Uma série de instituições financeiras, de bancos de varejo a seguradoras, já registraram perdas bilionárias, foram nacionalizadas ou quebraram no último ano, em decorrência da crise financeira que se originou nos Estados Unidos e se alastrou pela Europa, principalmente. Indiretamente, porém, centenas de outros países são afetados,como o Brasil, por exemplo, onde a falta de crédito preocupa. Na Europa, temendo os efeitos colaterais, outras nações decidiram garantir os depósitos dos correntistas nos bancos, para evitar uma corrida de saques.

 

ESTADOS UNIDOS

  • Bear Stearns – Era um dos maiores banco de investimentos dos Estados Unidos quando foi vendido, no início do ano, ao JPMorgan Chase, em operação coordenada pelo Fed. O Bear chegou perto de ir a falência devido ao seu envolvimento com a crise do crédito imobiliário de alto risco (“subprime”) nos EUA, raiz da crise que afeta a economia mundial.
  • Fannie Mae e Freddie Mac – No início de setembro, o governo americano resgatou as duas maiores financiadoras de hipotecas do país, em um acordo que poderá custar até US$ 200 bilhões aos contribuintes do país. Elas possuem quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA.
  • Countrywide Financial – O Bank of America chegou a um acordo para adquirir a financiadora imobiliária por US$ 4 bilhões, em uma operação de troca de ações.
  • Lehman Brothers – O quarto maior banco de investimentos dos EUA pediu concordata em setembro, depois que, sem ajuda federal, não conseguiu fechar a sua venda para nenhuma instituição. Assim, se transformando no primeiro grande banco a entrar em colapso desde o início da crise financeira. Parte dos seus ativos foi vendida ao britânico Barclays.
  • AIG – A seguradora AIG (American International Group) conseguiu uma injeção de US$ 85 bilhões do governo americano para aumentar sua liquidez (crédito em circulação) e evitar a quebra, no mesmo destino do banco de investimentos Lehman Brothers
  • Merrill Lynch – O banco acertou a sua venda para o Bank of America (segundo maior banco dos Estados Unidos), por US$ 50 bilhões, no mesmo dia em que o Lehman Brothers quebrou.
  • Goldman Sachs e Morgan Stanley – Dois dos grandes bancos de investimentos que sobraram nos EUA foram autorizados pelo Fed (Federal Reserve, o BC americano) a se tornarem bancos comerciais. A mudança no status permite que eles criem bancos que poderão tomar depósitos, amparando os recursos de ambas instituições, e tenham o mesmo acesso que outros bancos comerciais aos planos de empréstimo da emergência do Fed.
  • Washington Mutual – No que foi considerado a maior falência de um banco americano, o Washington Mutual foi fechado pela FDIC (o órgão garantidor de contas bancárias) e a maior parte das suas operações vendida ao JPMorgan Chase por US$ 1,9 bilhão. Com sede em Seattle (Oeste), era o sexto banco americano em ativos. A aquisição criou a maior instituição americana de depósitos e poupança, com mais de US$ 900 bilhões em depósitos.
  • Wachovia – O banco, um dos maiores dos EUA, chegou a ser negociado para o Citigroup por cerca de US$ 2,2 bilhões com a assistência da FDIC, mas acabou vendido para o Wells Fargo. Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia.
  • Freedom Bank – O banco regional declarou seu fechamento e se tornou a 17ª companhia bancária a quebrar no país neste ano. De acordo com a FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation, a agência americana de garantia de depósitos bancários), o Freedom Bank tinha US$ 287 milhões em ativos. Os depósitos foram adquiridos pelo Fith Third Bank, de Grand Rapids (Michigan).

