Gosto muito do Miguel Torga. Gostaria muito de tê-lo conhecido. Mas não deixo de conhecer Torga melhor apenas porque que não o conheci fisicamente. Conheço-o por seus pensamentos mais profundos, esses destinados a cavar espaço na própria memória do Tempo. Por exemplo, uma sua citação que aprecio bastante é esta: “As pessoas afivelam uma máscara, e ao cabo de alguns anos acreditam piamente que é ela o seu verdadeiro rosto. E quando a gente lha arranca, ficam em carne viva, doridas e desesperadas, incapazes de compreender que o gesto violento foi a melhor prova de respeito que poderiamos dar.” Isso acontece no tempo de uma vida mais vezes do que imaginamos. Passamos muito tempo convivendo com máscaras e máscaras, formam-se até camadas sobrepostas!, e ainda assim, concluímos ser melhor deixar a máscara encobrir o rosto assim como o mato cobre os contornos do asfalto. Miguel Torga (foto) sabia das coisas. Assim como sabia e aí uso suas palavras: “Mais um ano. Mais um palmo a separar-me dos outros, já que a vida não passa de um progressivo distanciamento de tudo e de todos, que a morte remata.”


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