A União Européia emitiu uma declaração em 17 de fevereiro expressando sua “profunda preocupação” em relação aos planos do Irã de levar a julgamento sete líderes bahá’ís por espionagem e outras acusações. A Comunidade Internacional Bahá’í exigiu sua imediata libertação, sustentando sua inocência e caracterizando as alegações do regime islâmico como uma “escalada de suas medidas repressivas e sistemáticas em contra os bahá’ís”.

A declaração da União Européia coincidiu com uma crescente e marcante retórica anti-bahá’í das autoridades iranianas, que disseram que o julgamento dos sete deve ocorrer em uma semana.

Os sete líderes bahá’ís estão presos em Teerã há mais de oito meses. Até o momento, nenhuma evidência formal foi encontrada em contra eles e o acesso à sua advogada, a Nobel da Paz Shirin Ebadi, lhes foi negado. Mais 30 bahá’ís estão presos no Irã, e cerca de 80 outros prisioneiros foram liberados mediante apresentação de garantias.

A União Européia ressaltou sua preocupação de que “tendo estado presos por tanto tempo sem um processo adequado, os líderes bahá’ís podem não receber um julgamento justo.

“Por conseguinte, a União Européia solicita à República Islâmica do Irã que permita que observação independente dos procedimentos do julgamento e que sejam reconsideradas as acusações levantadas em contra esses indivíduos”.

O documento foi endossado por todas as 27 nações que compõem a União Européia, juntamente à Turquia, Croácia, Macedônia, Albânia, Montenegro, Islândia, Liechtenstein, Noruega, Ucrânia, e Moldávia.

 

Já no Brasil, também no dia 17 de fevereiro, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados enviou uma carta aberta ao Irã solicitando a libertação dos prisioneiros bahá’ís.

“As práticas e princípios humanistas e pacíficos pelos quais os bahá’ís são conhecidos no Brasil levaram esta comunidade a gozar do respeito e da credibilidade entre os defensores dos direitos humanos neste país,” disse o Deputado Pompeo de Mattos. “Assim, não há motivos para que suas alegações sejam desconhecidas ou indignas de crédito.”

Outras declarações de apoio igualmente firmes foram feitas nos últimos dias pelos governos e parlamentares de vários países, incluindo Canadá, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Enquanto isso, uma agência iraniana oficial de noticias daquela mesma data citou um porta-voz do judiciário como tendo afirmado que os sete bahá’ís “participariam de suas audiências dentro de uma semana”.

 

De acordo com a notícia divulgada pela Agência de Notícias da República Islâmica, o porta-voz, Ali-Reza Jamshidi disse aos repórteres em sua conferência de imprensa semanal, que “os sete cometeram atos criminosos que incluem espionagem para estrangeiros”.

 

O Sr. Jamshidi afirmou que os bahá’ís “certamente terão autorização para receber aconselhamento jurídico”, apesar de não terem tido acesso a um até o momento.

Sua declaração seguiu-se a um duro relato do domingo anterior que no qual o procurador geral do Irã foi citado em sua afirmação de que o governo planeja a “completa destruição” da administração bahá’í no Irã.

“A administração da desviada seita bahá’í é contra a lei e banida em todos os níveis, assim como são claros seus laços com Israel e sua oposição ao Islã e ao regime Islâmico”, disse o Promotor Geral do Irã, Aiatolá Ghorban-Ali Dorri Najafabadi, de acordo com um relato publicado pela Fars News.

“O perigo que eles representam à segurança nacional está documentado e comprovado, e portanto faz-se necessário enfrentar legalmente qualquer administração que haja como substituta à original”, disse o Aiatolá Najafabadi.

Diane Ala’í, representante da Comunidade Internacional Bahá’í para as Nações Unidas em Genebra, disse que as atividades dos líderes bahá’ís consistiam na provisão do mínimo para satisfazer as necessidades espirituais e administrativas dos 300.000 membros da comunidade bahá’í do Irã. Ela afirmou que a tentativa do Aiatolá Najafabadi de retratar suas ações como “perigosas” não tem fundamento algum e que o governo bem sabe que tais alegações não são verdadeiras.

