O primeiro teste da economia globalizada…

 

            No dia 26 do mês passado, o Banco Mutual, outro dos maiores bancos daquele país, anunciou sua falência. O resto é história, porque não tem como contar uma história permeada pelo conhecido efeito dominó: um Banco ou uma Seguradora não superam crise de liquidez e em sua queda vão derrubando empresas menores, em geral, dependentes destas. O que já se pode afirmar é que a crise que faz estremecer o mundo teve sua gênese no mercado imobiliário, seguiu direto para o mercado acionário e, no momento atual, contamina o mercado de crédito.

Como tudo está interligado e a economia é de longe a parte mais vistosa do movimento conhecido como Globalização, as bolsas de vários países e em todos os continentes foram imediatamente contaminadas pela onda de temor, apreensão e desespero. Especialistas da área trombeteiam que o buraco a ser preenchido com recursos públicos pode chegar facilmente aos 3 trilhões de dólares.

Ainda no calor da crise podemos rever alguns conceitos que haviam sido alçados à condição de mitos, à esfera de cláusulas pétreas de qualquer tratado financeiro internacional. Um desses mitos que parecem verdade é o que pontifica ser o setor público ineficiente, perdulário e no melhor das vezes, míope. Tal arrazoado aponta para a sacralidade da iniciativa privada, detentora por seus próprios méritos, dos louros da excelência no gerenciamento financeiro e administrativo. Outro conceito que de tão batido parece habitar o campo das verdades absolutas é aquele que enuncia ser de boa prática dar ao Estado o que é do Estado e ao mercado o que é do mercado. Uma forma modernizadora do clássico dístico “a César o que é de César”. Pois bem, ante os estertores da crise que se anunciava já há algum tempo não precisou se esperar mais que alguns dias para que o dinheiro dos contribuintes fosse chamado para pagar a conta. E que conta! Digno de nota é o fato de que o socorro oficial se deu de forma rápida, quase que concomitante à crise, enquanto que temas seculares que pautam as conversações multilaterais, como a fome e o desemprego no mundo, a devastação dos recursos naturais do planeta, o superaquecimento e o alastramento de epidemias arrastam-se, por assim dizer, nos escaninhos recheados das boas intenções.

Não podemos ainda discernir se a crise tende a se estabilizar ou se poderá ganhar outros contornos e uma maior dimensão. Podemos afirmar que esta crise vem se desenhando há muito tempo, resultante em uma primeira instância da profunda instabilidade do atual sistema monetário internacional. Mas, uma coisa é certa, a presente Ordem Mundial demonstra estar lamentavelmente defeituosa.


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