Epitáfio para um mundo impossível

byeImpressiona o fato de ouvirmos, lermos e assistirmos jornalistas, alguns realmente ´especialistas em crises`, abordando o débacle econômico que se instalou no mundo na última quadra do ano passado. A cobertura tem sido, em geral, sobre as empresas que decretaram falência, a massa de desempregados em espiral ascendente, as tratativas dos diversos governos visando aprovar aporte de recursos financeiros públicos para a cambaleante iniciativa privada. Em outras palavras, a mídia repercute o caso em si e esquece de analisar a conjuntura do ocaso, em si, do atual sistema político e financeiro do mundo. A informação midiatizada dá conta da doença, dos sintomas, do comprometimento dos órgãos, da entrada ou saída da UTI, mas deixa de lado diagnósticos precisos que levem em consideração as causas da enfermidade e do mal-estar vivido pelo paciente.

Está cada vez mais perceptível, sob qualquer ângulo que se analise, que vivemos em uma ordem mundial cambaleante e insustentável. Um sistema que reproduz um padrão de desigualdade brutal, vitimizando milhões de seres humanos, condenando boa parte da população da vasta maioria de países a uma existência física abaixo da linha da miséria. Longe de estar alinhavando frases soltas ao vento, socorro-me de informação prestada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): a soma da renda das 500 pessoas mais ricas do mundo supera a de 416 milhões mais pobres. Um multimilionário ganha mais do que 1 milhão de pessoas!

Esta constatação serve na medida como epitáfio de um mundo impossível de ser mundo, um mundo constantemente a desafiar o mais comezinho bom senso sobre o que nos reserva o futuro. A produção mundial segue de vento em popa e carrega consigo o estigma real das desigualdades sociais. Basta que entendamos que atualmente, 80% da produção industrial do mundo são absorvidos por apenas 20% da população que vive nos países ricos do hemisfério Norte. E neste tocante, toquem os sinos da indignação nos campos e vilarejos, nas minas de carvão da Bolívia, nas escavações dos garimpos paraenses, nos grotões indianos de inimaginável miséria: Os Estados Unidos, embora tendo apenas 5% da população mundial, consomem 30% dos recursos do planeta!

O senso de vergonha e a falta de solidariedade para com “os condenados da Terra” por parte da perversa minoria detentora do capital pode ser melhor mensurada através dessas singelas informações apuradas pela revista Forbes, a bíblia da cabeceira de 10 entre 10 afluentes:

         Os bilionários de hoje, que se dizem viver a maior crise de suas vidas, consideram sensato desembolsar a bagatela de US$ 160 mil por um casaco de pele;

         Comprar 12 camisas da loja londrina Turnbull & Asser por US$ 3.480;

         Assinar um cheque de irrisórios US$ 241 mil por uma noitada em uma boate noturna, como fez recentemente Robert McCormick, presidente da Savvis, empresa que monitora os computadores da bolsa de Nova York;

         Adquirir o Bentley 728, conhecido como o automóvel mais caro do mundo pela módica quantia de US$ 1,2 milhão.

Fatos, estatísticas, números frios e infelizmente mais para exatos que para inexatos, como os acima apresentados deveriam fazer parte de qualquer agenda de governo, seja ele qual for, pois há que se sanar tamanho desequilíbrio e tão portentosa desfaçatez com o destino 2/3 da humanidade. Deveriam ser manchete, mas não são. Deveriam estar em Davos anualmente, mas não estão. Deveriam ser veiculados em horário nobre das emissoras de maior audiência na escala planetária, mas não são. Esse lugar vem sendo preenchido pela derrocada dos grandes conglomerados financeiros e industriais, pela montanha russa desgovernada com que se deseja escrever a cena econômica atual: índices oscilando mais e mais para baixo, pacotes governamentais sempre surgindo no horizonte, filas de desempregados preenchendo percursos equivalentes ao da Grande Muralha da China.

