Excertos de minha mensagem para Tania Montoro:

 Inicialmente, façamos justiça: foi um êxito portentoso o Seminário Macabéa vai ao Cinema, ocorrido ontem (20/11/08) nas dependências do Hotel Nacional e dentro da programação oficial do 41. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Pensemos em um evento irretocável, onde o público cativa pela atenção, os palestrantes se sobressaem pela erudição e empatia, características estas nem sempre harmônicas e disponíveis em um único evento. A conspiração do Bem Fazer disse presente: conseguiu-se excelência quanto à qualidade do som, a luminosidade e nitidez da projeção, a temperatura do ambiente e o conforto dos participantes. Conseguir lotar um auditório é por si só uma formidável proeza. E você conseguiu. Se fosse um filme você já poderia ir passar uns dias em Cannes ou em Berlim saboreando a boa crítica da mídia.Ter garantido a presença da cineasta Suzana Amaral, serelepe como ela só, tão cheia de entusiasmo (…) e com uma verve à superfície da pele, nos brindou com uma espécie de aula magna de Cinema: a sua história se confunde com a própria retomada do cinema brasileiro, a valer a partir de 1985 e não de 1994 com a Camurati. Revelações sobre o filme AHE borbotavam e eram muito saborosas. Todas, sem exceção. Ter assegurado a participação do cineasta/professor Paulo Schettini também foi de uma felicidade impar: seu filme, merecidamente premiado n´O Porto, recebeu entusiásticos aplausos no decorrer do Seminário. E o filme apostava na tese, sempre audaz em se tratando de Clarice Lispector, de que o sonho reprimido de CL teria sido o de receber a consagração outrora dedicada a Greta Garbo, Marlene Dietrich, Deborah Kerr, Virna Lisi, Marilyn Monroe e “quetais”. O André Luis Gomes, recém-ingresso à atmosfera brasiliense, após algumas semanas com a brisa dos mares gregos a lhe fustigar os cabelos, esteve também muito bem e não fez feio com o seu “Clarice em Cena”. Surpreso ficou ao saber que um seu colega de mesa (Schettini) houvera um dia identificado Clarice na platéia –  de um teatro vazio, diga-se – onde a cantriz Maria Bethânia ensaiava o seu “A Hora da Estrela” sob a guia e os cuidados do Fauzi Arap. Mas Tania, a sua coordenação foi segura, sensível, bem humorada, erudita. Você sempre nos surpreende com esse dom de Quarteto Fantástico, só que em vez de incitar ou debelar catástrofes, você faz o contrário: constrói sonhos com a argamassa do real. É esse o seu dom maior: o de realizar. Porque você com asas ou sem asas, voa, literalmente voa. Mas você foi a serena mestre de cerimônia de uma tarde memorável, tomando para si o desafio, encarou-o de frente e propiciou-nos o ambiente adequado e rarefeito para que o que tinha de ser feito fosse feito. Nem mais nem menos. Daí que não hesitei em lhe passar um bilhete alinhavado às pressas: “Tania… We are crazy!” E foi gratificante vê-la tecer elogios sinceros e rasgados ao bom trabalho da ótima Susana Dobal com este seu pupilo curioso. (..) Isso porque estávamos em nosso melhor elemento, o da terna e progressiva amizade, aquela amizade que dispensa ensaio porque ela se faz ao correr da vida e, tudo o que rola, está valendo… e já é História. A nossa história comum puxando um fio aqui e acolá e nos vendo relutantes em seguir APENAS este ou aquele fio. Queremos seguir todos os fios que compõem a imagem do tapete, oras! É, a conversa está muito boa, o café ainda quente, mas precisamos avançar mais uns metros que o futuro já nos acena à porta. Beijos no coração e Deus te mantenha assim e, de preferência, que Ele não te dê mais talentos nem habilidades porque já seria uma afronta com Suas demais criaturas. Washington

P.S.: Foi muito que todo o evento – mais que três horas – foi todo ele transmitido ‘ao vivo’ pela TV UNB.


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