Colocando na cota de Deus

Colocando na cota de Deus E de repente descobrimos que mesmo os sentimentos, eles também são mutáveis. Quem não se lembra de perdidas amizades, das perdidas emoções? Fica então uma cortina de memórias, umas com maior nitidez, outras destinadas à próxima reciclagem emocional. Foi assim que me lembrei de alguém dizendo que de tanto o seu coração bater, o mesmo havia parado. Era algo mais ou menos assim ou pelo menos essa era a idéia: o coração batia tanto que terminava parando. E então chega um momento na vida em que tudo passa pela avaliação. O que valeu a pena e o que não. Por exemplo, o tempo que se investiu com isso e aquilo, teria valido a pena? Mas também tem todo um futuro logo ali à frente. E há que se ter em conta que nem tudo estava unicamente dependente de nossa vontade. Há uma boa margem de coisas que acontece sem nos darmos conta. E tudo porque quis falar desse sentimento de vazio deixado por quem deixou de ser amigo e até a recordação traz consigo o chamado urgente da presença. Às vezes queremos reconstruir as pontes, mas esquecemos que existem momentos em que nada há mais que possa ser refeito, reerguido, reposto. Há um tempo para tudo e em algumas situações o tempo de refazer já passou e o pior, não se pode jogar fora o que se recusa a ser jogado fora. (Ainda bem que escrevi a frase anterior senão quem haveria de entender o que tento explicar?) É triste ver que o socorro chegou minutos depois quando nada mais se podia fazer. Isso acontece com certas amizades. Infelizmente. Mas como estava na epígrafe de um livro que li muitos anos atrás: “Se Deus quisesse tudo teria sido diferente”. Bem cômodo colocar na cota de Deus as decisões que nós, humanos, tomamos.

One Response so far.

  1. Analy disse:

    Parabéns…este seu texto tem um quê de quietude e outro maior de inquietação, eu adorei, é simples e ao mesmo tempo complexo, é o tipo de “coisa” para se ler numa segunda-feira e pensar, seja bem vinda, vida.


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