EUROPA

  • Northern Rock – O banco britânico foi nacionalizado em fevereiro, sendo um dos primeiros atingidos diretamente pela crise os EUA. O parlamento britânico aprovou uma lei de caráter emergencial que deu ao governo poder para assumir a instituição pelos 12 meses seguintes.
  • UBS – O banco suíço, um dos primeiros e dos mais atingidos pelos efeitos da crise, teve no segundo trimestre deste ano um prejuízo de US$ 328,45 milhões e já cortou 6.000 empregos desde o ano passado. Só em abril, o UBS lançou no seu balanço mais US$ 19 bilhões em prejuízos com os empréstimos imobiliários “subprime” (de alto risco) e foi ao mercado buscar o dinheiro para fechar os rombos.
  • BNP Paribas – O banco francês foi o primeiro afetado pela crise, que deflagrou uma onda de incertezas em agosto do ano passado, quando congelou cerca de 2 bilhões de euros (cerca de US$ 2,73 bilhões) em fundos, citando as preocupações sobre o setor de crédito “subprime” nos EUA –até então, o termo que não ocupava tanto espaço no vocabulário do mercado financeiro.
  • Fortis – O grupo bancário e de seguros belgo-holandês foi afetado por papéis da crise “subprime” –as ações do banco já caíram mais de 70% neste ano. Para devolver liquidez (dinheiro disponível para crédito) ao Fortis, os governos de Holanda, Bélgica e Luxemburgo injetaram US$ 16,4 bilhões no banco, recebendo em troca 49% das ações nos braços nacionais da instituição. No começo de outubro, o BNP Paribas chegou a um acordo para obter o controle de suas atividades bancárias.
  • Bradford & Bingley – O Reino Unido nacionalizou a financiadora de hipotecas e créditos imobiliários, que em dificuldades por conta da crise nos EUA, teve parte das operações assumida pelo Santander.
  • HBOS – O banco britânico Lloyds TSB comprou o Halifax Bank of Scotland, maior credor imobiliário cotado no Reino Unido, por 12,2 bilhões de libras (US$ 22,2 bilhões). Com a fusão, os atuais acionistas do Lloyds TSB ficam com aproximadamente 56% do capital do Lloyds TSB, enquanto os atuais acionistas do HBOS, com 44%.
  • Hypo Real Estate – A instituição alemã, também do crédito imobiliário, obteve US$ 69 bilhões do governo e de um consórcio de bancos para se salvar. O acordo contempla que em até um montante total de 14 bilhões de euros, o Estado assuma 40% e os bancos, 60%, dos riscos que seriam derivados se o HRE tivesse que usar os créditos.
  • Glitnir: – Em setembro, o governo da Islândia comprou 75% do terceiro banco local por cerca de US$ 900 milhões.
  • Landsbanki – O governo da Islândia assumiu o controle total sobre o segundo maior banco do país, em uma operação equivalente à nacionalização, para permitir a continuidade das operações comerciais e bancárias. A intervenção ocorre após a Rússia ter concedido à Islândia um crédito de 4 bilhões de euros para ajudar o país a sair da crise financeira que ameaça seu sistema bancário.
  • Kaupthing – O banco, maior instituição de crédito da Islândia, se tornou o terceiro nacionalizado no país em três dias. A medida tem como objetivo evitar o colapso do país, informou a FME (Autoridade Supervisora Financeira Islandesa). A medida foi tomada por iniciativa própria do Kaupthing, cuja direção renunciou em bloco, segundo um comunicado do banco.
  • Dexia – O franco-belga Dexia recebeu uma injeção de US$ 9,2 bilhões da Bélgica, França e Luxemburgo para continuar operando e foi nacionalizado. O Dexia foi fundado em 1996 a partir da junção dos bancos France’s Credit Local e Belgium’s Credit Communal.
  • Unicredit – O banco italiano anunciou que vai cortar 700 empregos do setor financeiro no próximo ano, como parte do plano de redução de custos decidido depois da crise financeira mundial. Neste ano, o banco já cortou 300 postos de trabalho. O Unicredit foi afetado gravemente pela crise e se viu obrigado a anunciar um aumento de capital de mais de 6 bilhões de euros.
  • ING – O grupo bancário holandês recebeu uma injeção de capital estatal de 10 bilhões de euros (R$ 28,4 bilhões) do governo. O grupo se tornou, assim, o primeiro banco do país que vai usar parte dos 20 bilhões de euros (R$ 56,8 bilhões) que o governo holandês, como muitos outros no mundo todo, colocou à disposição das entidades financeiras para enfrentar à situação.
  • KBC – Após resgatar o Fortis e o Dexia, o governo da Bélgica injetou 3,5 bilhões de euros (cerca de US$ 4,34 bilhões) no KBC, único grande banco do país que ainda não tinha recebido ajuda. O KBC, presente em Flandes (norte da Bélgica) e na Europa Central e do Leste, “emitirá 3,5 bilhões de euros em títulos para o Estado belga, a instâncias de iniciativas similares em todo o mundo”, indicou a instituição bancária belga em um comunicado.
  • Banco Português de Negócios – O governo de Portugal decidiu nacionalizar o Banco Português de Negócios (BPN) para salvá-lo da bancarrota. O banco atua no exterior apenas através de uma filial brasileira (Brasil Banco Múltiplo). Nesta crise, seus maiores erros foram cometidos na África, onde o Banco Insular de Cabo Verde foi comprado em 2002. O BPN não informou sobre a aquisição ao regulador português, e foi através desta filial que foram feitas as operações que levaram a entidade a números vermelhos.

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