As horas subtraídas

Todas as horas subtra das24 horas e nem um minuto a mais. São assim os dias: não tem prorrogação, não importam as leis que desejem regular este e aquele tempo, de 24 horas o dia não passa. E estamos no horário de verão. Uma hora foi antecipada e durante vários meses sentirei falta dessa hora a cada manhã: o dia estará um pouco mais escuro e pareço estar sonâmbulo, quando na verdade já estarei embarcado no carro. É que uma hora faz muita diferença. É o aberto dirão uns. É o costume falarão outros. Mas estarão sempre dizendo a mesma coisa: meus olhos sabem discernir a diferença de uma hora a mais ou a menos, afinal foram longos anos de aprendizagem para que o corpo soubesse exatamente que falta uma hora faz no meu dia a dia. É por isso que não gosto de horário de verão. Esse horário me faz lembrar que todo dia uma hora me foi subtraída. E não adianta me ficar recitando números da economia que esse funesto período irá propiciar. Será uma hora que não vivi e não falo isso como se estivesse vítima de uma ilusão do tempo. Um dia vou querer todas as minhas horas de volta e talvez somando tudo, ano após ano, mês após mês, talvez até consiga ganhar um semestre inteiro… a mais de vida. Por enquanto é ter que engolir a hora surrupiada e fazer de conta que está tudo bem. Mas não está. O dia ainda está claro e a rádio não cansa de anunciar que já é noite. Existem coisas que não deveriam mudar, nem por decreto, o que, aliás, é o caso. Bem, estou precisando urgentemente de um relógio que ande pra trás. Fazer o quê?


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