Enquanto a fome é distribuída igualitariamente o bem-estar e a comodidade de viver continuam privilégio de uns poucos que, encastelados em suas redomas ora trincadas, ousam lamentar a diminuição de seus bônus como presidentes de grandes empresas norte-americanas para míseros US$ 500.000,00 – mesmo que por essa quantia cerca de 500.000 pessoas teriam acesso a, no mínimo, um prato quente de sopa, o que para parte dessa multidão de deserdados da Terra, significaria a única alimentação acessível em 24 horas.

A crise trombeteada aos quatro ventos pela mídia mundial está longe de ser financeira, econômica, política. A crise, mesmo, aquela que veio para valer, é a crise que fará o mundo mergulhar em uma tomada de consciência jamais tentada, a crise de valores humanos, a crise que irá parir um mundo consciente de que, longe do ideário de que o gênero humano é apenas UM, não existe qualquer forma de salvação ou de… cura.

 

—————————

COMENTÁRIOS


Gisele Pinna , Curitiba-PR – arquiteta
Enviado em 25/2/2009 às 10:30:48 PM
Acabo de ler um livro “QUE CRISE É ESSA?” onde o autor aborda de modo prático a farra de WALL STREET em criar e destruir riqueza. Criar para eles e destruir p o mundo… Recomendo pois há algumas informações que a imprensa não publica. Além disso tem umas dicas práticas para se virar na crise. Gisele
Haroldo M. Cunha , São Gonçalo-RJ – Gestor Social
Enviado em 23/2/2009 às 2:52:24 PM
Humberto Guimaraes, gosto dos seus comentários, sempre bem escritos e lúcidas, mas na MINHA OPINIÃO meis-sola tem dois sentidos: é meio-caminho do avanço, mas também é meio-caminho de retrocesso. Por issso, PENSO, as soluções meia-sola não cabem atualmente, ou se é avanço ou retrocesso. E o texto analisa um grupo de indivíduos que estão pouco se lixando para a crise e a imprensa mundial não fala sobre isso. São esses indivíduos q irão receber, através de suas empresas, os recursos para a debelar a “crise”. O texto, na minha opinião, é crítico ao posicionamento da midia, ele não apresenta soluções econômicas, apenas humanas para uma crise de bestialidade financeira, ele escancara os bastidores financeiros do mundo. Como ele bem escreveu, é uma crise de valores humanos. Há, mais uma opinião, ainda que prosaica: a menos que meu dinheiro queime em um incêndio, seu o perder, alguém vai achar! Então, onde está o fomoso “com a crise, todos perdem?”. Tem doido rasgando dinheiro? Abraços sinceros.
Antonio Patricio , Brasilia-DF – Professor Universitário
Enviado em 23/2/2009 às 2:05:00 PM
Existem pessoas que querem tudo mastigado, ou seja, além de lhe ser dito que a crise é de outra natureza ainda se tem que discorrer sobre como se conserta isso e aquilo. É como se sentir no direito de exigir diagnóstico, receita médica e dinheiro para compra do medicamento. Se não fizer isso o cara está ferrado pois existem cabecinhas que não sabem admirar um bom texto e nem conseguem vê-lo como combustível para a tarefa de pensar. Paul Krugman e Saint-Simon parecem ser o tais. Porque então suas receitas não dão certo? Nesse caso é trocer tb para o estalo, o sonho, a utopia? Então, tá.
Osvaldo Cruz Moreira , São Paulo-SP – Consultor TI
Enviado em 23/2/2009 às 8:19:19 AM
Ok… Não há como não concordar com tudo. A leitura da conjuntura atual, em todos os níveis e segmentos apontam para um choque ideológico, pelo qual muitos esperam, inclusive eu. A impressão é que mudanças deverão ocorrer iminentemente. O sintoma mais forte é o posicionamento da mídia corporativa. Dos bastiões da intelectualidade que cuidam do “gado” com arroubos de cobertura e entrevistas dissimuladas, e continuam a acreditar que o “gado” será sempre gado. O que me faz acreditar cada vez mais nas mudanças é um certo frio na barriga e um pouco de medo das consequências…
