos esclarecedores e educativos que é a SUA MAIOR QUALIDADE.

    CADA PESSOA PERCORRE CAMINHOS TORTUOSOS DIFERENTES. E quem passa por exílios e injustiça pode tornar-se irreverente (eu sou um exemplo disto)

    Desculpe Tom pelo desbafo anterior, mas de acordo com as nossas crenças devemos ressaltar qualidades. Vamos sempre lembrar do Frei Beto como o GRANDE ESCRITOR, CUJOS TEXTOS ESCLARECE MILHÕES DE PESSOAS.


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