Homofobia mata!

Na última semana fui convidado para dar palestra durante o Curso de Oficiais da Polícia Militar de Brasília. O tema não poderia deixar de ser mais polêmico: Como combater a homofobia. Ora, não precisamos estar por dentro de tudo para sabermos que os que ousam ter um comportamento sexual diverso do que conhecemos recebe pesada carga de discriminação e recriminação. Temos dificuldades em conviver com as diferenças. Isso é fato. Também é fato que questões de gênero permeiam as conversas corriqueiras, são temas de filmes no Brasil (Madame Satã, por exemplo) e no exterior (Má Educação, Billy Eliot, Meninos Não Choram), fazem parte de grandes mobilizações sociais (paradas do Orgulho Gay em São Paulo, Los Angeles, Buenos Aires e… Jerusalém, por exemplo) que reúnem centenas de milhares de pessoas. O rol é grande. Prefeitos de grandes metrópoles mundiais (Berlim, Paris etc) são assumidamente homossexuais. O Presidente Lula em junho de 2008 abriu evento promovido pelo movimento GLBTS, em Brasília, fazendo discurso de boas-vindas e afirmando o compromisso de termo o Brasil sem homofobia. A palestra teve como foco central o disposto na momentosa Declaração Universal dos Direitos Humanos que em dezembro próximo completará 60 anos de existência. Não se tratava de ser a favor ou contra à liberdade de gênero. A questão era como criarmos uma sociedade inclusiva, receptiva às diferenças, sejam elas de credo religioso, de nacionalidade, de etnia/raça ou classe social. Ao final três oficiais presentes pediram a palavra e expressaram a posição de suas Igrejas (no caso, os três eram evangélicos) condenando qualquer forma de relacionamento que não fosse heterossexual. Dois deles citaram textos bíblicos. E, mesmo com toda a urbanidade e respeito dmeonstrado ao palestrante e ao tema, demonstraram seu desconforto com “os descaminhos que a humanidade vem trilhando”. Detalhe: como a audiência ultrapassava os 400 inicialmente previstos, a PM-DF alugou as dependências de uma imensa Igreja Evangélica em Taguatinga (região do entorno de Brasília). Ao final coloquei em palavras claras o intuito daquela apresentação: há que se combater qualquer tipo de violência e fui me socorrer em Santo Agostinho quando dizia que “nós condenamos o pecado mas perdoamos o pecador” e também “bem-aventurado o pecado que nos trouxe tão grande Salvador”. Havia que se deixar patente que não importa qual seja o credo que professemos temos o direito (no caso dos policiais militares, mais ainda, a missão, o dever) de evitar atos homofóbicos, ações violentas de qualquer natureza, pois não se trata de fazer algo contrário à nossa crença pessoal mas sim de fazer cumprir a lei. E a lei é soberana e a ela todos devem se submeter. Esta última frase é do grande pensador da cidadania mundial, Shoghi Effendi (1897-1957).

2 Responses so far.

  1. Sejamos realistas, dentro dos princípios da Fé Bahá’í a realização de um acto homossexual é sempre ilegítimo.

  2. SAM disse:

    Mas João, do que estamos a falar aqui, senão da luta contra a homofobia?

    De modo algum podemos discriminar, excluir ou mesmo combater um ser humano pelo simples facto de ele ser diferente de nós, não é?

    Um saudoso abraço a ambos.


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