Humberto Guimaraes , Rio de janeiro-RJ – aposentado
Enviado em 23/2/2009 às 1:34:35 AM
Há pessoas que descartam coisas assim:li e não gostei.Talvez fosse,realmente,melhor mudar o mundo de estalo, não com soluções meia-sola.Soluções de sonho todos temos quando queremos outro mundo, ótimo,que substitua este, tão ruim.Mas são necessárias ações que tenham eficácia para mudar um pouco, pelo menos, mesmo que seja meia-sola.Para isso é preciso apontar em que consiste o problema e este não está certamente na esfera moral, mas sim na constituição atual das instituições do mundo.Senão bastaria rezar ou fazer uma corrente positiva, por meditação, e todos virariam bons e o mundo se veria diante de novos valores morais, e o paraíso estaria refeito.Mas é preciso mostrar que falhas são essas, o que causam, como atacá-las para a mudança. O sonho muda tudo, de repente, mas não age para fazer isso, então, não muda nada. Colocar a solução dos problemas numa pretensa mudança de consciência, de valores, sem dizer como operacionalizar isso,sem sequer se preocupar em saber que crise é essa,é como dizer, não falei: o problema é do egoísmo, da falta de solidariedade.Mas Saint-Simon, socialista utópico, há séculos atrás, já percebia todos os malefícios do capitalismo e mandou cartas para o rei e para os nobres, dizendo que tinha uma solução que transformaria o mundo, com os homens mudando e sendo felizes. Advinha se algum nobre ou rei apareceu? …E Saint-Simon ficou esperando…
Sonia Gratz , Vila Velha-ES – Historiadora
Enviado em 22/2/2009 às 6:41:46 PM
A grande imprensa prefere reverberar os efeitos pois é mais rápido e não exige uso de massa cinzenta… mas pensar as causas é aí que está o bom jornalismo… Parabéns OI pela contratação do Washington. ele pensa.
Antonio  Patricio , Brasilia-DF – Professor Universitário
Enviado em 22/2/2009 às 6:38:22 PM
Li o livro do Krugman mas não concordei com as teses dele: são soluções meia sola. A questao de fundo tem a ver com os tais valores humanos levantados no texto pelo Araujo. O colunista foi feliz no approach, tem amplitude seu raciocinio. O Krugman é mais para a academia, naquele jeitão “eu não disse”?
Eder Fonseca , Cândido Mota-SP – Estudante Universitário
Enviado em 22/2/2009 às 12:57:47 PM
Parabéns pelo texto! É necessário cada vez mais colocarmos na pauta do dia as discussões sobre os ideiais pelos quais as pessoas tem norteado suas vidas. Chegamos num ponto extremo, no qual o modo de vida tem causado barbaridades inaceitáveis. Precisamos retomar as dicussões, colocar o humanismo no centro, e como guia, para que novos tempos possam surgir.
Humberto Guimaraes , Rio de Janeiro-RJ – aposentado
Enviado em 22/2/2009 às 12:53:23 AM
Embora não negue as mazelas existentes no mundo atual,não concordo que estamos diante “do ocaso, em si, do atual sistema político e financeiro do mundo”, que acabará por “parir um mundo consciente”. Isso não se consegue apenas com boas intenções expressas em palavras indignadas. Há um livro de Paul Krugman (A Crise de 2008 e a economia da depressão – Ed.Campus), em que o autor mostra que a crise atual é semelhante às crises do México em 80, da Ásia e Rússia na década de 90, do Brasil em 1998 , da Argentina em 2002. Apenas, agora a escala é maior. Krugman discorre sobre os determinantes de cada uma das crises passadas e da atual, encontrando um pano de fundo