(Des)caminhos das Índias

india

Convenço-me cada vez mais que Caminho das Índias é o folhetim mais fantasioso – e também desrespeitoso para com outra cultura, jamais produzido por nossa televisão brasileira. Se existe algum traço de realidade naquela trama esse traço ficou submerso no sagrado rio Gânges. Ora, ora… visitei Nova Déli em dezembro de 1987, quando pude participar da dedicação do Templo Bahá´í a Deus e à humanidade, o belo templo de nove lados na forma de flor de lótus, ladeado por igualmente 9 espelhos d´água. E tenho bem viva na memória a noite do dia 27 de dezembro daquele ano quando ninguém menos que Ravi Shankar, o grande músico e poeta indiano, apresentou a sinfonia especialmente criada por ele para aquela ocasião. São as imagens daquela Índia que vi e vivi que não se casam, nem à força, com a Índia que estou me esforçando para ver e quem sabe vivenciar em nossa telinha mágica que é a TV.

Voltando ao folhetim das 8 da noite na TV Globo. Em pouco mais de uma semana que estive em Déli e em Agra, onde fica o famoso Taj Mahal, não encontrei qualquer sinal de opulência, riqueza material, balés artísticos e trajes esvoaçantemente coloridos nas ruas daquelas cidades. Ao contrário, testemunhei muita miséria, pobreza ao cubo, caos no trânsito, multidões se sobrepondo umas às outras. O barulho de buzinas, nas mais variadas tonalidades e em volume sempre muito além do usualmente aceitável, bem caracterizaram qualquer passeio nas ruas de Déli. Claro que existem famílias abastadas, afinal é uma das mais pujantes economias do planeta nessa primeira década do século XXI, além de estar na vanguarda da revolução tecnológica, notadamente no campo da informática. Mas assim posto, fica muito difícil ser condescendente com a trama de Glória Peres, diga-se, uma das mais brilhantes autoras de telenovela do Brasil. Nessa história há um padrão de farsesco que contamina mesmo os detalhes. Chama atenção o destaque dado às superstições e crendices que da forma como são apresentadas parecem derivar da sagrada religião hindu. E isso não é verdade e mesmo, não se sustenta em fatos.  Colocar a questão do dote para o casamento de forma folclorizada é um claro non sense da trama. Um indiano abastado deixar de sair de casa se a primeira imagem que vir ao colocar os olhos na rua for o de uma viúva ou de algum intocável é de rolar de rir. Desfazer uma maldição nupcial casando o personagem com uma bananeira, uma árvore, um animal, é rematada tolice. Não vi nada disso na Índia e se tais costumes e práticas algum dia existiram devem estar ainda enredados na milenar noite dos tempos…

Minha perplexidade é tal que me faz imediatamente pensar em um paralelo possível. Imaginemos que produtores de Hollywood resolvessem fazer um seriado de costumes tendo como pano de fundo o Brasil dos dias atuais e então…

… colocassem homens vestidos apenas com sungas e mulheres trajando minúsculos biquínis ou apenas aqueles do tipo fio-dental em plena avenida Paulista ou nos arredores da Candelária, na avenida Rio Branco ou entrando no Ministério da Justiça em Brasília?

… colocassem pais ensinando os filhos a se precaverem e a temerem a Sucupira, o Saci-Pererê, o Mula-sem-cabeça, o chupacabras, o lobisomem, os ETs de Varginha?

… colocassem mulheres baianas vestidas com os vestidos das baianas do acarajé em pleno Teatro Castro Alves e homens com fantasias do bloco Filhos de Gandhi deitando discursos em inaugurações do governo?

… colocassem gurus, videntes, pais-de-santo visitando apartamentos de algumas famílias abastadas do Leblon (Rio) ou dos Jardins (SP) para tratar dos dias propícios aos negócios, ajustar casamentos entre famílias e os donos das casas sempre a um passo de se prostarem ante seus pés em sinal de reverência?

…colocassem cobras, onças, tamanduás, chimpanzés e multicores araras nas ruas de Belo Horizonte e na Boca Maldita de Curitiba, par a par com os citadinos?

… colocassem mães reverentemente ensinando os filhos adolescentes a venerarem Nossa Senhora (da Conceição, de Fátima, de Aparecida, de Lourdes, do Perpétuo Socorro, de Guadalupe, da Anunciação, dos Prazeres, dos Navegantes etc.) e também a galerias dos santos, com São Francisco (de Assis, de Canindé, de Xavier), São João (Batista, do Latrão, de Sena), quem sabe os adoradores da Medalha Milagrosa ou o pequenino Menino Jesus de Praga?

