Compartilho neste espaço excertos de uma oportuna reflexão do Pe..Alfredo J. Gonçalves:

A dificuldade de inserir-se no mercado de trabalho evidencia outra dimensão do círculo vicioso: a obrigação de migrar. Sair torna-se uma forma de buscar longe da própria região ou país novas oportunidades de vida e trabalho. Três adjetivos ilustram bem o panorama atual das migrações: elas são cada vez mais intensas, diversificadas e complexas.

Intensas, pois o número de migrantes que cruzam as fronteiras e percorrem as estradas, em todo mundo, tem aumentado de ano para ano. As causas do aumento são muitas e as mais variadas. Entre elas destacam-se as transformações ocasionadas pela economia globalizada, como vimos anteriormente, as quais levam à exclusão crescente dos povos do Terceiro Mundo e sua luta pela sobrevivência; as guerras, guerrilhas e o terrorismo internacionais ou regionalizados; os movimentos marcados por questões étnico-religiosos; a urbanização acelerada, especialmente nos países periféricos; a busca de novas condições de vida nos países centrais, por trabalhadores da África, Ásia e América Latina; questões ligadas ao narcotráfico, à violência e ao crime organizado; os movimentos vinculados às safras agrícolas, aos grandes projetos da construção civil e aos serviços em geral.

Os deslocamentos humanos são também cada vez mais diversificados. Mudou o rosto das migrações. Verifica-se, por exemplo, uma feminilização do fenômeno migratório em quase todos os movimentos em curso. Dos países pobres para os países ricos, prevalece a migração de jovens em busca de melhores condições de vida. No caso da urbanização, famílias inteiras trocam o campo pela cidade, atrás dos benefícios que a zona rural não oferece. Já as levas de refugiados políticos e econômicos arrastam consigo toda uma população em fuga, procurando escapar dos conflitos armados ou da miséria e da fome. Além disso, embora por motivações distintas, migram pessoas de todas as classes sociais. Uns viajam a turismo ou por causa de trabalho especializado, enquanto a maioria parte por motivos de estrita sobrevivência.

Por fim, as migrações são cada vez mais complexas. Diversos fatores dão conta dessa nova complexidade da mobilidade humana, em âmbito mundial. Podemos sublinhar, entre outros, o fato de os fluxos migratórios não terem mais origem e destino determinados. O que se verifica é um vaivém mais ou menos desordenado, em todas as direções. Não poucos migrantes têm mais de uma origem, outros migram por etapas, para depois retomarem o caminho de volta. Enfim, os migrantes acumulam em sua experiência várias saídas e várias chegadas, numa tentativa constante e praticamente vã de se fixar definitivamente. As trajetórias se repetem, torna-se difícil distinguir idas e vindas. Cada chegada converte-se em novo ponto de partida. A fixação vira uma miragem sempre distante e nunca alcançável.


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