Os poetas e os profetas vêem com a luz de Deus

Poetas e profetas veem com a luz de DeusJá dizia ´Abdu-l-Bahá no distante 1912, ao poeta libanês Gibran Kahlil Gibran, sim, ele mesmo, o autor de “O Profeta”. O sábio persa, com sua fina sapiência, tão palpável quanto este teclado de computador, disse ao poeta libanês: “Os poetas e os profetas vêem com a luz de Deus”. E então fui buscar conhecer poesia. Tinha 16 anos e sabia de poesia apenas o belo “José”, de Carlos Drummond de Andrade. Tinha passeado por algumas crônicas de Humberto Campos, mas nessa altura contava uns 10 ou 11 anos. Somente esbarrando em Fernando Pessoa entendi a lição do sábio persa, ainda na segunda década do século XX. Realmente, realmente, os poetas VÊEM com a luz de Deus. Mais Fernando Pessoa? Então tá: “Todo cais é uma saudade de pedra”. Frase fácil e tão batida quanto “navegar é preciso” e “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Bem, é Fernando Pessoa de corpo inteiro. Mas pensando bem, de corpo inteiro e não em foto três por quatro, somente colocando aos leitores esse outro texto do poeta português, e talvez do poeta mais cidadão do mundo que um dia haja se expressado em nossa língua:

  Onde você vê um obstáculo,  Alguém vê o término da viagem E o outro vê uma chance de crescer. Onde você vê um motivo para se irritar, alguém vê a tragédia total E o outro vê uma prova para sua paciência. Onde você vê a morte, Alguém vê o fim E o outro vê o começo de uma nova etapa… Onde você vê a fortuna,  Alguém vê a riqueza material E o outro pode encontrar por trás de tudo a dor e a miséria total. Onde você vê a teimosia, Alguém vê a ignorância, Um compreende as limitações do companheiro, Percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo. E que é inútil querer apressar o passo do outro, A não ser que ele deseje isso.  Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar. “Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura”. (Fernando Pessoa)

3 Responses so far.

  1. PRA QUE TANTO ORGULHO?

    A nossa vida é como sopro,
    Pode demorar muito tempo
    E também pode durar pouco
    Como uma vela no vento.

    A nossa vida é passageira,
    Quanta gente eu vi desaparecer
    Do Distrito de Bananeiras
    Que nunca mais pude rever!

    Quanta gente tão poderosa
    Que não resistiu a Morte!
    Quanta gente famosa
    Que tinha talento e dote

    E já não existe mais!
    Pra que tanto orgulho
    Que essa gente traz,
    E se acaba nos entulhos!

    Não pense que há algo novo,
    Tudo já existiu no passado,
    Quando existia um povo
    Que não deixou registrado.

    Como não sabemos disso,
    No futuro seremos esquecidos
    Dum povo que está previsto
    Para um tempo mais evoluído.

    Um dia nós seremos apagados
    Da memória deste mundo,
    Nunca mais seremos lembrados
    Se não tivermos amor profundo.

    Então vale a pena viver
    Fazendo sempre o bem,
    Para quando a gente morrer
    Ser lembrado por alguém.

    Se nada de bom a gente fizer
    Será tudo riscado do livro,
    E quando Jesus de Nazaré
    Já tiver tudo concluído,

    Vai chamar pelo próprio nome,
    Todos vão se comparecer,
    Criança, jovem, mulher e homem
    E seu nome deve então aparecer.

    Por isso não se iluda
    Com esta vida material,
    Se há dificuldade peça ajuda
    Para não entrar no mal.

    Se já vivemos no sofrimento
    Praticando o bem,
    Imagina um vil pensamento
    Que não considera ninguém!

    Achamos a vida complexa,
    Por isso é maravilhosa assim.
    Quando fazemos as coisas certas
    Claro, vivemos sem pensar no fim.

    Mário Querino – Poeta de Deus

  2. QUEM FAZ O PRECONCEITO?

    O que é um preconceito?
    Preconceito é não aceitar
    O aspecto que Deus deu,
    E começa a se inferiorizar

    Por causa dessa situação.
    Por exemplo, sou careca,
    Seria uma grande burrice
    Se eu não aceitasse esta…

    Daí alguém pode chamar:
    “Ei careca, pra onde vai?”
    Ele usou um preconceito
    Ou falou da obra do Pai?

    Seria uma grande burrice
    Se me chamasse cabeludo.
    Deus poderia dar o castigo
    E até modificar isso tudo.

    Deus poderia dar doença
    E o cabelo sair da cabeça,
    Para ser de fato careca
    E todo mundo do Planeta

    Testemunhar a gozação.
    Quem faz o preconceito?
    É óbvio, é a própria pessoa
    Que se acha sem direito.

    Se todos fossem magros,
    Como saberia que o irmão
    Era uma pessoa gorda?
    Se existisse só o galegão,

    Como eu saberia que sou
    Descendente de negro?
    Se todo mundo fosse rico,
    O que eu saberia do greto?

    Na minha boa concepção,
    O preconceito é da gente
    Que não aceita os fatos
    E busca ser tão diferente.

    Se todos fossem bonitos,
    Como veria minha feiúra?
    Não é bom o preconceito
    Fazer parte da nossa cultura.

