A humanidade ferida em Pernambuco

vergonhaA repercussão do caso me trouxe à memória uma das primeiras aulas do curso de jornalismo: cachorro morder homem não é notícia mas homem morder cachorro, sim, é notícia! Estou trocando confidências com meus botões com a liberalidade com que o arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou, no dia 5 de março um médico e a mãe da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto na cidade de Alagoinha, em Pernambuco. O arcebispo não se fez de rogado e respondeu por seus atos ante diversas emissoras de televisão. Fala mansa, rosto cansado e vincado pelos anos, alheio ao desconcerto dos entrevistadores, afirmava num e noutro canal que se tivesse que excomungar de novo não hesitaria.

Trata-se de um caso no mínimo exótico por sua barbaridade: um padastro – que segundo os manuais de civilidade – a quem a segurança de sua enteada de 9 anos estava entregue deixou-se galopar pela mais sórdida baixeza humana, a de não exercer controle sobre seus instintos animais, estuprando a menina e quem sabe quantas vezes assim  não procedeu?. e deixando-a grávida de gëmeos. Não é necessário esquentar bancos de faculdades de medicina por longos 6 anos e mais 2 de residência médica para saber que nessa idade uma criança ainda não se desenvolveu nem física nem emocionalmente. E foi esse o entendimento dos médicos que a atenderam, optando para lhe preservar a vida que lhe havia sido tão terrivelmente sequestrada, e realizando o aborto. Manda o senso comum que ante mistério muito impressionante não há o que discutir. Os médicos além de prestar reverência ao juramento de Hipócrates também precisavam urgentemente prestar contas à sua própria consciência. E então, o que deveria ser gesto digno de louvor transformou-se pelo gesto do arcebispo de Olinda e Recife em sua excomunhão. A mãe da menina também foi excomungada. O arcebispo livrou da severa punição eclesiástica o estuprador, o padrasto, o que não hesitou ao praticar seu ato perverso ferir a própria consciência espiritual e moral. da humanidade. Porque o arcebispo não puniu o delinquente? Sua resposta pausada: “O aborto é muito pior do que o estupro.”

O papel da mídia nessa história, ainda em seus primeiros dias de divulgação, tem sido apenas este: repercutir em espaços reduzidos que contrastam a olho nu com a enormidade do caso. Trata-se de uma notícia em toda a sua inteireza. Tem ineditismo e raridade por qualquer ângulo que se avalie: autoridade máxima da Igreja Católica em uma das mais antigas dioceses do país excomunga pessoas que autorizaram e que realizaram o aborto de uma criança de 9 anos estuprada pelo padastro. Por inverossímil que pareça o destaque não está no fato de a vítima ser uma criança mas sim no fato de os que lhe salvaram a vida praticando o aborto terem sido excomungados do seio de sua própria crença religiosa. Vemos nesse caso uma justaposição de personagens. O arcebispo sequestra o espaço da vítima, passa a ser ele quem melhor encarna o valor-notícia e a criança vitimizada passa ser mera coadjuvante. Não pudemos, enquanto audiência, verificar a repercussão do caso através das falas das aspas. de psicólogos, advogados e juízes, militantes dos direitos humanos. Telejornais  colocaram o foco na fala do arcebispo e este acabou criando outros rastros a serem perseguidos, como, o de comparar temas e histórias diversas a pretexto de se ter um mesmo parâmetro de justiça. Foi quando invocou o holocausto dos 6 milhões de judeus na Alemanha Nazista nos anos 1940 com a tragédia que se abateu sobre a criança vítima do padastro. O arcebispo foi enfático. Para ele é algo assim escandaloso que pessoas se compadeçam com o assassinato de seis milhões de pessoas e façam ouvidos de mercador ao que chamou de “o holocausto silencioso” representado pela marca dos 50 milhões de abortos realizados anualmente em todo o mundo, sendo que o Brasil estaria realizando 1 milhão de abortos a cada 365 dias. Não vou entrar no mérito pois o assunto em si já dá panos pras mangas e se brincar para um traje completo de cavaleiro medieval. O fato é que a TV Globo repercutiu que no Vaticano a decisão do arcebispo foi bem recebida. Feito isso parece que se esgotou por completo o valor-notícia: já não havia mais o que apurar.

