É que há também fome de beleza. Mas não existe bolsa-beleza. Muito se faz para encher os estômagos, para saciar a fome de alimentos, a sede de água. E pouco, muito pouco, se faz para preencher o vazio de beleza. Paisagens de encher os olhos escasseiam aqui e ali. Acesso a belos poemas e ternas poesias parecem magicamente soterradas em séculos passados. Vivo em Brasília e gostaria de um dia, ao anoitecer, naquele momento entre o dia e a noite, ver uma manada de zebras disparando nas imediações do Eixo Monumental, passando solenes e esbaforidas defronte ao Palácio do Planalto, avançando pelos demais Poderes da República. Uma imagem que valha mais de 1.000.000 de palavras e que nos deixe de queixos caídos. Não à previsibilidade. Sim à inventividade humana. É que Brasília é muito certinha qual peças de um dominó caídas pelas bordas da mesa. O que antes foi saudado como sendo um poema de concreto é hoje, menos de 50 anos de sua fundação, a monotonia do previsível. A beleza de Brasília se encontra nos sonhos de seus quase 2 milhóes de moradores. Mas nem sempre esses sonhos passeiam nas amplas pistas da cidade. Falar em ruas de Brasília soa tão exótico quanto se referir ao Mar da Tranqüilidade, aquele lugar batizado por Louis Armstrong em 9 de julho de 1969. Mas esse assunto fica por aqui que ainda vai dar muito pano pras mangas.

One Response so far.

  1. Ana Rosa Mota disse:

    O verdadeiro rico é aquele que faz do pouco muito e ñ se contenta na ñ existência do belo, passando acria-lo com as próprias mãos.


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