… pais, irmãos, filhos, netos, avós de repente e sem mais nem menos, logo após ouvirem uma boa notícia transmitida pelo pai da família se levantassem para bailar na sala em sinal de vivo contentamento?

Daria para acreditar nas situações acima mencionadas? A resposta certamente seria a mesma para essa outra pergunta: Daria para acreditar na Índia de Glória Peres?

A televisão brasileira vive um particular momento de viva esquizofrenia. Saem de um folhetim pintado com as cores sombrias de páginas policiais, após haver domesticado o ouvido de milhões de brasileiros com o repetitivo tango pós-moderno pontuando aquelas incansáveis animações de abertura para o frenesi multicor da música Techno embalado por imagens digitalmente multiplicadas de templos e deuses venerados na Índia e em outros países asiáticos. Nesse ponto vejo um profundo desrespeito pelo Sagrado em se tratando daquela particular nação do planeta. Brhama, Vishnu, Krishna, Shiva, Ganesha, são tão sagrados no inconsciente coletivo da raça quanto às aparições do Anjo Gabriel a Maria, a imagem de Jesus e das Nossas Senhoras, o Santo Sudário e a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, a Kaaba dos muçulmanos em Meca, o templo budista de Bohodour na Indonésia, o muro das Lamentações dos judeus na Terra Santa.

Ousaríamos misturar essas imagens sacras do cristianismo, judaísmo, budismo e islamismo com o movimento frenético dos passistas da Marquês de Sapucaí e tendo como trilha sonora a nossa bem reputada música carnavalesca? 

Se existe algo que impede a criação de uma cultura genuína de paz entre todos os seres humanos é, sem dúvida alguma, a forma grosseira como retratamos o que não entendemos ou o que é diferente de nós. Vale ainda, pois dificilmente prescreverá, a regra de ouro de todas as religiões: não devemos fazer aos outros aquilo que não desejamos que seja feito a nós.

