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Quem pensa que o desemprego é um problema apenas no Brasil, engana-se. O desemprego ocorre na Europa e em toda parte do mundo. Excetuando-se os Estados Unidos, onde a questão está minimizada pelo longo período de crescimento da economia durante os últimos anos mas que enfrenta agora grave crise de confiança no sistema financeiro em geral,  nas demais partes do mundo o fenômeno é visto com preocupação. Na Europa, o problema é muito grave; no Japão, atualmente observa-se a diminuição do número de vagas no mercado de trabalho; a Coréia do Sul enfrenta a mesma situação. Nos países subdesenvolvidos, a situação não é diferente.  

 

No Brasil, é grande a preocupação dos trabalhadores, dos sindicatos, das autoridades e dos estudiosos de problemas sociais, a despeito de não possuirmos dados precisos sobre o desemprego, isto porque, enquanto o IBGE fala em taxa de 12%, a Fundação Seade/Dieese fala em 18% na região metropolitana da Grande São Paulo. A verdade é que temos, hoje, em qualquer família alguém desempregado. Essa é uma realidade que está muito próxima de cada um de nós. O desemprego é a origem de vários problemas: para o desempregado, para a família e para o Estado. Para o cidadão desempregado e sua família, o desemprego provoca insegurança, sentimento de que sua dignidade lhe foi subtraída e um certo ar de que é “alguém inútil” no mundo social.
 
Segundo o IBGE, o Brasil já é o terceiro país do mundo em número de desempregados, com 7,7 milhões de pessoas desocupadas, perdendo apenas para a Índia e para a Rússia. Há menos de 20 anos ocupávamos a oitava posição e, em 95, a quinta. Mas o Brasil não é caso isolado entre as economias mais pobres. Nos últimos 25 anos, o desemprego aberto no mundo aumentou de 2,3% da população economicamente ativa para 5,5%. Os dados foram sistematizados pelo professor Márcio Pochmann, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade de Campinas.  A contaminação da economia pelo desemprego se alastrou muito mais nos países não desenvolvidos. Nas nações mais pobres, as taxas passaram de 1,79%, em 75, para 5,35%, no ano passado, um aumento de 200%. Nos países desenvolvidos, esse crescimento foi quatro vezes menor. As taxas aumentaram em média 53% (de 4,04%, em 75 para 6,18%, em 99).  O caso do Brasil é exemplar. O nosso índice de desemprego (PNAD-IBGE) aumentou 369% (de 1,73%, em 75, para 9,85%, em 99). Em número de pessoas, a conta na década saiu de 2,3 milhões de desempregados, em 90, para 7,7 milhões, em 99.  Vale chamar a atenção para o fato de que Pochmann analisou dados oficiais de ocupação de 141 países do mundo.
 
Enquanto o jogo é jogado e as regras do jogo passam a ser feitas ali mesmo no calor da hora, há que se pensar a médio prazo como criar emprego para crescente legião de pessoas que a cada minuto são colocadas no mercado de trabalho. Há que se encolher a distância entre intenção e gesto. A intenção é que todos buscam meios para aumentar vagas no mercado de trabalho. Gestos são muito menos eficientes: políticas públicas para combater o desemprego são, em sua maioria, tímidas, e insuficientes para segurar com as mãos… o touro pelo chifre.

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