Holden Caulfield

Holden CaulfieldPense em alguém que falava o que pensava. Holden Caulfield. E pensava mais do que falava. Talvez por isso tenha sido um personagem genial trazido à existência por Jerome David Salinger! É difícil colocar uma exclamação no lugar certo, mas essa saiu assim mesmo, a frase queria exclamar de qualquer jeito. Pois bem Holden sabia bem a diferença entre o que pensava e o que dizia. E também não fazia pouco caso desse seu, digamos, conhecimento. Reler o apanhador no campo de centeio – e coloco assim no meio da frase, pois não conheço outro apanhador – é reencontrar o sabor dos humanos que são gestados em nosso pensamento mais profundo. Holden pareceu-me ser assim. Foi gerado sem grandes confusões, sem maiores problemas e fez muitas gerações rever a vida e seus signos, a vida e seus limites, a vida e o tudo e o nada. Poucos personagens têm me dito tanto quanto esse pirralho de nome Holden. É que de certa forma temos uma parte da gente que atende por esse nome: Holden Caulfield. É aquele ser sincero que fica irritado quando deixamos de falar o que falamos, ou melhor, deixamos de ser quem somos e nos aventuramos a copiar quem gostaríamos de ser. Mas então há que se lembrar da carta de Berna, do ano de 1942: “Se tiver que copiar alguém, copie a você mesmo… somos preciosos demais para copiar os outros… o único dever que temos é com a gente mesmo…” Salinger deve ter pensado em Berna, 1942, quando apresentou ao mundo o seu Holden. E então não me surpreendo quando lanço mão do surrado livro, de leituras que me acompanham desde os 17 ou 18 anos de vida e em certos momentos ter que me controlar, pois que senão o acesso de riso pode denunciar a loucura de que padeço.

One Response so far.

  1. Anita disse:

    Além de ” Admirável mundo novo” de Aldous Huxley esse é de fato um livro mágico.


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