Minha p tria   a l ngua portuguesa 

E a língua pátria? O que temos feito com o português em nosso cotidiano? Transitar pelas ruas de qualquer cidade brasileira é um ostensivo convite a ver o domínio de outros idiomas nos grandes out-doors, nas placas luminosas, nas faixas que enfeiam as cidades. No caso do Brasil, o inglês está nas vitrines das lojas, no nome das organizações não-governamentais, no título dos livros. Liquidação de estoque é “sales”, descontos em um produto é “off”, apagar um texto digitado no computador é “deletar”, copiar um documento ou uma imagem é “escanear”. E até o ratinho que nos ajuda a usar o computador é o prosaico “mouse”, correio eletrônico é o “e-mail“. Isso sem falar que a expressão afirmativa de que deu tudo certo ou está dando certo é o sinal de “okay”. Ver uma notícia ao vivo na televisão ou na Internet é sempre se deparar com o “live” e fazer um contato em tempo real significa estar “on line”, ligado na hora. Não posso esquecer um dos grandes poetas de todos os tempos, o poeta português Fernando Pessoa, o mesmo que disse que “todo cais é uma saudade de pedra”, disse também: “minha pátria é a língua portuguesa”. Nada contra adquirir o domínio, o manejo, o uso de outros idiomas, mas que se há de preservar a beleza da língua materna é uma questão de identidade que não podemos relegar a um segundo plano.

11 Responses so far.

  1. André Halo disse:

    Ótima lembrança! O cuidado com a lingua pátria é um exercício diário. Na verdade é mais que isso, nos tempos atuais é uma ação ativista. Abramos uma ong que se intitule “Green Piece & Yellow Language.

  2. André Halo disse:

    Cara, que história é essa de café meio aguado? Não precisa tripudiar! Passe lá de vez em quando, eu tenho adicionado mais pó! ; )
    Abs

  3. c valente disse:

    Agora é preciso saber falar bem ingles, a lingua portuguesa pode ser mal tratada por politicos, jornalismo, enfim nos audiovisuais

  4. Rita disse:

    Na verdade não temos cuidado bem da língua portuguesa.
    Estou num mestrado onde a língua predominante é a portuguesa, mas a valorizada é a inglesa.
    Poderíamos pensar que o facto da inglesa ser a “universal” seja a mais valorizada ou por ter mais artigos cientifícos de referencia publicados em lingua inglesa. Mas a verdade é que se basearmos num texto em inglês de autores de qualquer país, salvo o Brasil, temos classificações boas, mesmo que na área pesquisada os autores de referencias sejam mesmo os brasileiros.

  5. Dr. Azágua disse:

    “Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, “Fabricou Salomão um palacio…” E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes – tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é – não – a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d’aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
    Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
    Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

    Texto publicado originariamente em “Descobrimento”, revista de Cultura n.º 3, 1931, pp. 409-410, transcrito do “Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), numa recolha de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha; ed. de Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Ática, 1982 vol. I, p. 16-17. Respeitou-se a ortografia da época de Fernando Pessoa.

  6. Dr. Azágua disse:

    A RITA tem razão. O Inglês está no céu, na terra e no fundo do mar… E, a língua pátria? O que temos feito com o português em nosso cotidiano? Transitar pelas ruas de qualquer cidade brasileira é um ostensivo convite a ver o domínio de outros idiomas nos grandes out-doors, nas placas luminosas, nas faixas que enfeiam as cidades. No caso do Brasil, o inglês está nas vitrines das lojas, no nome das organizações não-governamentais, no título dos livros. Liquidação de estoque é “sales”, descontos em um produto é “off”, apagar um texto digitado no computador é “deletar”, copiar um documento ou uma imagem é “escanear”. E até o ratinho que nos ajuda a usar o computador é o prosaico “mouse”, correio eletrônico é o “e-mail“. Isso sem falar que a expressão afirmativa de que deu tudo certo ou está dando certo é o sinal de “okay”. Ver uma notícia ao vivo na televisão ou na Internet é sempre se deparar com o “live” e fazer um contato em tempo real significa estar “on line”, ligado na hora. Não posso esquecer um dos grandes poetas de todos os tempos, o poeta português Fernando Pessoa, o mesmo que disse que “todo cais é uma saudade de pedra”, disse também: “minha pátria é a língua portuguesa”. Nada contra adquirir o domínio, o manejo, o uso de outros idiomas, mas que se há de preservar a beleza da língua materna é uma questão de identidade que não podemos relegar a um segundo plano.

  7. ??? disse:

    Coll

  8. ??? disse:

    Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, “Fabricou Salomão um palacio…” E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes – tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é – não – a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d’aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
    Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
    Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha

  9. ??? disse:

    Boa
    meu

  10. ernesto de oliveira disse:

    Eu gostaria de parabenizar pela ilustre atitude do green piece por ter tomado a decisão de transportar uma grande árvore pelas capitais do nosso país, isso já deveria ter cido feito à muitíssimo tempo em nosso país. muitas pessoas, não vão ter esta oportunidade de conhecer um enorme Jequitibá, ou mesmo uma árvore milenar, a falta de respeito dos madereiros de nosso país, em não ter preservado uma árvore em cada cidade, como é o caso em Maringá Pr. que contém, hoje três mil e quinhentos metros quadrados de mata nativa. Seria, um cartão postal hoje em nossa belíssima, cidade. abraços netinho Maringá Pr.

  11. Washington, concordo com você que outras línguas tem tomado conta de muitos espaços. Mas o pior não é isso. E sim o descaso com a nossa Língua Portuguesa. Em meu blog, iniciei uma série com erros em placas, painéis, muros pintados na minha cidade. E confesso: que vergonha! Passa lá pra você dar uma olhadinha! Tem até placas de trânsito! São coisas inexplicáveis!!!
    Sou professora de Informática, tenho que usar muitas palavras em inglês, mas sempre traduzo! Meus alunos, na maioria, já chamam o “mouse” de ratinho! Defendo a minha língua mãe! Amo demais a Língua Portuguesa. Este ano me formarei em Jornalismo, e no ano que vem já terei minha licenciatura plena em Língua Portuguesa. Quero passar essa minha paixão a outras pessoas!
    Um abraço!


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