Um sonho, um mundo: Lin Maioko dubla Yang Peiyi

Lin Maioko dubla Chen Qigang I 1Estava sem fala ao ver a monumental abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim. Também quem descobriu o papel, a pólvora e a pipa (apenas para ficarmos na letra “p”) não podia esperar outra coisa. As imagens lembravam do japonês Akira Kurosawa. A plasticidade era algo de encher olhos, coração e mente. Era difícil encontrar o que agradou mais: (a) os dez mil percusionistas, (b) os chineses sorridentes saindo de milhares que pequenas caixas após várias coreografias, (c) as tais ciquenta e sete etnias representadas por crianças a caráter (depois saberíamos que as crianças eram quase todas da etnia majoritária na China, a Han), (d) as pegadas dignas do Abominável Homem das Neves iluminando o trajeto noturno que separa a praça da Paz Celestial ao Ninho de Pássaro, (e) o chinês circunspecto, cabelos grisalhos flutuando no Ninho de Pássaro, amparado por cabos, para acender a Pira Olimpica, (e) os rostos de centenas de criancas sorridentes a mostrar a beleza da diversidade humana ou… (e) a pequena menina chinesa, delicado vestido vermelho, sorridente a entoar a canção “Ode à Pátria”?

Não pensei duas vezes porque o coração tomava a mente de assalto e logo tomava partido pela menina. Ela ali e mais de um bilhão de telespectadores na China e mundo afora, estavam focados naquel mágico momento. É sempre comovente ver uma criança cantar. Mas aquela cantava em uma língua pouco familiar à nossa audição ocidental. E cantava sorrindo ao tempo em que emudecia tão formidável platéia em tão monumental ambiente olimpico. Mas após os primeiros dias recebi o choque de realidade: o diretor musical da cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, Chen Qigang, revelou que a menina Lin Miaoke, de 9 anos, que entoou a canção Ode à Pátria durante o evento apenas fez o playback na sua apresentação. A verdadeira cantora era Yang Peiyi, de 7 anos, que foi vetada para aparecer por ser menos atraente fisicamente. “Queríamos dar uma imagem perfeita e pensamos que seria melhor para a nação”, declarou Chen Qigang em entrevista a uma TV chinesa.Nos dias seguintes à Abertura da Olimpíada, meios de comunicação chineses aclamaram Lin Miaoke como uma estrela em ascensão no país, mas não falaram nada da verdadeira cantora, uma menina com os dentes desordenados, mas uma grande voz.

Os organizadores admitiram também que para a transmissão televisiva da Cerimônia de Abertura foram inseridas imagens de fogos artificiais gravadas de antemão e posteriormente editadas. Caí no mundo real onde o próprio dístico “One Dream, One World” ficava relegado ao armário das mais belas e inspiradoras intenções humanas. Aliás, “Um sonho, um mundo” nada mais é que uma versão reduzida da afirmação de Bahá´u´lláh (1817-1892) de que “a Terra é um só páis e os seres humanos seus cidadãos”.

Tanto uma quanto outra expressam de maneira plena e feliz o anseio de 6.000.000.000 de habitantes de nosso ora pequeno Planeta Azul.

2 Responses so far.

  1. jonas brito disse:

    concordo com a habitual perspicacia ao tratar de evento desse porte e ainda mais sendo na controvertida China. Parabens mestre Araujo.

  2. Nelson Évora, atleta português e membro da Comunidade Bahá’í, acaba de ganhar uma medalha de ouro no Triplo Salto, nos Jogos Olímpicos!


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