“Como pode o procurador geral comparar algo tão inofensivo como um grupo de indivíduos que se reúnem para dar orientações espirituais e administrar ações como casamentos, enterros e aulas para crianças com algo que ameace a segurança nacional do Irã?”, disse Ala’í.

“Depois que eles baniram a administração bahá’í do Irã em 1983, o governo sempre esteve consciente e informado das atividades desses grupos ad hoc.

“Aos olhos do governo, o único ‘crime’ real dos sete que estão na prisão de Evin – junto a 30 outros bahá’ís atualmente presos no Irã – é que eles têm uma crença religiosa que é diferente da maioria no Irã e isso é algo que o atual regime considera intolerável”, disse ela.

Ala’í também fez observações sobre os comentários de ontem do Sr. Jamshidi em resposta a uma pergunta sobre as declarações do Aiatolá Najafabadi. Jamshidi foi citado pela segunite fala: “Qualquer ato que possa ser considerado propaganda contra o Islã, o Irã e o establishment islâmico será definitivamente considerado crime e os seus perpetuadores serão contestados legalmente”.

“Mas o fato é que a Fé Bahá’í é a única religião mundial independente, fora o Islã, que aceita a divindade de Maomé e reverencia o Alcorão – como o faz com relação aos livros sagrados de todas as grandes religiões do mundo”, afirmou Ala’í. “Não existe nada anti-islâmico ou anti-Irã sobre a Fé Bahá’í, seus ensinamentos, ou as práticas de seus seguidores. O governo não pode impor a sua própria interpretação do Islã sobre a Fé Bahá’í e concluir que a Fé Bahá’í é contra o Islã”.

A prisão da liderança bahá’í ocorre no contexto de uma severa e crescente campanha de ataques contra a comunidade bahá’í que inclui a criação e circulação de listas de bahá’ís com orientações para que as atividades dos membros da comunidade sejam secretamente monitoradas; buscas ao cair da noite realizadas em lares bahá’ís e confisco de propriedade particular; um aumento dramático ao longo dos últimos dois meses no número de prisões de bahá’ís; incitamento diário ao ódio contra os bahá’ís em todas as formas de mídia de massa patrocinadas pelo governo; realização de simpósios e seminários anti-bahá’ís organizados por clérigos seguidos de ataques orquestrados contra lares e propriedades bahá’ís nas cidades e vilarejos onde ocorrem os eventos; destruição de cemitérios bahá’ís por todo o país; demolição de loais sagrados e templos bahá’ís; ataques incendiários contra lares e propriedades bahá’ís; negativa de acesso à educação superior aos estudantes bahá’ís e, de forma crescente, difamação de crianças bahá’ís em suas salas de aula por parte de seus professores; designação de inúmeras ocupações e atividades empresariais nas quais os bahá’ís são impedidos de atuar; recusa de empréstimos bancários a bahá’ís; fechamento de lojas bahá’ís; negativa de emissão ou renovação de licenças de trabalho para bahá’ís; intimidação de proprietários de imóveis para forçá-los a despejar seus inquilinos bahá’ís; e ameaças contra muçulmanos que se relacionam com bahá’ís.

“De fato, a história dos sete lideres atualmente presos refletem os esforços de vidas dedicadas à promoção de o melhor desenvolvimento da sociedade iraniana como um todo, por meio da promoção da educação, do desenvolvimento socioeconômico e da aderência a princípios morais”, disse ela.

No começo da semana, o representante do Ministério Relações Exteriores britânico, Ministro Bill Rammell, fez uma declaração na qual afirmou que o governo iraniano “parece estar cada vez mais utilizando acusações vagas para afetar defensores dos direitos humanos e minorias religiosas”.

“É difícil não concluir”, disse o Ministro Rammel na segunda-feira, “que essas pessoas estão sendo mantidas presas exclusivamente por causa de suas crenças religiosas ou pelo seu exercício pacífico do direito à livre expressão e associação”.

Para acessar o original desse artigo (em Inglês), acesse http://news.bahai.org/story/699.


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