Ameaças que vêm do Irã


 
AMEACAS QUE VEM DO IRAN

             Não é de hoje que o Irã vem violando de forma sistemática e de caso pensado os direitos humanos de sua maior minoria religiosa, a dos 350 mil bahá´ís residentes no país. Na verdade, desde o seu surgimento, quando o Irã ainda era chamado pelo nome Pérsia nos livros de geografia que os bahá´ís servem como bode expiatório para todo e qualquer problema interno seu. O assassinato de 20.000 bahá´ís em meados do século XIX, o trucidamento de outros tantos no século passado, as constantes prisões e confisco de propriedades, de seus lugares sagrados no Irã, tem sido não uma exceção, mas sim, uma regra seguida pelos sucessivos governantes. A motivação para essa crônica escalada de violência também não se altera com o passar dos anos e das décadas: o fanatismo e a intolerância religiosa.

            Sem precisar irmos muito longe no tempo, basta pesquisarmos na internet ou nos arquivos de jornais ou nas súmulas de organismos internacionais que tratam dos direitos humanos para constatarmos que desde 1979, com o estabelecimento da República Islâmica do Irã, pelo aiatolá Khomeini, os bahá´ís iranianos continuam sendo alvo prioritário de  contínua e sistemática perseguição. Já no início dos anos de 1980, mais de 200 bahá’ís foram assassinados, centenas foram presos e milhares foram privados de seus empregos e outros tantos tiveram suas aposentadorias suspensas sumariamente. Como pano de fundo, os  lugares sagrados bahá´ís foram  e continuam sendo profanados e confiscados pelo governo. Suas instituições religiosas foram varridas do mapa, uma vez que aos bahá´ís não foram concedidos direitos constitucionais na nova república que surgia.

            Durante o ano de 2006, grupos internacionais de direitos humanos expressaram sua preocupação com relação aos esforços do governo iraniano de aumentarem secretamente a identificação dos bahá’ís e o monitoramento de suas atividades. Neste ano, já em janeiro, pelo menos 94 estudantes em idade universitária foram expulsos das instituições de educação superior onde estudavam, em comparação com 70 casos registrados em fevereiro de 2006. Mas, a história não pára por aí. Agora, neste mês de abril de 2007, mais de 120 bahá’ís encontram-se sob fiança, aguardando julgamento sob falsas acusações, acusados unicamente por sua crença e por suas atividades religiosas.

            Enquanto o mundo vê com preocupação a notícia recém-divulgada pelo presidente Ahmadnizhad de que operam no país 3.000 centrífugas de enriquecimento de urânio – portanto, o país encontra-se bem próximo de dominar a tecnologia nuclear, existe uma outra bomba em gestação. Refiro-me às crianças e aos jovens estudantes bahá´ís que nops últimos dias passaram a ser alvo prioritário da nova esclada de violação de direitos humanos dos bahá´ís naquele país. A verdade que vem à tona dá conta  que estes membros tão jovens da comunidade bahá´í, estão sofrendo crescente discriminação, vilipêndio e abuso em escolas primárias e secundárias em todo o Irã, de acordo relatórios recentes vindos daquele país. Durante um período de 30 dias, de meados de janeiro a meados de fevereiro de 2007, nada menos de 150 incidentes que iucluem insultos, maus-tratos e até violência física de parte de autoridades escolares contra os estudantes bahá’ís foram relatados em pelo menos 10 cidades iranianas. São relatados casos em que uma criança é vendada e surrada diante de seus colegas de sala, outra é obrigada a ouvir insultos às suas crenças feitos por seus próprios professores e diretores escolares.

É certo que novas resoluções serão, certamente, votadas nas Nações Unidas, novos documentos serão elaborados por sua atuante Comissão de Direitos Humanos e novos alertas e manifestos serão divulgados pela Anistia Internacional, pela Comunidade Econômica Européia ou pela America Watch. É certo também, como dois e dois são quatro, que neste mesmo momento em que digito este texto, centenas de crianças e jovens poderão estar sendo vítimas de tratamentos que degradam e violentam a condição humana.

Um crime de lesa humanidade está em curso no Irã. É preciso que as vozes da justiça e das liberdades fundamentais da pessoa humana se façam ouvir em todos os ambientes, nas redações da mídia, nos ambientes educacionais, nos fóruns consultivos das organizações não-governamentais e nas instituições que trabalham por um mundo onde a Declaração Universal dos Direitos Humanos deixe de ser uma bela carta de boas intenções para ser uma trilha firme onde nossos pés possam caminhar em busca de um novo mundo, de paz e unidade do gênero humano.

O que me preocupa não é tanto o clamor dos malfeitores, mas antes, o silêncio dos bons.


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