Encrenqueiro?

Uma das fotografias vencedoras foi a do italiano Stefano Unterthiner. Com a foto deste macaco ele venceu a categoria Retratos de Animais. O macaco negro crestado, um tipinho original das Ilhas Célebes – que aliás não são ilhas no plural, mas uma só, no singular; nem Célebes (o nome dado pelos portugueses que chegaram lá na mesma onda do descobrimento do Brasil foi substituído pelo nativo Sulawesi). Prodigiosamente rico em animais, plantas e vulcões – mais de 150, contando só os ativos –, o arquipélago que corresponde à Indonésia tem a peculiaridade de espécies raras que se isolaram em algumas das mais de 17 000 ilhas e lá ficaram até ser catalogadas por cientistas ou inventadas por roteiristas de Hollywood, que deram ao mundo o sumatrense King Kong. O primata ganhou o apelido de “encrenqueiro” porque, segundo Stefano, estava mais interessado no fotógrafo do que em ser fotografado. Encarou a câmera com os olhos incandescentes, fez pose e até pulou nas costas do fotógrafo. Por causa disso, foi apelidado de Encrenqueiro. Com sua colaboração, Unterthiner ganhou na semana passada o prêmio de fotografia do Museu de História Natural, de Londres, na categoria de melhor retrato animal. A expressão incrivelmente humana de Encrenqueiro ajudou na premiação. Nem é preciso dizer que quem causa encrencas para o macaco são os humanos. A espécie está na lista das gravemente ameaçadas, pelos motivos de sempre: destruição das florestas onde vive e caça clandestina. Os macacos topetudos são considerados iguaria. Há 16 milhões de humanos em Sulawesi e menos de 5 000 macacos da espécie.


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