comum. Não dá para em 1400 toques tentar resumi-los. O livro foi escrito para qualquer um entender, ou seja, não é escrito em economês. O autor não se choca apenas. Propõe ações urgentes, detalhando-as, para modificar a situação atual deixando para depois a regulação do sistema financeiro (sugerindo como), a fim de impedir novas crises nestas proporções. Exortando W.Araujo a ler o livro, encerro com algumas palavras de Krugman, que parecerão simplórias, caso desacompanhadas de toda a análise profunda que no livro aparece: “O que o mundo precisa neste momento é de uma operação de socorro (….), a eliminação das deficiências que possibilitaram essa crise é essencial, mas esse objetivo, no momento , não é prioritário.”
João Ayres , Rio de Janeiro-RJ – Professor Universitário (UFRJ)
Enviado em 21/2/2009 às 4:47:24 PM
Há falta de analistas da crise na grande mídia bem alimentada por esse sistema financiero que produz miséria a cada segundo. Sua análise atinge o alvo que é o coração dessa imprensa do faz-de-conta, onde é só repercutir a falência dos órgãos, um a um como castelo de cartas ou pedras enfileiradas de dominó. Quem viver verá. Parabéns pela lucidez do texto. Estou me acostumando a pensar de outra forma que não aquela induzida pela grande imprensa. Há que se buscar as causas e ficar rouco de tanto ouvir. Xeroquei essa coluna para o mural dos professores e encaminhei do site para toda a minha lista de contatos. Será discutido em sala de aula pós-carnaval.
José Mariano , Florianópolis-SC – professor
Enviado em 21/2/2009 às 11:48:31 AM
Muito importante sua reflexão, Washington Araújo. Mas como a máquina produz mais dinheiro e este não tem nenhum valor-de-uso, ficamos na mesma. Os milionários se divertem no camarote carnavalesco do munto. A crise puxa sempre o rabo do mais fraco, como o desemprego em massa, por exemplo. E os capialistas do Wall Street estão cagando e andando. Infelizmente!
Ade Passos , são paulo-SP – administrador
Enviado em 19/2/2009 às 12:42:16 PM
PERDÃO!!! Não é W. Azevedo. É WASHINGTON ARAÚJO Quis economizar espaços, abreviando com W. e acabei cometendo um erro enorme. Peço desculpas. Abraços Ade Passos
Angelica Gomide , São Paulo-SP – Comunicação Social / Filosofia
Enviado em 19/2/2009 às 12:40:02 PM
Amei o texto pela forma escancarada de por o dedo na ferida de uma era que já vai tarde. Ninguém percebe que vivemos em um mundo falido de valores e vazio de esperanças? A mídia está desnorteda, como sempre, em meio às crises que se sucedem. espetacularização continua sendo o modo contínuo de nossos jornalões e das revistas semanais, a tv fazendo o que sabe fazer que é o seu showrnalismo de hora em hora. Triste mundo. Pelo menos a crise vale por esse artigo.
Walter Brito , Fortaleza-CE – Administrador de Empresas
Enviado em 19/2/2009 às 12:34:19 PM
Acontece que um sistema não é derrubado de um dia para outro. Entendo que o Washington está olhando do ângulo certo – a crise mundial prenuncia a falência de valores capitalistas consagrados antes mesmo do velho Marx e seu manifesto comunista de 1844. Mandei para meus funcionários e afixei no mural da empresa pois é um texto tremendamente lúcido e visionário. Bravo.
Ade Passos , sãp paulo-SP – administrador
Enviado em 19/2/2009 às 11:17:47 AM
