11 setembroSeis anos em que nossos olhos foram seqüestrados para as torres gêmeas de New York. Lembro que estava no Senado Federal e que uma secretaria me alertou para o que estava sendo transmitido nos plantões jornalísticos das emissoras de televisão. Passava das 9h30m daquela manhã, exatamente seis anos atrás. Ver os aviões de chocando contra as megaestruturas de ferro, cimento, tijolos e vidros foi como estivesse dentro de um estúdio de cinema e uma superprodução do antes chamado cinema-catástrofe se desenrolasse, ali, ante meus olhos. Tinha na boca um gosto amargo de quem nutria as melhores esperanças para o novo século, o aguardado alvorecer do terceiro milênio. Mas não. Nos últimos seis anos testemunhamos horrores há muito guardados em uma espécie de caixa de Pandora de nossa historia coletiva. Dela saíram uma dúzia de novas tragédias, igualmente coletivas, em Londres e em Madri e o restante do mundo viu pela primeira vez que a segurança publica não tem fronteiras, sejam elas quais forem. O bem maior a ser protegido é e sempre será a tranqüilidade, a segurança, o bem-estar da humanidade. A mídia daquele onze de setembro mostrou seus limites, revelou fraquezas e inaugurou um novo tipo de jornalismo, aquele chamado ‘showrnalismo’, e as imagens de aviões e torres foram exaustivamente repetidas a cada minuto, a cada hora, a cada meio dia, a cada anoitecer. Da mesma caixa de Pandora do século XXI uma guerra conseguiu escapar, se alojou às margens do rio Tigre, em Bagdá e depois… Depois? Milhares de mortos. Afinal o que são as guerras senão fábricas de cemitérios? Milhões de paginas foram escritas em jornais, revistas, sites e blogs na internet. Livros e filmes não deixaram o assunto de lado e, mesmo hoje, seis anos depois. Há sempre um novo livro sobre os acontecimentos do 11 de setembro. E um novo filme, documentário pensando adicionar luz sobre a data. O que não se percebe é que falhamos em construir um mundo justo, falhamos em ter apreço pela rica diversidade humana, falhamos em compreender algo tão real quanto palpável que é o sentimento de pertencimento a uma única espécie, a espécie humana. E isso já começou a nos custar caro, muito caro. O preço aqui não se refere a valores monetários, a dólares ou libras, a ienes ou reais. O preço aqui ultrapassa o mundo das cifras. É aquilo que não se pode mensurar – o preço e a extensão da vida humana, o futuro que se interrompeu e nos deixou nauseados com nossa própria incompetência em captar o significado desta sentença: a Terra é um só país… e os seres humanos… seus cidadãos. 


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