De 11/9/2001 a 15/9/2008: Eis o preço da fatura!

Alguns amigos me escrevem para dizer que, em resumo, o último 15 de setembro de 2008 entrará para a história de forma tão impactante quanto o 11 de setembro de 2001. Assim será. No 11/9/2001 aviões se chocaram contra as torres gêmeas em New York e colocaram o mundo face a face com a fragilidade de seus ditos poderosos sistemas de segurança. No 15/9/2008 as bolsas, a começar pelas dos Estados Unidos deixaram vazar sua solidez de forma completamente líquida. A liquidez do mercado financeiro era real, literal: onde estaria a solidez? Dois dias depois o governo norte-americano avisava que iria despejar cerca de US$ 1 trilhão para manter o sistema ligado aos aparelhos, vivendo, mas respirando no automático. Ora, ora, quantas vezes escrevi aqui que havia algo de muito errado e de muito perverso na configuração econômica mundial? Quantas vezes vocalizei anseios e esperanças, muitas vezes tardias, de pelo menos um bilhão de pessoas que sobrevivem abaixo da linha da miséria? Para 1/6 da espécie humana o 15/9/2008 foi apenas mais um dia de cão dos despossuídos da Terra, com apenas uma diferença: não se agitava qualquer bandeira de qualquer governo para lhes mitigar a fome nem lhes conceder um abrigo, muito menos para lhes restituir um pouco de sua há muito roubada dignidade.  É que vivemos em um mundo onde sua ordem foi, desde meados dos século XIX, prenunciada como lamentavelmente defeituosa. Nos últimos 164 anos nada se fez salvo uns curativos aqui e ali, uma maquiagem ali e mais ali, uns anestésicos a rodo e a granel para esta e aquela nação. Se há tanto tempo o coração saiu do lado esquerdo do peito e foi se agasalhar no bolso da calça dos mais ricos e afluentes, já era de se esperar que o único lugar onde ainda faltava ser jogada uma pá de cal era exatamente no bolso. O que vemos hoje e nas semanas, meses e anos por vir, nada mais são que simples manifestações de que o descaso e o império das injustiça acumuladas no leito dos séculos começaram, desde o último 15/9/2008, a imprimir o preço de sua fatura.


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