Estou assistindo a 5a. temporada do seriado HOUSE. Em sempre a curiosidade sobre o que ainda vai acontecer me prende ante à tela. Mas o que tem esse seriado que não apenas me empolga mas, pelo que pesquisei na Web, empolga milhões de pessoas? As locações são praticamente as mesmas: quartos, salas e corredores de um hospital. O personagem central, o doutor Gregory House, pode até ser simpático mas é sempre uma manifestação em grande de estilo de grosseria, rudeza, menosprezo pela dor alheia, desprezo pela condição humana. Os textos, as falas, as situações são sempre imprevisíveis e isso tem lá o seu charme. Em uma época em que ser politicamente correto é a palavra de ordem, alguém que exponha toda a sua humanidade mirada de baixo para cima não deixa de causar sensação. Aí é que está o ponto. Gregory House se torna simpático por passar uma das mais antigas e valiosas virtudes que podem adornar o caráter humano: a sinceridade. Ocorre que essa sinceridade “houseana” é invertida, está sempre fronteiriça à estupidez humana. O fenömeno House, digamos assim, torna-se mais chamativo porque se contrapõe à forma encenada, bem ensaiada, dos milhares de atores/atrizes em centenas de seriados, filmes, documentários, onde interpretar não parece ser algo que brota da alma e sim algo que salta após tantas horas de memorização de falas, gestos, atitudes. É claro que House se dá ao direito de diminuir a dimensão dos demais porque ele mesmo se autodeprecia, fazendo-se simulacro de sua ostensiva grandiosidade como médico de diagnósticos certeiros, irreparáveis, imprevisíveis. Mas também é um personagem que parece ter se recusado a crescer, um ser que necessita de crescente atenção e que tanto mais brilha quanto mais deplorável e a situação a que é chamado a interagir. Seus relacionamentos emocionais são sempre beirando o cretinismo (de cretino, diga-se), como adolescente hiper mal resolvido que se refugia em antigos seriados enquanto pacientes seus podem bem estar embarcando dessa para a melhor ou, então, se concentra nas artes de prosaicos vídeogames. Apesar de tudo é sempre engraçado, seja pelo sarcasmo à flor da pele, seja pelas inusitadas tiradas. Por trás do êxito do seriado surge a figura luminar do ator britânico Hugh Laurie, talhado sob medida para dar vida a sujeito infame (e infamante) sempre capaz de catapultar índices de audiência mundo afora… O humor, se é que assim  podemos chamar, de House pode ser melhor entendido através de algumas de suas falas, como estas:

“Olá pessoas doentes e seus amados. Para não perdemos tempo e evitarmos conversa-fiada chata eu sou o doutor House, mas vocês podem me chamar de ‘Greg’. Eu sou um dos três médicos escalados para a clínica desta manhã. Esse raio de sol ao meu lado é a doutora Lisa Cuddy. Doutora Cuddy administra todo esse hospital, então infelizmente ela está muito ocupada para atendê-los. Eu sou um entediado diagnologista, com dupla especialidade em Infectologia e Nefrologia. Eu também sou o único médico empregado nessa clínica que é obrigado a estar aqui. Mas não se preocupe, porque para a maioria de vocês, esse trabalho poderia ser feito por um macaco com uma garrafa de Motrin. Falando nisso, se vocês estão particularmente preocupados, vocês podem me ver tomando Vicodin. Isso é meu. Vocês não podem tê-lo. E não, eu não tenho problemas de lidar com a dor, eu tenho problemas de dor. Mas quem sabe, talvez eu esteja muito doidão para dizer. Então, quem me quer?”

“Mentiras são como as crianças: apesar de inconvenientes,o futuro depende delas”

“Ainda é ilegal fazer uma autópsia em uma pessoa viva?”

“Se você fala com Deus, você é religioso. Se Deus fala com você, você é psicótico”

“Eu já atingi a cota mensal de exames inúteis para idiotas teimosos”

Uma freira fala para House: “A Irmã fulana acredita em coisas que não são reais”
House responde: “Pensei que esse fosse uma exigência para sua atividade”

“Se sou feliz com a minha infelicidade como eu poderia ser infeliz?”

“Preciso ir, o prédio está cheio de pessoas doentes. Se correr, talvez consiga evitá-las” (Mais uma tirada do doutor House antes de entrar no elevador para fugir de Wilson, que pedia para participar da noite de pôquer do amigo. Detalhe: os dois são médicos e trabalham no hospital.)

“Eu não preciso assistir a THE O.C., mas me deixa feliz”

Se você não estiver disposto a ser um idiota, nada de sensacional vai acontecer na sua vida”

“Se sentir infeliz não o torna melhor que ninguém. Apenas infeliz”

House vai correndo para a sala do paciente quando ele diz (o paciente):
 “Eu vou morrer, não é?
” House se aproxima mais e lhe aplica uma injeção em sua perna, então lhe diz: “Levante-se e saia andando
.” O paciente fica desesperado e retruca:
  “Você está de brincadeira!“ Mas quando ele volta a sentir seus movimentos e se levanta, House diz:
 ”Por que quando Jesus disse para o enfermo se levantar, rapidinho ele obedeceu?
”House então explica a doença que o rapaz tem e este lhe diz: 
”Então já posso ir?
” House responde: 
”Não, porque esse remédio tem  duração de apenas 4 ou 5 minutos…
” O paciente, então, desaba no chão.

 

“Eu sou o McCane!” (McBengala, referência aos apelidos com Mc dos médicos de Grey’s Anatomy, McDreamy, McSteamy, McVet, etc)

“Foreman: O exame de Sódio deu 94%
House: então vocês já sabem o que fazer….
Foreman: Mas o sódio só está 1% a cima do normal!
House: … e se o DNA dela fosse 1% a mais ela seria um Golfinho! Vai!”

“Leia menos… veja mais TV” (Esse foi o conselho de House para Cameron, depois que ele percebe que a esperta médica usou técnicas de negociação ensinadas em livros para convencer Foreman e Chase do seu ponto de vista. O médico ranzinza não caiu no papo, claro)

“Como disse o filósofo Jagger uma vez: ‘Você não pode ter sempre aquilo que quer’”

“Você não está doente, só quer um atestado médico”

“Todo mundo mente” (essa é a clássica do seriado).

“Morrer é facil, viver é dificil”


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