Sinal fechadoUma criança de seus 9 anos me estende a mão enquanto estou parado no sinal de trânsito. Um aperto no coração. De que valerá lhe dar uma ou duas moedas de R$ 1,00 – penso com meus botões. Aqueles olhos negros mexem comigo. E volto a me perguntar: Porque temos um mundo em que as crianças se arriscam entre os carros pedindo uma ou duas moedas? Coro de vergonha. Baixo a cabeça. Instintivamente busco as moedas, repasso àquelas mãos infantís e já com alguns calos na palma da mão. Consigo sentir que não resolvo, nem de longe, o tal problema social do Brasil e da maior parte da população mundial. O sinal abre, o verde me faz arrancar. Mas os olhos negros daquela menina parecem me mostrar um outro sinal de trânsito. Aquele que sinaliza para a dignidade humana. Aqueles olhos negros parecem fechados para o futuro? Quantas vezes nossos caminhos se cruzaram outras vezes? Duas, cinco, vinte e seis vezes? Não sei. Mas algo em mim se sente machucado. É que a dor da condição humana lateja qual furúnculo. Sei que esta atual Ordem Mundial está mais para uma enorme Desordem Mundial, uma desordem que não tem como se ordenar, pois suas estruturas estão lamentavelmente defeituosas. A desordem mundial tem esse belos olhos negros infantis vagando entre os carros. Para a dona dos olhos, o sinal estará sempre fechado. E assume a cor vermelho carmesim.


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