Carpe Diem, 2008

CarpeDiem

Mais uns poucos dias e adeus 2007. Um ano que passou depressa demais. Se verificou-se um aumento do aquecimento do planeta, ficou ainda mais evidente que a vida está pra lá de acelerada. Frases que de tanto ouvir acabei incluindo em meu repertório: “O ano está acabando” (isso logo depois do carnaval), “A vida está muito atribulada, não sobra tempo pra nada” (frase desabafo para inúmeras situações do cotidiano), “Não sobra tempo e de repente já estamos na quinta-feira, como, se ontem mesmo era segunda?” (perplexidade diária de quem tem um emprego fixo). O problema não está no tempo. A semana continua com os mesmo sete dias de sempre (ou de quase sempre). Os dias não ultrapassam as 24 horas, portanto, o problema não está no que chamamos de “o passar do tempo”. A questão é uma e apenas uma: o que fazemos com nossas horas, nossos dias, nossas semanas? O que privilegiamos na vidas e o que deixamos de lado, descartamos? Cada momento, uma decisão nossa, na maioria das vezes, intransferível, depende apenas da gente. Mas a falta de percepção de que devemos ser donos (de fato e de direito) do tempo que dispomos nos leva às surradas queestões, reclamações contra essa c oisa fugidia, impalpável, que não conseguimos reter e que chamamos de… t-e-m-p-o. Bem, após umas merecidas férias, quando não visitei esse blog e apenas me dediquei nas quartas-feiras a responder os emails dos visitantes do blog, o que deejo mesmo que 2008 seja um ano diferente, especial, marcante. E que essa diferença tenha uma relação direta com o velho e sempre pós-moderno Carpe Diem – aproveitem o momento!

14 Responses so far.

  1. SAM disse:

    Tá aí uma frase que não esperava ler de você: “carpe diem”.

    Mas talvez seja isso que nos falte, a nós comuns mortais: carpar o diem, para poder carpar o diem seguinte. O investimento no tempo futuro só é possível no investimento do tempo presente. Se assim é, então, brincadeiras neolinguísticas a parte: espero que saibamos todos seguir esse princípio de “carpe diem”!

  2. Bruna H disse:

    O problema de hoje não está em o tempo passar rápido demais,pois como foi dito: os segundos, as horas, os dias tem o mesmo tempo que antigamente (época em que ninguém reclamava de falta de tempo) porque este vem a passar mais rápido que antes…
    O problema está na maneira em que cada um vem “aproveitando seu tempo”. Esta era do capitalismo está acabando com a dignidade de cada um,trocando tempo por dinheiro e depois reclamando que não tem nem tempo,nem dinheiro…
    Cabe a cada fazer sua escolha e ter a conciência de que dinheiro tem como conseguir depois,mas o tempo…não volta.

  3. O Tempo

    Luiz Domingos de Luna

    Em um canto caído
    O mundo a girar
    A vida a passar
    Encantos sofridos

    Corpos envelhecidos
    Suaves serenatas
    Existência ingrata
    Onde queres chegar?

    Pisando a paisagem
    Em uma passagem
    Sempre a moldar
    Com sua influencia
    Queima a paciência
    Quem vai desvendar?

    Um novo dia
    O sol já raiou
    O momento passou
    Não vai mais voltar

    Do silêncio ao ruído
    Num canto perdido
    Do universo a girar
    Vai-se perguntando
    Cantando ou chorando
    Onde queres chegar?

    Dor desmedida
    Dúvida da vida
    De o mar serenar
    Ficou a história
    Em nossa memória
    Teima em passar

  4. O Gênio da Gravidade

    Luiz Domingos de Luna

    Cada tombo uma queda
    O Ser vivo a equilibrar
    Não pode escorregar
    Uma altura que esfarela

    Quem anda de avião
    Já fica preocupado
    Numa pane é jogado
    Corpo sem vida no chão

    Gravidade impiedosa
    Sempre a puxar das alturas
    Até às vezes, dá tonturas.
    De queda assombrosa

    Lá da montanha, um condor.
    Voava tranquilamente
    Num instante somente
    Pensei que estivesse parado
    Parado nas alturas
    Está tudo errado
    Cadê tua força, puxador?
    Eu estava enganado
    Não era um condor
    Não era um planador
    Era um simples beija-flor
    Enganando a gravidade.

  5. O Vazio

    Luiz Domingos de Luna
    http://www.revistaaurora.com.br

    O Vazio não pode ter nada
    Se tiver algo, ele está ausente.
    Na plena ausência está presente
    Antes do ponto ou depois da disparada?

    O Vazio não pode ser conceituado
    A Noção que se tem é dogmatizada
    A ausência é a presença do não chegado
    O Vazio não tem uma lógica estruturada

    O Vazio não pode ser preenchido
    Preencheu o vazio, ele sumiu.
    Sumiu-se, ele nunca existiu.
    O Vazio está escondido?

