Sobre os 16, 17 anos de ontem e de hoje

HesseÉ impressionante a força que as idéias têm quando temos apenas 16 ou 17 anos de idade. Nosso anseio de consertar o mundo é tão intenso e sincero e genuíno que até mesmo passamos a acreditar que tudo é possível sim, que nada ficará para depois, que o que dá um sentido à vida dá um sentido também à morte. Mas hoje fiz um passeio visual pela juventude de 2009, passando pelos blogs e pelas revistas, dando uma olhada nas grades de emissoras de tv voltadas para a juventude. Fiquei impressionado. Um festival de nada com nada. Cabeças vazias pontificando aqui e ali. O único culto a unir diversas faixas de idade, mas dentor do intervalo de 13 a 20 anos, é o culto à estética, à saúde física, à beleza dos rostos e dos corpos. A maior vitrine que temos de há quantas anda a nossa juventude pode ser conferida 24 horas por dia (nos canais pagos) e em pouco mais de uma hora em horários nobres diários (nos canais de acesso livre) através do Big Brother Brasil 9. Ali reconhecemos o pobre linguajar de nossos jovens, a sem cerimônia no uso e abuso de palavras de baixíssimo calão, o excesso de gírias, caras e bocas e a falta de argumentação razoável  para defender qualquer que fosse o ponto de vista. Há alguns anos participei aqui em Brasília de uma equipe que monitorava “a baixaria na televisão brasileira”, ou seja, o nivelamento sempre por baixo (muito baixo!) dos programas apresentados em canais abertos. Observo que muito pouco mudou de 2002 para 2009. A apelação incontida por nus, a caricaturagem da realidade fazendo 95% do conteúdo dos tais humorísticos de nossa telinha, a transmissão de filmes que se excedem em cenas de violência, a continuidade de programas de auditórios que parecem ter nascidos junto com a própria existência do meio chamado televisão – enfim, tudo isso sendo reprisado ad infinitum. Sidarta, Demian, Knulp, Emil Sinclair, Roshmund… personagens de Hermann Hesse fazem uma falta imensa à atual geração. Se um dos objetivos de qualquer geração é moldar o processo decisório dos anos à frente, não temos muito a comemorar ou a abastecer nossa carga de esperanças em um mundo melhor, mais humano, saudável e sobretudo, habitável.


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