Alienação monitorada 24 horas: o tal BBB8

Big Brother

Começo de ano e mais uma “atração” com dois dígitos de Ibope e em horário nobre. Falo do Big Brother Brasil recém-iniciado. Começou com 14 participantes, meio a meio entre homens e mulheres e um único objetivo: alcançar daqui a dois meses e meio o prêmio de R$ 1 milhão. Para isso veremos na telinha o vale tudo das vaidades, o vale tudo das traições e desconfianças, o vale tudo em que se transformou o que antes chamávamos de vida particular, vida privada, intimidade de uma pessoa. O apresentador, sempre simpático, irá destilando filosofia ao longo dos dias. Os participantes são imediatamente elevados à categoria de heróis, de valorosos combatentes, de tripulantes de uma nave espacial sempre decolando de um a outro planeta. Pergunto: esses jovens são heróis do que mesmo? Combatem o que? Estão desgostosos desse planeta e saem diariamente  em busca de outro planeta? Se o formato do programa é para mostrar a vida como ela é, em todos os seus minúsculos detalhes, serve também para colocar uma lente de aumento sobre a tragédia humana, a ausência de valores humanos, a mediocridade que logo alcança o rápido estrelato. Porque ninguém ainda pensou em fazer um programa desses com pessoas idealistas, com professores detentores de sólida formação acadêmica? E porque as disputas da liderança, por exemplo, não envolvem questões de conhecimentos gerais, valorização das artes, das profissões? O que temos é um desfile infindável de valores estéticos, de corpos. Quanto a um esperado desfile de cidadania e virtudes… bem, isso parece ser relegado ao cesto das idéias inviáveis, aquelas que já nascem mortas. Isso daria audiência?…


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