    O Vazio quebra a existência
    Quebra a matéria e o tempo
    Não pode ter momento
    Existe no cosmo? Ou na inteligência?

    Como encontrar o vazio?
    A existência toma seu espaço
    Ou ela está em pedaços
    A ausência de tudo. Quem já viu?

    O Nada absoluto. Plena Garantia
    Sem buraco negro, sem quasares.
    Sem o avesso da matéria
    Sem o avesso da energia
    Sem átomos, sem moléculas.
    Sem luz, sem escuridão.
    Um vazio perfeito
    A ausência da existência
    A Luz da criação!

  6. A Construção do Eu

    Luiz Domingos de Luna
    http://www.revistaaurora.com

    A cada dose um contentamento
    De uma vida a apreciar
    Numa escala a determinar
    O tipo de comportamento

    Uns a forma o juramento
    Outros a matéria a clamar
    E os da alma a cantar
    A voz do ego o pensamento

    São corpos dobrados ao vento
    Na dimensão do espaço
    O intelecto de aço
    A fazer questionamento

    Um mundo a semente
    Sem depender da paisagem
    É sempre uma passagem
    Do corpo, alma e mente.

    Qual vetor determinante
    Dos três fragmentos
    Uma vida de argumentos
    Na matéria, o mundo dominante.

    São vidas alinhamentos
    Em linhas determinadas
    Cada qual em sua estrada
    O Viver a cada momento

    Ou tem que somar tudo
    Provar a dose em separado
    De um mundo agrupado
    A cada gosto um fel dobrado
    Ou o brilho do mel achado
    De um novo ser em movimento.

  7. A Busca

    Luiz Domingos de Luna
    http://www.revistaaurora.com

    A Alma humana a buscar
    A todo e qualquer momento
    É uma força ou um sentimento
    Que nunca pode parar

    É incrível o aprimoramento
    Que precisa aprimorar
    O pensamento a vagar
    Em um novo firmamento

    Seja qual for à maneira
    Tem que modificar
    Pois está no DNA
    É uma seqüência inteira

    Tudo a repensar
    Nada está concluído
    É como um fluido
    Em constante derramar

    Talvez o eixo da dúvida
    Esta procura, enfim.
    Nada tem um fim
    É o sentido da vida

    Parar um instante
    Isso nem pensar
    A busca sempre a buscar
    É uma corrente andante.
    Aonde vamos chegar?

  8. Palco Iluminado
    Luiz Domingos de Luna
    http://www.revistaaurora.com

    Em cada sonho uma fantasia
    Que percorre o pensar
    No momento a gritar
    Força que extasia

    Girando no encanto da vida
    Um gesto nobre propicia
    Na luz que irradia
    O instante eterno se fia

    O cenário todo florido
    Uma paisagem a contemplar
    Um universo a pensar
    No tempo um fluido

    Que teima em derramar
    Gotas de um sereno
    Um incenso ameno
    A existência contagiar

    Interação perfeita
    Arquitetura social
    Beleza natural
    Obra prima feita

    Cada ser é arquiteto
    Que a história aniquila
    É o sonho da vida
    Inacabado um projeto

    Um projeto inacabado
    Que falta ser decifrado
    Ou um palco iluminado
    Explicação buscando?

  9. A Mídia

    Mundo maravilhoso
    Formadora de opinião
    Fonte de informação
    Porta voz do povo

    O seu erro é perdoado
    Por que não teve intenção ?
    Força viva da nação
    Um fato interpretado

    Liberdade de expressão
    Da heterogenia social
    A paisagem integral
    Do mundo em evolução

    Do povo soberano
    O Estado de direito
    Prefiro o defeito
    A mordaça do tirano

    Alimento da liberdade
    Força da democracia
    Tem poder e magia
    É liga da sociedade

    Mídia, povo e estado
    Integração e harmonia
    Luz de sintonia
    A Beleza do separado
    A junção do untado
    Luz da democracia !

  10. A Fábrica de Universos
    Luiz Domingos de Luna

    Os bósons são inteligentes
    Escondidos em outra dimensão.
    Por que tanta precaução
    É um ato consciente?

    A ciência está na cola
    Graças à matéria escura
    Que dificulta a procura
    Confunde o eixo da mola

    Choque de matéria e luz
    Curvado no infinito
    São partículas de granito
    Ou mistério da órbita conduz?

    Esta imantação é problema
    Dependência de uma ditadura
    Da energia e da matéria escura
    Um cárcere privado com algema

    Iluminados – O que fará
    Com o bóson aprisionado
    Um mistério bem guardado
    Ou ao humano entregará?