Perfeito!Até os comentários,são unanimemente de congratulação com o W.Azevedo.[ ] ..Qto às notícias do REFLEXOS da crise,pela mídia:mas é para isso que a mídia serve:para aterrorizar o cidadão.Vai q alguem escreve algo q não é bem digerido por algum dos grandes anunciantes?Ou, pior,vai q o articulista mais dia, menos dia,precisa mudar de emprego?E aí o futuro chefe tem a cadeira a conservar e o candidato tinha manifestado pensamento não colaboracionista?É difícil-eu não li-noticiarem q a emissão de moeda para SOCORRER capitalistas,é uma facada a mais no povo.Fazer favor com o chapéu dos outros.Mais moeda em circulação,mais inflação.E a responsabilização civil e criminal pelos danos universalmente causados pelos donos do capital,pelos Mestres,Doutores,PhDs em economia e finanças?Só há um jeito:O POVO DEIXAR DE CONSUMIR ÁLÉM DO ESTRITAMENTE NECESSÁRIO DURANTE SEIS MESES..E OS GOVERNOS NÃO”SOCORREREM”OS POBRES CAPITALISTAS..é queda de braço?É.Demitam-se TODOS os empregados,qdo mandarem alguns embora!Essas manif de 15m.só mostram covardia
Angelo Azevedo Queiroz , Brasília-DF – funcionário público
Enviado em 19/2/2009 às 12:16:15 AM
Tudo muito bonitinho. só que esse vaticínio de fim do capitalismo já foi feito milhares de vezes antes, desde Karl Marx até ontem. Isso não tem base nenhuma. No momento exato em que o autor pervê que a era de aquário finalmente chegou, a China se consolida com uma gigantesca economia capitalista com mais de um bilhão de pessoas. Se o capitalismo vai acabar um dia? É possível, por que não? Tudo tem começo, meio e fim, não é mesmo? mas não vai ser por agora, tenho certeza. Enquanto isso, acho melhor tentarmos entender como funciona o capitalismo e tentar tirar o melhor proveito dele.
João Olivença , Recife-PE – Jornalista
Enviado em 18/2/2009 às 5:25:10 PM
Excelente texto. Pegando o gancho da crise de Wal Street e assemelhados o articulista avança para as questões que realmente interessam: os direitos humanos, o abismo entre ricos e pobres, a consciência voltada para os mais vulneráveis. Estão de parabéns.
Viviane  Gonçalves , Salvador-BA – Secretária Executiva
Enviado em 18/2/2009 às 12:17:14 PM
Parabéns pelo maravilhoso artigo! Nos leva a uma grande reflexão.
César Dorneles , Porto Alegre-RS – Professor
Enviado em 18/2/2009 às 9:04:32 AM
Bravo! Não é por acaso que deixei de ler jornais para me informar melhor na internet!…
Nielsen Sant´anna , Joinvile-SC – Professor universitário
Enviado em 17/2/2009 às 5:47:31 PM
E também adiciono que é difícil manter o foco, a cada momento uma nova tragédia se abate protagonistas vulneráveis (pobres, negros, índios, pouco instruídos dentre outros) e então a mídia preza apenas o bombástico, a tal velha lição de meus tempos de UFSC: é notícia o sujeito morder o cachorro. O problema é que o cachorro já não tem mais perna a ser mordida. Concordo com o autor em sua requintada (e não requentada) análise.
Ana Clara Guaranys , Belo Horizonte-MG – Jornalista/Economista
Enviado em 17/2/2009 às 5:18:19 PM
A mídia prefere sempre o caminho mais fácil do quem, onde, como, porque, etc etc tudo isso só nos faz ter que aturar textos pasteurizados… bem que poderia haver mais textos dirigdos ao pensamento crítico. O mundo mudou mas o lead parece intocável. Hoje o mais importante é se responder porque tal coisa? porque tal crise? porque chegamos a esse ponto? Congratulações ao autor desse texto que parece remar contra a maré…
Carlos Ayres Vidigal Jr , Brasília-DF – Jornalista
Enviado em 17/2/2009 às 5:12:17 PM
É assim que redescobrimos o prazer de ler. E interessante que é o mesmo articulista sobre o (bom) artigo tratando da novela da Globo. Vida longa no OI.
Arnaldo Sanchez , Salvador-BA – Gerente Financeiro
Enviado em 17/2/2009 às 5:10:35 PM
Oportuna reflexão. Concordo com a maioria dos comentaristas. Acho que o Bucci poderia ter saído do muro na questão do Jarbas Vasconcelos. A crise é de valores mais que de finanças. Vou repassar o texto.