Mas, ora, a essa altura da divulgação dos fatos envolvendo esse caso, o que mais falta é apuração. O público precisa ser informado sobre coisas como:
1. Quando e onde começaram os abusos contra essa criança?
2. Familiares ou outras pessoas teriam sido coniventes, cúmplices ou até vítimas do mesmo crime por parte do mesmo indivíduo?
3. Em que situação o padastro confessou o estrupo e como o caso veio a público?
4. Teria o padastro estuprado outras crianças, jovens e adultos, além de sua outra enteada de 14 anos?
5. Que tipo de assistência médica e psicológica será provida à (criança) vítima?
6. Neste caso como se aplicariam as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente?
7. Como a sociedade será protegida do criminoso e qual a punição a que ele estará passível?
8. Existem estudos sérios sobre a ocorrência de casos como esse no Brasil?
9. Como relacionar este caso específico com a CPI Contra a Pedofilia em funcionamento no Senado Federal?
10. Em uma época marcada pelo excesso de interatividade nos programas de televisão, jornalísticos ou não, porque emissoras de televisão não interagem com sua audiência instando-as a se posicionar quanto ao acerto ou não das excomunhões decretadas pelo arcebispo em Pernambuco?

Por outro laso, nossa mídia está tão expert na cobertura de crimes financeiros, corrupção e escândalos políticos, quando não um misto dos trës, que assunto como este aqui abordado que bem poderia ser a ponta do imenso iceberg receba a cobertura ditada apenas pelo sensacionalismo e pelo inusitado e não aquela devida à sua gravidade e consequências putrefatas de uma sociedade complacente com a violação cada vez mais gritante dos princípios básicos que sustentam isto que chamamos de dignidade humana. É fato que fiquei estarrecido com todas as cores do caso. Talvez fique mais tranquilo se constatar que nas próximas semanas (ou meses, vá lá!) algo mais foi feito pela mídia. Por exemplo, uma entrevista com o arcebispo de Olinda e Recife em talk show como o Roda Viva e o Programa do Jô, um programa do jornalismo investigativo tratando sob vários enfoques das causas, efeitos, estatísticas, prevenção e regularidade da ocorrência de estupros de crianças no Brasil, algo nos moldes dos pastosos Globo Repórter e SBT Realidade, pesquisas de opinião pública nos atualizando sobre quais as situações em que o aborto oficialmente poderia ser permitido, por institutos de renome como o CNT/Sensus, Datafolha e Ibope. Na mesma linha também se poderia perguntar sobre a propriedade da excomunhão já que cerca de 80% da população brasileira afirma ser de confissão católica apostólica romana.
Implementadas essas sugestões, somente então, poderia dizer no silêncio da minha consciência que a humanidade de cada um de nós não foi ferida em vão, que este caso em si levantou o manto de impunidade que no Brasil, costuma ficar colado, como se pesasse centenas de toneladas, sobre crimes dessa natureza.