    A Quem interessa?
    Uma fábrica de universo
    Os paralelos diversos
    Para que tanta pressa

    Um universo precisa
    De um planejamento
    Senão o novo engole a gente
    Seja humano ou não
    Tudo vai para o ralo do nada
    Cadê a inteligência em projeção
    A Consciência e a razão
    Virou tudo fragmento
    Não basta o pensamento
    No túnel do tempo
    Numa vida a bailar

  11. Padre Ibiapina

    As casas de Caridade
    Ponto de apoio da missão
    Pois em redor – povo cristão
    Força viva e lealdade
    Era sinal de uma cidade
    Tenacidade e mobilização
    Presença da missão
    Do social – a espiritualidade
    As irmãs de destaque um papel
    Educadoras enfermeiras
    Evangelizadoras por inteiras
    Trabalho acirrado e fiel
    Os escritos chegaram até nós
    Cartas, regras, instrução.
    De Sobral a iniciação
    Do mestre, missão da voz.
    Eminente na fé cristã
    Irmãs, obras edificadas.
    Uma missão abreviada
    Doutrina livre e sã
    São poucos os documentos
    Mas, de testemunho eloqüente.
    O bastante e o suficiente
    De Um nordeste em andamento
    Ibiapina, como missionário
    Um verdadeiro educador
    Para o pobre do interior
    Um grande visionário
    Cortou laços com cidades
    Buscou locais abandonados
    Aos camponeses organizados
    Difusor da espiritualidade
    Ibiapina, trabalho do povo feliz.
    Teve grandes desafios,
    Foi bacharel, juiz,
    Deputado, vigário,
    Professor de seminário
    Para o sertão, não foi tolamente

  12. A Emancipação da Tigresinha

    Luiz Domingos de Luna

    Na caverna do grito
    A pura opressão
    À serviço do cão
    Vida em conflito

    Corrente de aço
    Freio da civilização
    Da beleza – a punição
    Da suavidade – o pedaço

    Poder de coação
    Infligindo ao belo
    Um mundo em farelo
    Não tem emoção

    Força da maldade
    Criaste a ferida
    A gaiola trazida
    Leveza sem liberdade

    Passiva e paciente
    Um mundo a voar
    Na tela a quebrar
    A emoção consciente

    Planeta continuado
    Ao futuro povoar
    Nos grilhões a chorar
    O caminho trincado

    Semente da preservação
    Maltratada e dolorida
    Julgada e oprimida
    Não tem solução

    A Lutar no tempo
    Vencer o preconceito
    Um simples direito
    No véu do tormento

    Casa e guerra
    Que nunca termina
    Luta genuína
    O silêncio encerra

    Abri sutileza – a mordaça
    Deixa passar
    Precisa caminhar
    Liberdade da fumaça

    A dona do tempo
    Forma nova geração
    Para que opressão
    Tigresinha – O momento

  13. Menina de Luz !

    No túnel do tempo
    Os arranjos a rondar
    Em um mundo a rodar
    Na dor do momento

    É hora de pensar
    Os novos arranjos
    Ou então mais anjos
    O preço a pagar

    Qual o defeito?
    Da imantação
    Em combinação
    Que não vai fechar

    Sofre a menina
    De uma, psicologia assombrada
    Duma ligação quebrada
    De sonhos caídos

    O Íntimo do ser
    Que não vai untar
    Uma união que não une
    Que teima em quebrar

    Quem acredita chora
    Não tem simplicidade
    O psicológico arrasado
    E o mundo evapora
    Um anjinho subindo
    Um mundo sumindo
    Não tem mais amor

    Cuidai senhor!
    Da mártir da hipocrisia
    Da força doentia
    De um amor enganador

    Subiste ao céu
    È o seu atesto
    Um mundo desonesto
    Rasgaste o véu

    Derramai leite e mel
    Nesta sociedade
    Lama da maldade
    O gosto do fel.

    Foste o exemplo
    Já se viu o fracasso
    A fragilidade do aço
    Da mente doentia
    Foste sadia,
    Sábia revelação
    Da falsa união
    Revelaste a hipocrisia

  14. A Tela de Compostela
    Luiz Domingos de Luna
    http://www.revistaaurora.com

    Matéria no corpo diluída
    O Espírito a chama clarear
    Contorno de tudo a acentuar
    O Equilíbrio da alma indefinida

    A estrada da poeira percorrida
    O Peso da história a carregar
    Andarilhos pelo mundo a vagar
    Corpo dilacerado, carne dolorida.

    Busca da grande interrogação
    Indagação ao humano, toda hora.
    Pergunta sem resposta, que aflora.
    Na caminhada, da caminhada – a imensidão

    A fadiga corrói o corpo fraco
    Na tela do ferro a rasgar
    O corpo humano a sangrar
    Na busca da infinitude do aço

    Em pedaços a matéria a chorar
    Clamando o grande encontro
    É o homem, é o outro, é o espanto
    Que no final tem que juntar
    Carregando em um só corpo o mistério
    Destes fragmentos em um só “eu” aglutinar


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