O esquecimento está cheio de memória

 

O esquecimento esta cheio de memoriaLutar pelas causas indígenas, pelo respeito à sua cultura, tradições, línguas e por seu direito à terra são algumas bandeiras empunhadas por todas as pessoas de boa vontade que tem um pouquinho de conhecimento de nossa história que chega a pouco mais de cinco séculos. Nos inícios dos anos 90 escrevi um livro resgatando a visão dos índios sobre o que chamamos de descobrimento da América. Afirmava, com boa fundamentação, creio, que na verdade ocorrera um encobrimento da América, de seus povos originários, das culturas aqui encontradas pelo homem branco, europeu. Em fins dos anos 90, fui ao México lançar outro livro sobre o tema. Chamaou-se “O esquecimento está cheio de memória” e abordava a história pré-colombiana do México, tratando do destino dado aos maias, astecas, toltecas e dezenas de outras etnias indígenas. Agora, leio na Agência espanhola de notícias, Efe, que o  teólogo Leonardo Boff considerou as recentes declarações do papa Bento XVI sobre a evangelização na América Latina como “um insulto aos indígenas” e que estas demonstravam, a seu ver, um claro desconhecimento do Pontífice em relação à história da região. O pronunciamento de Bento XVI ocorreu logo após o Pontífice ter sido criticado por alguns dirigentes políticos da América Latina ao afirmar durante sua viagem ao Brasil, no início deste mês, que a Evangelização da América “não levou a uma alienação das culturas pré-colombianas nem foi uma imposição de uma cultura estranha”. Infelizmente a história fica a favor de Boff. O mínimo que podemos dizer é que a evangelização da América foi a ferro e a fogo. O resultado catastrófico, um genocídio de milhões de seres humanos, em nome de uma pretensa fé mais verdadeira que a que eles tinham. Voltaremos ao assunto.

One Response so far.

  1. xXxedsonXxX disse:

    eu adorei essas imagens por favor mandem ++ pra site


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