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COMENTÁRIOS

Janio Oliveira , Santos-SP – Sociologa/Historiador
Enviado em 26/2/2009 às 10:11:13 PM
Discordo do sr. Solano. Existe a Índia real que não aparece na telinha da Globo. Casei com indiana de Utah Pradesh e sei o quão desapontada ela ficou com a forma caricatural com que seu país, sua religião (o hinduísmo) e seu povo vem sendo retratado. Parece uma nação de extraterrestres, uma multidão de pessoas autistas vivendo em um mundo profundamente dissociado do resto do mundo. Reli esse texto do sr. Washington Araujo e senti que suas palavras calaram fundo na alma de minha esposa. São texto como esse que restituem a dignidade de um povo quando esta se sente em perigo de usurpação. Pelo jeito Sr. Solano o senhor viveu na India mas não captou a alma-mater de nosso povo. Uma pena.
Solano  Reis , Sao Paulo-SP – sociólogo
Enviado em 22/2/2009 às 11:54:54 PM
Discordo do senhor. Morei na Índia por 5 anos, e gosto muito da novela, que me faz lembrar situações que vi e vivi durante o tempo em que estive lá. Assisti casamento de crianças, casamento com pedra, visitei templos onde se adoram ratos e macacos, sessões de cinema onde as pessoas cantam o hino nacional antes do filme começar e dançam as coreografias junto com os atores na tela. Incrediable India: o lema do governo faz todo sentido. Essa novela tem sido muito feliz no retratar os costumes que ainda vigoram nessa sociedade , em que pese todo o seu desenvolvimento econômico. 10.000 anos de história não é pouca coisa. E comparar os deuses do hinduismo com os santos da Igreja católiga é completamente fora de propósito. No hinduísmo o sagrado é vivido em cada ato da vida cotidiana, não está restrito a templos e altares, como no catolicismo. É uma cultura dificil mesmo de compreender, mas pelo seu artigo, posso lhe dizer que senhor não viu a India, mesmo que tenha ido lá. Volte sem preconceito. Vale a pena
Valéria Nogueira , Maringá-PR – Editora
Enviado em 16/2/2009 às 10:56:42 AM
Sobre as emissoras de tv e suas programações, estou de acordo. O povo brasileiro, todos os dias, engole uma enxurrada de mentiras e bobagens. Mas quanto à Índia, acabei de ler uma notícia no Yahoo sobre o casamento de uma menina de 12 anos com um cachorro. Por que? Ela desenvolveu dentes adicionais e isto é considerado mau presságio. Uma atriz de Bollywood, Aishwarya Rai, segundo a notícia, tbém se casou simbolicamente com o deus hindu Vishnu, para posteriormente poder se casar com o ator Abhishek Bachchan. http://br.noticias.yahoo.com/s/16022009/40/entretenimento-menina-indiana-casa-cachorro-salva.html
Odonir Oliveira , São Paulo-TO – aposentada
Enviado em 16/2/2009 às 10:43:35 AM
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009, 06:40 | Online ESTADAO Indiana casa com cachorro para ser salva dos maus espíritos Garota de 12 anos desenvolveu dentes adicionais, algo considerado um mal presságio pelos indianos NOVA DÉLHI – Uma menina de 12 anos casou com um cachorro para protegê-la dos “maus espíritos” que a ameaçavam no estado indiano oriental de Jharkhand, informou nesta segunda-feira, 16, um clérigo tribal local. O casamento, celebrado na localidade de Jamshedpur, aconteceu porque a menor tinha desenvolvido dentes adicionais, algo considerado como um mal augúrio pela população da região, explicou o sacerdote Naresh Manki, citado pela agência Ians. “Em uma sociedade tribal, que uma mulher desenvolva dentes complementares é considerado um mau presságio não só para ela, mas também para os membros de sua família e para toda a sociedade. Para salvá-la dos maus espíritos, a casamos com um cachorro”, disse Manki. A pequena Soni teve que enfrentar o atípico casamento por ser uma “manglik”, uma pessoa astrologicamente maldita para o casamento, segundo a tradição hindu. “As bodas são realizadas como um casamento normal, também se organiza um banquete para aqueles que participam da cerimônia”, acrescentou o clérigo.” … etc.etc. Há muita verdade na narrativa de FICÇÃO de Glória Perez. Aliás, vocês têm assistido aos últimos filmes indianos?
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS – Médico
Enviado em 16/2/2009 às 7:49:35 AM