    Deus fez todos de seu jeito,
    Nós exageramos na medida.
    A cor branca busca produto
    Para ficar mais escurecida,

    A cor preta usa também
    Para ficar mais clara.
    O magro usa as vitaminas
    E alimentação bem cara,

    O gordo faz bastante dieta
    Para então emagrecer,
    Somente um bom Poeta
    Para tudo isso entender.

    O bonito usa a máscara,
    O feio procura uma beleza
    E ninguém se conforma
    Com a própria natureza.

    O pobre vive aí lutando
    Para então enriquecer,
    O rico faz altos muros
    Para então se esconder.

    O varão se traja de varoa
    E a varoa se veste de varão,
    Na verdade se confundem,
    Até seu nome é confusão.

    O sabido procura a tolice,
    O ingênuo quer sabedoria,
    Por isso tem preconceito
    Que eu acho uma utopia.

    Há careca usando peruca
    E cabeludo raspando cabeça.
    Por isso é difícil entender
    A humanidade do Planeta.

    Se alguém me chamar
    De careca e eu der parte,
    O Promotor vai intimar,
    Quem achar ruim que ache.

    Se o Promotor for inteligente
    Assim como sou eu,
    E o humor tiver presente,
    Perguntaria ao amigo meu:

    “Qual foi a discriminação
    Feita contra ao Senhor,
    Para dar a devida punição?”
    Diria: De careca me chamou.

    O Promotor replicaria assim:
    “O Senhor acha que ele mentiu?
    Veja no espelho e diga pra mim
    Tudo o que o Senhor viu!”

    Dá a entender que tudo isso
    Traz-nos uma boa lição.
    O preconceito que tenho visto,
    Só entristece o nosso coração.

    Resumindo tudo isso amigo,
    De onde vem o preconceito?
    É óbvio sai de cada um de nós
    Que vive assim insatisfeito.

    Deus nos deixa sempre livre
    E podemos usar este mundo.
    Embora, venham os efeitos,
    Mas visemos amor profundo.

    Vivamos felizes e contentes,
    Aceitemos nosso bom jeito
    E usufruímos dos continentes
    Sem nenhum preconceito.

    Mário Querino – Poeta de Deus

  3. CADÊ A MINHA REALIDADE?

    Dia sete de setembro passou
    E não houve o desfile gentil,
    Que sempre a gente desfilou
    Por todo o nosso Brasil.

    Nesta região havia
    Banda para tocar
    E todo mundo via
    O povo na rua marchar.

    Já faz alguns anos
    Que não existe mais,
    Neste cantinho baiano
    A comemoração que se faz

    No dia sete de setembro.
    Achava muito importante,
    Por isso ainda me lembro
    Do tempo de estudante.

    Já fiz papel de Dom Pedro,
    Quando eu era adolescente,
    A espada me tirava o medo
    E o receio de tanta gente.

    Porém, hoje, tudo mudou,
    O povo está civilizado
    E nunca mais desfilou
    Assim como no passado.

    Não sei qual o motivo
    De extirpar deste jeito,
    Achava tão significativo
    E nos trazia um respeito

    O grito da Independência,
    Que todo ano o povo
    Com muita veemência
    Ouvia com fé de novo:

    “Para o bem de todos
    E felicidade da nação,
    Digo a este amado povo
    Que fico!”Com satisfação,

    Eu também já gritei
    Na Praça de Bananeiras,
    Quando eu desfilei
    Sem nenhuma brincadeira.

    Fizeram-me uma barba
    Como a de Dom Pedro,
    Obviamente isso me dava
    Uma postura sem medo.

    Realmente o Hino Nacional
    Chamava-me a atenção,
    Era o momento lacrimal
    Dos meus olhos e coração.

    Muitas vezes a gente ia
    Para a cidade vizinha
    E comovido assistia
    O desfile da região minha.

    Hoje todo mundo acha
    Que já é independente.
    Por isso não carece marcha
    Assim como antigamente.

    Se nós analisarmos bem,
    O Brasil não tem brasileiro.
    Pois não vemos ninguém
    Se doando por inteiro.

    O povo vê na televisão
    Os interesses próprios,
    Não para o bem da nação,
    Mas sim de seus negócios.

    Lembro o sete de setembro,
    Quando ainda adolescente.
    Crianças choravam querendo
    Assistir os desfiles decentes.

    Como era tão difícil carro
    Aqui em nossa região,
    A gente pagava muito caro
    A passagem de caminhão.

    Muitos iam de animais
    Assistir o desfile na cidade.
    Pois era bonito de mais
    E era a nossa realidade.

    Todavia, hoje tudo mudou
    As Escolas não têm prazer,
    O brasileiro desconsiderou
    E a cultura eu já vi morrer.

    Bananeiras está sem graça,
    O sete de setembro esfriou,
    Ninguém vê mais marcha,
    Até a Igreja já descartou

    Os pífaros e os zabumbas,
    Os fogos já estão escassos
    E o mar de vaidade inunda
    Os nossos corações fracos.

    Como dói essa vaidade
    No coração do Poeta!
    Cadê a minha realidade,
    Por que ignoro esta?

    Mário Querino – Poeta de Deus


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