O relatório contrasta com a opinião de muitos pais e professores de que esses tipos de atividades online são uma perda de tempo. O projeto de pesquisa do uso do tempo online pelos adolescentes durou três anos. “Eles estão adquirindo habilidades tecnológicas e conhecimentos necessários no mundo contemporâneo”, afirmou a autora do relatório, Mimi Ito, pesquisadora do Departamento de Informática na Universidade Irvine, da Califórnia. “Todas estas coisas que eram vistas como sofisticadas dez anos atrás, jovens de hoje encaram normalmente”, disse a pesquisadora à BBC.

O estudo, chamado Projeto Juventude Digital e patrocinado pela Fundação MacArthur, é parte de um programa de US$ 50 milhões sobre mídia digital e aprendizado. No período do estudo, os pesquisadores observaram os usuários por mais de 5 mil horas. Para Mimi Ito, o contato online com amigos por meio de sites de relacionamento como MySpace, Facebook e Orkut é como os adolescentes “ficam juntos” atualmente, em comparação com locais públicos como shoppings, ruas e parques. A pesquisadora também afirma que a internet dá a um grupo de adolescentes a oportunidade de explorar sua própria criatividade e “mergulhar profundamente em um assunto”.

“Em um dos casos que estudei, a respeito de fãs de animação japonesa, alguns adolescentes se envolveram em grupos de produção de vídeo ou grupos de discussão online”, conta a pesquisadora. “Eles escolhiam coisas como a linguagem japonesa ou algum conhecimento a respeito de vídeo, decodificação ou edição”, acrescenta Ito.

Mas os pesquisadores também descobriram que existe uma grande divisão digital entre aqueles que têm acesso à internet e os que não têm. “A qualidade do acesso é o que importa para alguns adolescentes que podem contar apenas com a biblioteca da escola para navegar pela internet”, diz Ito. “Freqüentemente é limitada, tem bloqueadores de acesso a alguns sites e só está disponível quando estas instituições estão abertas.

Connie Yowell, diretora do setor de educação da Fundação MacArthur, afirma que a pesquisa cria uma nova forma de analisar como os jovens estão sendo ensinados. “O aprendizado hoje está se tornando cada vez mais baseado em parceria e redes de comunicação, e é importante levar isso em conta para começarmos a recriar a educação no século 21”, afirmou.

A pesquisadora Mimi Ito também alerta que pais e professores precisam ficar mais atentos ao que os adolescentes fazem quando estão online porque as rápidas mudanças nestes ambientes significam que os perigos são variados. “A maioria dos pais sabe pouco sobre o que os filhos estão fazendo online, mas eles tentam dar ajuda e orientação”, afirma.

“Jovens não querem seus pais ou professores em suas páginas do MySpace ou Facebook, mas existe um papel mais produtivo para pais e professores que vai ajudá-los a se conectar com seus filhos e suas vidas”, acrescenta. Maggie Shields


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