Caro Marco Antônio Leite , a situação na Índia era assim antes, e continua assim depois dos ingleses. Não foi pelos ingleses que a Índia se separou em Índia, Paquistão e Caxemira. Foram os mongóis que introduziram o islamismo na Índia a força da espada. Interessante o argumento do texto que é um desrespeito não mostrar pobres na novela. Como por sinal ocorre com nossas novelas e nossa Sapucaí. Não foi a dominação fugaz inglesa que criou a pobreza, mas a visão do sagrado cristalizado na cultura, como ocorre com o cristianismo nos seus dois mil anos. No Tibet na época dos Lamas. Na visão do Washington Araújo de que o sagrado deve ser intocado não permitindo se questionar o mesmo. Não se evoluir humanisticamente mantendo de forma cega o “respeito” ao irracional, a devoção às formas primitivas de culturas. Aceitar a pobreza como vontade de Deus, as classes como determinações divinas, a opressão feminina como sagrada. Os intocáveis permanecerem intocados.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG – sem profissao
Enviado em 16/2/2009 às 4:22:16 AM
“Em pouco mais de uma semana que estive em Déli e em Agra, onde fica o Taj Mahal, não encontrei qualquer sinal de opulência, riqueza material, balés artísticos e trajes esvoaçantemente coloridos nas ruas daquelas cidades”: a campanha de publicidade para a melhoria da imagem da India eh mundial. Ha mais dinheiro nessa campanha de publicidade do que pra investimento na India. A India eh podre.
Arnaldo Souza , Sobral-CE – Agitador cultural
Enviado em 15/2/2009 às 11:05:08 PM
Novelinha detestável, ridícula de dar dó, uma coisa sem noção. Coisa exótica por exótica prefiro os desfiles da Sapucaí no próximo final de semana. Concordo com a crítica porque coloca em pé toda a minha indignação com esses arroubls globais de dona da verdade. Vade retro Plim-Plim!!!!!
Carlos  Frederico , SÃO PAULO-SP – Jornalista e Crítico de TV
Enviado em 15/2/2009 às 10:11:30 PM
Trecho para dar cambalhotas: —— ** colocassem homens vestidos apenas com sungas e mulheres trajando minúsculos biquínis ou apenas aqueles do tipo fio-dental em plena avenida Paulista ou nos arredores da Candelária, na avenida Rio Branco ou entrando no Ministério da Justiça em Brasília? ——- Quem sabe a novelista não aproveita o autor como consultor.. fica a idéia hehehe
André Bruno Carrilho , Brasília-DF – representante
Enviado em 15/2/2009 às 10:09:13 PM
Quem nada tem para fazer na vida, vai ver novela mesmo. O que vcs esperavam do lixo que é a TV aberta deste país ? Muda de canal, ou melhor: desliga a tv. Melhor ainda: compra um livro e vende a tv. Quem é Glória Perez? É alguma coisa para se comer, ou para passar no cabelo ?
Antonio Gama Silva , Porto Alegre-RS – Estudante de Direito
Enviado em 15/2/2009 às 10:08:25 PM
Concordo com os comentários de que é para termos cuidado com o mundo segundo o olhos da Globo. Legal a abordagem adotada.
João Malta , Brasília-DF – Bancário
Enviado em 15/2/2009 às 10:05:58 PM
Bom para refletirmos: “Ousaríamos misturar essas imagens sacras do cristianismo, judaísmo, budismo e islamismo com o movimento frenético dos passistas do Marquês de Sapucaí e tendo como trilha sonora a nossa bem reputada música carnavalesca?”
Tão  Ayres , Manaus-AM – Padre
Enviado em 15/2/2009 às 10:04:13 PM
Opinião bem fundamentada.
carolina  Camargos , Belém-PA – estudante de comunicação
Enviado em 15/2/2009 às 10:02:37 PM
Muito bom. Gostei. Quem é o autor?
Utta Rajiv , Sao Leopoldo-RS – Médica
Enviado em 15/2/2009 às 8:21:04 PM
O que fizeram com minhas divindades foi um imenso desrespeito. Meus pais que são 50% indianos acharam um real enredo de escola de samba e nem assistem mais à trama pois em tudo tem um quê de falsidade. Fiquei bem impressionada em ver alguém que pelo nome nem indiano é fazer uma defesa da verdade sobre a India com o mestre em cinema que assinou a coluna. Parabéns.
Sueli Santos Cardoso , Diadema-SP – Jornalista
Enviado em 15/2/2009 às 8:17:06 PM
Esse tal Bandarra é hilário… texto nota 10.
Renan Ribeiro , Curitiba-PR – Funcionário Público – ANATEL
Enviado em 15/2/2009 às 8:15:17 PM
Cadê os pesquisadores dos novelistas? São barrigas e mais barrigas. O texto do araujo mandou bem, ri muito com as imagens sugeridas pelo artigo.
Francisco  Sanguinetti , Goiânia-GO – Médico
Enviado em 15/2/2009 às 8:12:51 PM
é uma n ovela exagerada centrada no colorido das roupas indianas, a India da Globo não tem pobreza indiana e sim pobreza suiça, não tem gente esquálida vagando nas ruas e sim a passeio constante pelos continentes… nunca vi personagens sairem da India chegarem no Brasil e tornarem a fazê-lo com tanta frequencia que a novela parece se passar em um aeroporto e os personagens sao tao reais como uma nota de US$ 3.00 … gostei do texto s[o acho que poderia ter sido mais apimentado, mais agressivo pois coma Globo não se pode descuidar, né?
