O futuro dos jovens

Perplexo leio que segundo o estudo Mapa da Violência III, da Unesco, 39,2% dos jovens que morrem no Brasil são assassinados, chegando a 50% no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pernambuco. O documento destaca a escalada de homicídios nesta faixa etária na última década, cujas causas podem ser atribuídas a um processo de urbanização desorganizado, à ineficiência e insuficiência dos serviços públicos e ao desemprego: o número de empregados entre 15 e 24 anos caiu quase 50% entre 1991 e 2001. Jovens pobres, com baixa escolaridade, pressionados desde cedo a ganhar seu pão (começam a trabalhar entre 12 e 14 anos), estão se tornando mão de obra potencial para o crime organizado. 

Depois temos que ficar ouvindo vozes falseando a ingenuidade a nos dizer: o que fizemos com nossos jovens?

Estudo como o mencionado aqui é fundamental como diretriz para as políticas públicas formuladas para este estrato da população cada vez mais numeroso e problemático. De fato, o Brasil está no pico de uma “onda de adolescentes” que só começou a declinar em 2005 – são 21.249.557, entre 12 e 18 anos. Ela varre o país em uma fase de insegurança generalizada, provocada pelo fechamento do mercado de trabalho, fraco crescimento econômico e agravamento das disparidades sociais. O aspecto positivo é que esta onda cresceu em plena década da educação, iniciada com a promulgação da LDB, em 1996, e marcada pelo esforço de universalização e modernização do ensino. Não poderia haver momento mais oportuno para identificarmos os desejos, vulnerabilidades e potencialidades deste grupo, única forma de respondermos eficazmente às suas demandas. Fica o alerta!

One Response so far.

  1. SAM disse:

    Uma das medidas que me parece oportuna, além da universalização do ensino que, infelizmente, ainda não é total no Brasil (apesar dos grandes progressos que a propria Unesco destaca) seria a criação de um serviço de trabalho no campo.

    Isso permitira uma melhora das competências humanas diversas, sem contar o facto de que estes jovens estariam mais “entretidos”. O desemprego é um problema real, sério (sei-o) mas não é só ele que leva a que os jovens caiam nas teias de meios impróprios ao seu desenvolvimento salutar: a desocupação é uma dessas causas.

    Enquanto o jovem estiver, com apoio de entidades públicas ou particulares (não importa), em projetos ocupacionais, poderá ver algum sentido para a sua vida para além do “sobreviver”, indo ao encontro do próprio “viver”: viver por uma causa, viver para ajudar aos outros, viver para criar algo, viver.

    Claro que o que aqui digo é só uma análise bastante linear de um problema bem mais denso ou complicado do que aquele que imaginamos e que posso comentar nessas linhas do seu (como sempre) post de qualidade.

    Um abraço.


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