Jonas Ribeiro , Macaé-RJ – Jornalista e Historiador
Enviado em 17/2/2009 às 3:55:52 PM
Há textos e textos, opiniões e, obviamente hehehe, opiniões. Gostei da forma como o Araujo tratou da crise sob o viés da mídia. Está correto o quadro pincelado… Enquanto isso vemos Eugenio Bucci, torrando tanta tanta tinta com as amarelas de VEJA desta semana. Como disse Ethevaldo Pontes, o factóide de Veja é evidente. Jarbas quer ser vice de Serra. E Serra precisa de um porta-voz para fazer críticas contundentes contra Lula e Dilma. Basta ver que dois terços das amarelas são usados para desancar Lula e apenas um terço para falar o que as pedras já sabiam. Por sinal, será o PMDB de Serra não é corrupto? E o que faz o impoluto senador nesse pântano tantos anos? O fecho da entrevista é exemplar: vou apoiar Serra para salvar o mundo do Apocalipse.
antonio  Gama , Vitória-ES – jornalista
Enviado em 17/2/2009 às 3:52:02 PM
Show. Ironia e bom jornalismo sempre formam uma dupla da pesada: === Enquanto a fome é distribuída igualitariamente, o bem-estar e a comodidade de viver continuam privilégio de uns poucos que, encastelados em suas redomas ora trincadas… ===
Romeu Juliano , Caxias-RS – Médico
Enviado em 17/2/2009 às 3:48:25 PM
Diagnóstico bem feito: a mídia está nos devendo uma ação à altura do proposto pelo colunista. Repassei para meus filhos lerem o artigo. De vez em quando é bom que o Observatório abrigue pensadores criativos. Nesse texto há humanismo, economia, ética, jornalismo e uma dose de idealismo que sem este é difícil segurar o tranco.
Sandra  Coelli Oliveira , Mossoró-RN – Economista
Enviado em 17/2/2009 às 3:45:13 PM
Bravo. Finalmente alguém se preocupa com as causas da crise. De efeitos estamos fartos: desemprego, fome, sistema de saúde falido, educação sem investimentos, arrocho salarial, subemprego. Uma desgraceira só. Acho mais que oportuno – na verdade já chega com atraso de alguns meses – diagnósticos com o do Wasghton Araujo. Ah, que fecho bombástico hein? “A crise, mesmo, aquela que veio para valer, é a crise que fará o mundo mergulhar em uma tomada de consciência jamais tentada, a crise de valores humanos, a crise que irá parir um mundo consciente de que, longe do ideário de que o gênero humano é apenas um, não existe qualquer forma de salvação ou de… cura.” Parabéns galera do OI.
sueli Santos Santos , SÃO PAULO-SP – Jornalista
Enviado em 17/2/2009 às 3:14:53 PM
Perfeito, certeiro, certeiríssimo. Não é de agora que o establishment mundial se sustenta na injustiça, no imenso abismo entre poucos ricos e milhões de miseráveisw. Fiquei particularmente feliz em ver tanta informação bem encadeada facilitando um juízo crítico por parte do leitor. Que o epitáfio seja logo pregado na tampa do caixão.
Paulo Renato , Brasília-DF – Médico
Enviado em 17/2/2009 às 2:55:00 PM
Li de um só fôlego o texto do Washington. Concordo com tudo. As estatísticas financeiras são um prmor e enfeixam bem o humanismo que permeia a inteira argumentação. Lamento apenas que dificilmente a mídia internacional irá mudar o eixo da cobertura, que realmente é evidente, privilegia os efeitos imediatos e deixa ao relento suas possíveis causas. O autor está mais para patologista de uma época que para um mestre em comunicação. Estou enviando o texto para divulgação na Adital. Sugiro que dêem destaque no site.

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Observatório da Imprensa
  • Vale

ESPAÇO PUBLICITÁRIO

  • Carta Maior
  • Meu Advogado