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP – TST
Enviado em 15/2/2009 às 8:04:13 PM
O Caminho das Índias passa por aqui também… Imaginem os atores da Globo passeando na sujeira do Rio Ganges, pulando entre um cadáver podrão ou outro, ou se lavando nas escadarias. Depois, ao voltar para casa, espantariam até os urubus que estiveram comendo uma carcaça de vaca em decomposição e insistiriam em pousar naquelas roupas lindas se não fosse o mau cheiro deles. Prestem bem atenção: não há sequer uma pessoa com aparência saudável, de gente que come RAZOAVELMENTE BEM, são moradores da miséria, ainda descendentes da exploração britânica. A Índia só tem disso! É um país podre, os lugares visitados por turistas são proibidos para a maior parte da população, existem vaporizadores para perfumar o ambiente. Não se iluda com as belezas apresentadas na novela. A realidade é outra!
Ana Cláudia , Brasília-DF – Jornalista
Enviado em 15/2/2009 às 7:48:16 PM
Muito bom texto. No ponto. Finalmente uma crítica bem escrita sobre a influência nefasta que as novelas globais têm junto a população brasileira.
Martha Assumpção Braghetto , SÃO PAULO-SP – Médica Pediatra
Enviado em 15/2/2009 às 7:46:37 PM
acredito no respeito às culturas e religiões milenares e tb não é de hoje que a Globo usa e abusa de nossa inteligência e paciência. Enviei o artigo para minha lista de endereços e a receptividade me espantoju: praticamente todos concordam com as posições ali apresentadas. Parabéns dr. Araujo.
João Gabriel , Rio de Janeiro-RJ – Farmacêutico
Enviado em 15/2/2009 às 7:30:19 PM
O pior é que teremos essa novelinha se arrastando até o fim do ano… abaixo o caminho proposto para as Índias pela Glória Globo Perez! Vai mistificar assim na caixa prego. Novela pretensiosa essa de querer ensinar sem ter aprendido antes. Estou com o Wasghton e não abro: é desrespeitosa sim!
Suzana Torres , Maceió-AL – Desempregada
Enviado em 15/2/2009 às 7:26:31 PM
Este artigo é show. Parabéns ao autor. Não entendi o azedume do médico Pedro. Acho que ele deve ter mais a ver com o Pandit do Zé de Abreu rsrsrs
Alexis Fonseca , Porto Alegre-RS – Jornalista e psicólogo
Enviado em 15/2/2009 às 7:24:02 PM
Concordo com o texto porque acredito no respeito às culturas e religiões milenares e tb não é de hoje que a Globo usa e abusa de nossa inteligência, nos equiparando todos com esse pretenso Pedro Bandarra. A propósito é uma pena ele não saber dos ótimos longas metragens dirigidos pelo autor W.Araújo… [ ]!
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS – Médico
Enviado em 15/2/2009 às 12:26:37 PM
“Ousaríamos misturar essas imagens sacras do cristianismo, judaísmo, budismo e islamismo com o movimento frenético dos passistas do Marquês de Sapucaí e tendo como trilha sonora a nossa bem reputada música carnavalesca?” Puxa, quantas vezes foi feita, e quantas vezes foi proibida. Eu acho a novela genial. Espetacular quando justamente se prega nestas paragens a verdade absoluta do monoteísmo, a crença como prova do verdadeiro, que quem não é cristão merece o purgatório, senão o inferno. A clara demonstração de que são homens que criam deuses e não eles que realmente existam ou são sagrados por essência! Só isto vale o drama mundano da escritora. Será que Bollywood faz melhor? Quais filmes o Mestre já fez, por sinal?
JANIO PINHEIRO , brasília-DF – engenheiro civil
Enviado em 15/2/2009 às 5:02:07 AM
depois de azedar nossas relações diplomáticas com a suiça será que a globo pretende fazer o mesmo com um pais amigo que possui uma cultura de 5000 anos? vale lembrar que a nossa cultura rasteja com apenas 500 anos e mostra total desconhecimento e desrrespeito com uma cultura milenar. somente o falecido brizola poderia ter dado jeito nisso.
Valdete Ramos , Manaus-AM – Professora Universitária
Enviado em 15/2/2009 às 2:53:03 AM
enfim vida inteligente por esses lados. bem colocadas as ideias, pertinentes no conteudo e mjuito bem escrito. levarei o texto para meus alunos de jornalismo aqui em manaus.
ricardo souzandrade , Cuiaba-Mt – blogueiro
Enviado em 15/2/2009 às 2:51:09 AM
mandou bem. vou visitar mais esse site.
Paulo Mata-Machado , brasília-DF – prendas domésticas
Enviado em 15/2/2009 às 2:09:32 AM
