O elo mais fraco

Não faz muito tempo fui chamado à Escola onde estudam meus filhos, aqui em Brasília, para ouvir do professor de uma de minhas filhas que suas notas estavam abaixo da média. Claro que fiquei preocupado, afinal, esse é o começo para que o aluno se assim continuar, venha a repetir o ano escolar. O professor de Química me falava, de professor para pai, que minha filha era bastante inteligente, tinha um caráter ótimo e que precisava apenas se concentrar mais nos estudos. Perguntei: “E como vai o resto da turma?” Ele me respondeu que 70% ia muito bem, com notas de 7 a 10, em média. Perguntei novamente: “E como o senhor considera o aprendizado de toda a turma?” Ele me respondeu: “A turma vai muito bem”. Disse-lhe então que ele poderia considerar aquela turma como se os alunos fossem elos de uma mesma corrente e que para que a corrente não se rompesse haveria que dedicar mais tempo e atenção aos elos mais fracos. Afinal, é o elo mais fraco que rompe a corrente. Ele pareceu-me comovido e me disse: “O senhor tem razão. Enquanto um aluno da turma não estiver indo bem nos estudos, não é justo que eu afirme que a turma vai muito bem…” Ficamos amigos desde então, em casa conversei com minha filha e hoje, quando ela ingressa na Faculdade de Direito, vejo que aquela história do elo mais fraco da corrente foi bastante útil, muito adequada e que terminou melhorando o aprendizado daquela turma.

4 Responses so far.

  1. André Halo disse:

    Washington,

    Fico muito feliz em saber que sua filha está ingressando ao curso de direito. Você falou sobre um olhar mais atento ao elo mais fraco, muito bom. Contudo, o que mais me chamou a atenção em seu texto foi a pequena menção sobre o caráter. Você falou sobre a avaliação de caráter feita pelo professor e a minha opinião não é diferente da dele. O curso de direito, os cursos todos, as faculdades, enfim, que estão para formar os nossos futuros profisssionais, têm que ter como prioridade o olhar sobre a formação deste caráter: ético. Este, me parece, é o elo mais fraco de nossa educação nos dias de hoje.
    Minha mulher e eu estamos esperando o nosso primeiro filho, a Júlia. Espero que quando ela crescer possa desfrutar destes ensinamentos não apenas dentro de casa, talvez encontrar os reflexos disso em uma futura advogada muito amável que mora lá na minha rua.

    Um grande abraço.

  2. Ceres disse:

    André HALO,

    Gostei do seu comentário acima e agradeço como mãe. Aguardamos a chegada da florzinha Júlia, nesta primavera que se aproxima. Conte conosco aqui, advogados, jornalistas, letrados e acima de tudo, amigos – para ajudar nos cuidados desta, que é muito bem-vinda, netinha dos queridos: Dorinha e Adilon. Que Júlia desabroche logo e possa espargir o seu perfume na rua, na cidade e por onde andar, neste mundão de meu Deus!

  3. Glória disse:

    Muito pertinente a sua colocação para o professor de sua filha e muito interessante o professor tê-lo ouvido e levado em conta a sua opinião. Deduzo que deve ser uma escola particular, porque na escola pública, os pais não são ouvidos, o que provoca, entre outras causas, a evasão de nossas crianças empobrecidas que, em sua maioria, não terminam nem o Ensino fundamental.

  4. Elaine disse:

    Muito interessante a história, pois é muito importante quando há o diálogo entre os pais e a escola independente do problema em questão.


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