como a maioria notou, caro washington, você tem um belo texto. Confesso entretanto que fiquei um tanto desconcertado com a seriedade do texto: parecia que você estava fazendo a crítica de uma obra do Goethe! Durante a leitura vinham a minha mente alguns velhos anexins, com o sentido de “tratar à vela de libra”, “não se deve jogar pérolas aos porcos”, ou ainda “não morde a abelha senão a quem trata com ela” e outros tais. Televisão, aparecida na minha infância no Rio de Janeiro sob promessas tais (mais ou menos como hoje a internet) virou essa coisa conspícua: uma bobagem. Sempre procuro seguir o sábio conselho de Marx (não aquele, o Groucho) que dizia: “acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro.” Para concluir, convoco os demais “palpiteiros” a reclamarem não do besteirol da autora e da sua trupe momesca, fazendo eco ao seu artigo, mas do administrador do site, que deu-lhe um assunto tão chinfrim…
Jamila Gontijo , Rio de Janeiro-RJ – Relações Públicas
Enviado em 14/2/2009 às 11:33:54 PM
Desde quando a Globo respeita a história, a religião, o bom senso? O autor mostra conhecimento de causa e concordo também que ele escreve muito bem. O texto prende a atenção! Parabéns Araújo.
Jurema Sangiorgi , Juiz de Fora-MG – Jornalista/Radialista
Enviado em 14/2/2009 às 11:30:49 PM
Excelente texto. Pena que não esteja em uma coluna lida como a do Josias da Folha ou no portal UOL, Terra e outro gigante. J´´a não gostava da novela e agora é que não gosto mesmo. Prefiro me enganar sozinha a me enganar com a trama rsrsrs TAMBÉM QUERIA LER O QUE TEM A DIZER O COLUNISTA SOBRE O BBB9.
Régis Almeida Couto , New York-IN – Ator
Enviado em 14/2/2009 às 11:26:55 PM
Poucas vezes li uma crítica de novela tão bem constituída, com início, meio e fim e sem aqueles terríveis achismos, o tal do gosto pessoal. Porque não falam para o BIGFONE pedir a um dos tais heróis do Pedro Bial para ler esse texto para todo o Brasil… de hora em hora? Seria um avanço e tanto…
Jofre Oliveira , Salvador-BA – Arquiteto
Enviado em 14/2/2009 às 11:23:24 PM
agora consigo ver a novela como nunca havia visto antes. primeiro comecei8 a ler jornal de outrro jeito e agora começo a ver novela de outro jeito. o oi está fazendo escola e isto é ótimo. parabéns ao gabaritado articulista. acertou na bola 7.
Carlos Ayres  Vidigal Jr , Campinas-SP – Orientalista
Enviado em 14/2/2009 às 8:19:17 PM
Esse texto deveria mexer com os nervos da inabalável Globo. É que a análise do Washington é impecável, além de erudita, bem-humorada, traz também sua indignação com os des(caminhos) das últimas novelas globais. Ele chama apropriadamente de esquizofrenia. Valeu.
Zé Roberto Roberto , Fortaleza-CE – Escriturário do BB
Enviado em 14/2/2009 às 8:07:00 PM
Legal a idéia do car aí embaixo: que o araujo escreva agora sobre o big bródi bradil… vai ser uma paulada só…
Hengameh Mohtadi , São Paulo-SP – Mestranda de Comunicação
Enviado em 14/2/2009 às 8:04:40 PM
Achei muito boa a matéria… encaminhei a alguns amigos e familiares… Qdo li o texto, meu…. abri um grande sorriso e falei pra minha mãe…Esse é o cara hehehehheh
Fernando Lavareda , Foz do Iguaçu-PR – jornalista
Enviado em 14/2/2009 às 8:00:22 PM
Muito bom o texto. Muito pertinente também. A novela, os personagens são caricatura de uma imagem folclórica que temos da India. E, ainda pior, na programação do “horário nobre”, é o que vem depois: o BBB! Aquele festival de bundas e expressões acéfalas, aquela trama pequeno burguesa que também não passa de uma caricatura do que a nossa sociedade tem de mais vazio e sem sentido. Triste, muito triste. Está cada vez mais difícil fazer televisão neste país.
Antonio Lassance , Brasilia-DF – Professor Universitário
Enviado em 14/2/2009 às 7:57:36 PM
incrível! Não sabia que esta novela está desse jeito. Muito elucidativo esse artigo.
Denise Maira , Brasilia-DF – Historiadora
Enviado em 14/2/2009 às 7:55:22 PM
Identifiquei em mim cada um dos seus sentimentos de indignação contra a barbaridade que esta novela está fazendo! A Glória Peres deve sofrer de algum distúrbio mental e encontrou acolhida no ProJ(ZA)c…:-) Sua análise é bastante pertinente e suas sugestões de cenas hiperbólicas para representar a cultura brasileira estão impagáveis.
Marcio Marques , Brasilia-DF – Jornalista
Enviado em 14/2/2009 às 7:52:05 PM
acho que vc tem razão. também tive o privilégio de visitar a Índia (em 2004), inclusive o belíssimo tempo bah ai em N.Déli, mas sem o Ravi Shankar. pelo que vi da novela, misturaram e carnavalizaram tudo. a pessoa sai de casa e caminha por Jaipur, ora em Varanasi, trabalha em Mumbai. Mistura os tempos, apresentando situações de mil anos atrás, outras de 500 anos, como se ocorressem hoje. gostei do paralelismo que vc fez sobre como seria uma novela sobre o Brasil.
creso a.c.linhares , crato-CE – auxiliar farmacia
Enviado em 14/2/2009 às 5:53:50 PM
excelente materia.porém, como levar estes esclarecimentos ao nosso imenso,populoso,despreparado povo ?10 para esta matéria
Antonio Markan Luz Luz , Teresina-PI – Jornalista/radialista
Enviado em 14/2/2009 às 3:37:50 PM
A Globo é a nossa vaca profana
Priscila Azevedo , Blumenau-SC – nutricionista
Enviado em 14/2/2009 às 3:19:27 PM
Excelente texto. Hä muito não lia algo tão bem escrito, com ótimas imagens, prosa agradável, sincera no tom, apaixonada na defesa da tese maior do respeito às demais culturas, religiões, ideologias. Mesmo assim não deixou de colocar os pontos nos iiiii. Aproveitei e através do Santo Google encontrei o blog do Washington Araújo e fiquei espantado com o seu humanismo. Quem tiver interesse em ler anoto aqui o link: http://www.cidadaodomundo.org Obrigado Priscila.
Antonio  Marcelo , Curitiba-PR – Médico
Enviado em 14/2/2009 às 3:15:47 PM
Muito oportuno o texto sobre a telenovela da Globo, alem de tudo que foi dito, a propria autora da trama, afirmou em entrevista recente que não tem ´´nenhum compromisso em mostrar o mundo real´´, isso em relação ao folhetim em questão.É claro, por ser obra ficcional não tenha em vista essa preocupação com o realismo exacerbado, contudo, como a telenovela desempenha, no Brasil, um papel alem do entretenimento, sendo encarada por muitos como parametro de moda, atitudes e comportamentos,não resta duvida que um folhetim global, que dura em media oito meses deixa marcas e paradigmas ´´culturais´´ nas cabeças das pessoas. Em suas mensagens, nao tao ´´subliminares´,´ transparece a necessidade de ruptura dos modelos tradicionais de culturas,usando o nucleo ´´ indiano´´ para fazer essa construção ou desconstrução. Os nomes dos personagens, que a principio não seriam ´´memorizados´´ pelos brasileiros ja se tornam-se comuns com o passar dos capitulos, assim como as musicas e danças que dão pano de fundo a novela. Aos poucos, os brasileiros conhecem o “caminho das Indias´´, vestindo, comprando, ouvindo e tornando-se real diante do ´´demcompromisso com a realidade´´ da autora. Antonio Marcelo
Odete Maria Guerra , Salvador-BA – Professora
Enviado em 14/2/2009 às 2:49:32 PM
Duas frases que anotei desse excelente texto, a primeira e última. São frases de um bom jornalismo. Ei-las: 1) “Convenço-me cada vez mais que Caminho das Índias é o folhetim mais fantasioso – e também desrespeitoso para com outra cultura – jamais produzido pela televisão brasileira. Se existe algum traço de realidade naquela trama, esse traço ficou submerso no sagrado rio Gânges.” 2)”Vale ainda, pois dificilmente prescreverá, a regra de ouro de todas as religiões: não devemos fazer aos outros aquilo que não desejamos que seja feito a nós.” Serão temas em sala de aula.
Renato  Cozelli Limaverde , SÃO PAULO-SP – Jornalista e Crítico de TV
Enviado em 14/2/2009 às 2:41:51 PM
Certeiro, certeirissimo. O texto aliou duas coisas pouco comuns em nossa crítica dos meios áudiovisuais: profundidade/conhecimento do assunto e elegância na escritura. Gostei muito e estou repassando essa matéria a alguns doutorandos amigos ainda deslumbrados com a indústria de folhetins que é a Rede Globo. SUGESTÃO: O que o Washington Araujo pensa do programa Big Brother Brasil? Bem que este Observatório poderia pedir a ele que abordasse essa outra excrescência na grade de programação da emissora mais assistida de nosso “pobre” país!
Clovis Eduardo , SPA-RJ – Estudante de Comunicação
Enviado em 14/2/2009 às 2:10:15 PM
Como apreciador da cultura indiana/paquistanesa, tive as mesmas reações quando tentei assistir aos capítulos da novela em questão. TUDO MUITO CARICATO. Nem de longe lembra a índia Hi-tec e apaixonada pela sétima arte. A novela parece mais uma aula idiota de religião do que uma apresentação da cultura hindu.
Roberto Monteiro , Belo Horizonte-MG – aposentado
Enviado em 14/2/2009 às 10:34:08 AM
Como faz falta o Sérgio Porto – Stanislaw Ponte Preta – e o seu FEBEAPÁ (Festival de Besteira que Assola o País)? É muita audácia de Dona Glória escrever novela sobre outro povo, outra cultura… E é reincidente. Já mistificou sobre os islâmicos anteriormente.
dante caleffi , rio de janeiro-RJ – publicitário
Enviado em 14/2/2009 às 10:04:35 AM
E o Merval Pereira, aonde se encaixa,nisso tudo?
Sandra Freitas , Rio-RJ – Advogada e Jornalista
Enviado em 13/2/2009 às 7:29:52 PM
Também gostei da abordagem, do texto e estou encaminhando a alguns emails de amigos. O comentario do senhor de querer ser uma bananeira é machista e ridículo, talvez uma amostra de sua [ ]. Fazer o quê?
Luiz Antonio de Sousa da Silveira , Rio de Janeiro-RJ – Engenheiro
Enviado em 13/2/2009 às 3:46:20 PM
Com todo o respeito, eu só queria ser aquela bananeira que teve a sorte de casar com a Juliana Paes. Apenas por uma lua de mel e algumas semanas.
Sandra  Batistelli , Curitiba-PR – editora
Enviado em 12/2/2009 às 10:58:31 PM
Ótimo texto, bem fundamentado, arguto e reflexivo.
rafael palomino , araraquara-SP – professor
Enviado em 12/2/2009 às 9:02:57 PM
Não querendo cair em relativismo cultural, note-se que nessa novela vem se tratando aspectos da cultura indiana (que não conheço, deixemos claro) com olhar ocidental. O caso dos casamentos é exemplar. É como se a forma como os indianos têm seus relacionamentos amorosos fosse errada, e eles quisessem muito se libertar disso para terem namoros e casamentos da forma “correta”, leia-se, a do Ocidente.
José  Niskier , Belo Horizonte-MG – Sociólogo
Enviado em 12/2/2009 às 4:08:34 PM
Bem fundado o texto do Washington Areújo. Resolvi fazer cópias e repassar para meus alunos na PUC. Parabéns pela assertividade e pela elegância com que este destrói uma trama sem ter que resvalar para o velho “achismo” e para a sanha denunciatória disso e daquilo. Muito bom.
Vanessa  Ribeiro Mohtadi , Barcelona-IN – jornalista
Enviado em 12/2/2009 às 9:59:04 AM
Excelente reflexao. Moro em Barcelona, mas acompanho a TV Globo no canal internacional. Tive a oportunidade de assistir a nova novela de Gloria Perez um par de vezes e achei exagerada, grotesca e de muito mal gosto. Realmente faltou investigaçao e se existiu, foi muito superficial.
Jordana Araújo , Brasília-DF – Estudante de Jornalismo
Enviado em 11/2/2009 às 11:39:23 PM
Essa Índia só existe mesmo no mundo da globo. Incrível como toda a trama não passa de ilusão… E, por que a filosofia de Gandhi não é transmitida com veemência?
Gilberto de Oliveira , Salvador-BA – funcionário público
Enviado em 11/2/2009 às 7:00:50 PM
Para uma emissora que tem o costume de ridicularizar os nordestinos com costumes estapafúrdios (as expressões “menino-homem ou menina-mulher”, “morte morrida ou morte matada”, “seu painho, meu painho”), pronúncias esquisitas como “ole”, “visse”, “óxente” (com O aberto), e aquele sotaque caricato que não existe em lugar nenhum, isso não é novidade. Vem aí mais uma reprise: “Senhora do Destino”, com a canastrona e aficcionada por rapazes Suzana Vieira, cuja interpretação nesta novela foi considerada aqui no Nordeste como a do PIOR SOTAQUE NORDESTINO na TV de todos os tempos. E o pior é que fora do Nordeste as pessoas acreditam que falamos desse jeito. Por que não acreditarão no folclorismo indiano da atual chatice das oito? O público da TV foi imbecilizado por décadas de programação alienante. O que vier, ele traça.
Teresa Silva , NOVA FRIBURGO-RJ – Bibliotecária
Enviado em 11/2/2009 às 1:15:07 PM
Outro mico dessa novela é a personagem da Juliana Paes: se ela é de família rica, por que trabalha em telemarketing?
Carlos Fochesatto , Caxias do Sul-RS – Professor
Enviado em 10/2/2009 às 9:24:34 PM
Pois é! Tenho visto partes de alguns capítulos e chego a rir de tanta imbecilidade que milhões de brasileiros estão vendo. É uma mistura de algumas coisas, poucas da Índia de hoje, com de séculos passados e seitas das diveresas regiões de lá. Muito boa essa idéia de Hollywood e fico imaginando como seria a reação dessa rede brasileira que através de seus ventrílogos iriam dizer que eles lá do norte não entendem nada de Brasil. É divertido demais.
Luiz  Geremias , Curitiba-PR – jornalista
Enviado em 10/2/2009 às 6:15:58 PM
Parabéns pela abordagem. Mais um mico pago pela Globo. É vergonhoso.
Rodrigo  Lima , São Paulo-SP – filósofo
Enviado em 10/2/2009 às 6:05:26 PM
Muito pertinente esta análise do Araújo: acerta no conteúdo e na forma. Aliás, há algum tempo venho lendo os textos do Washgton Araujo e sempre encontro uma forma diferente de abordar temas corriqueiros, como por exemplo este, que trata da novela da 20 horas da rede Globo. Parabéns pessoal do OI.


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