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COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Jaime Collier Coeli , Itanhaem-SP – Aposentado
Enviado em 14/3/2009 às 8:59:15 AM
Há de se observar uma caracteristica escondida atrás do decreto lei do reverendisso arcebispo. Ele é “automático”, ou seja, não necessita da manifestação da “autoridade” para entrar em vigor. Portanto, lembra os “decretos sigilosos” do tempo da dita(dura ou mole). Essa condição parece mais importante, do ponto de vista operacional (e não apenas “formal” quando se recorda que algo aparecido foi perpetrado pelo Estado. Isso faz a influência da doutrina catolica se revelar ainda mais nefasta.
Alexandre  Sodré , Rio de Janeiro-RJ – Administrador
Enviado em 13/3/2009 às 11:02:39 PM
Parabéns pelo texto e a argumentação bem pertinente sobre o “estado” possível, e pássivel, de nossa Imprensa. Sobre os comentários referendados pelo texto, temos a confusão ( sim, está é a melhor palavra…) que tal fato incita na sociedade. Haverá várias opiniões, cada uma defendendo seu ponto de vista , mas principalmente esquecendo o que significaria ser mãe de filho ou filhos, conforme este caso, pela menina de 9 anos. Que sociedade é esta que tenta se sobrepor a dignidade e sanidade do indivíduo. Triste de nós….. O importante são as questões que foram devidamente levantadas ao final de seu texto. Fica a pergunta : Serão respondidas ou pelo menos discutidas pelos meios d comunicação ???? – Ou não será mais notícia interessante para as redações atrás de novas manchetes editoriais ???
Geraldo silva , Belo Horizonte-MG – servidor
Enviado em 13/3/2009 às 8:43:22 PM
É bom lembrar que o mesmo Estado, que via Ministério da Saúde, defende a legalização do aborto,é o mesmo que faz campanha terrorista contra o cigarro colocando várias advertência sobre os males que ele causa. E dentre esses males está o aborto natural. Agora a pergunta: Por que o aborto provocado é considerado normal ao ponto de ser objeto de campanha pela legalização e o aborto natural e considerado um mal,conforme estampado nos maços de cigarro.
Alexandre Motta , Belo Horizonte-MG – **
Enviado em 13/3/2009 às 8:32:06 PM
Seria curioso se essa menina fossse lourinha e da classe média. Aí a turma defensora dos fracos e oprimidos tiraria do bolso o discurso: “A mídia só está dando destaque porque é uma menina da elite branca. Se fosse uma negrinha da favela não teria falado nada. Tantas meninas pobres da favela são vítimas de abusos sexuais e mídia não fala nada. Agora quando é uma riquinha…”
Thiago Conceição , Campinas-SP – Programador
Enviado em 13/3/2009 às 7:20:11 PM
Rodrigo, a CNBB acovardou-se. A excomunhão é automática para quem quer que pratique o aborto. A CNBB curvou-se ao esquerdismo e renegou o valor da vida. O que fizeram com o bispo foi sensacionalismo, mas a excomunhão é automática assim como é para quem apóia o comunismo (será o que o Lula e muitos outros membros da igreja sabem?).
Rodrigo Gomes da Paixão , Goiânia-GO – estudante
Enviado em 13/3/2009 às 5:48:03 PM
A Igreja Católica não excomungou ninguém oficialmente. Membros da CNBB afirmaram isso no “Jornal Nacional” de ontem. O escritor desse texto se apropria dos mesmos métodos que citica, utilizados na grande imprensa, para poder destoar no anti-catolicismo (agora é moda, assim como lembrar que existe pedofilia no Brasil) sem nem ter provas… Lamentável.
Thomaz Magalhães , São Paulo-SP – jornalista
Enviado em 13/3/2009 às 5:41:51 PM
A humanidade foi ferida em Pernambuco porque uma garotinha foi estuprada. E não porque um bispo excomungou quem defendeu, decidiu ou fez o aborto, sob orientação médica.
João Ximenes , Salvador-BA – Médico
Enviado em 13/3/2009 às 5:00:52 PM
Parabéns pelo excelente texto. O senhor colocou a questão em um patamar mais elevado e bem acima das questões menores que levam ao desapreço puro e simples de A ou de B. Fico contente em ver que em nenhu8m momento o senhor atacou a pessoa do arcebispo de Olinda e Recife e, pelo contrário, tratou a questão com rara magnanimidade em nossa imprensa. É alvo de louvor seu texto porque é raro: no geral nossos jornalistas se comportam como donos absolutos da verdade e ai de quem ousar contradizê-los. Apreciei a linha de argumentação, sóbria, e a contundência do apelo para o que de humanidade existe em nós. Irei visitar diariamente seu site cidadão do mundo. Precisamos de gente nova, com novos pensamentos e nbovas idéias, gente não sectária, gente apartidária, gente enfim que se apegue a pensamentos elevados acerca da natureza humana. Fica meu apoio e já espero seu próximo texto pra semana. Ah escrevi de comentar que muita gente a quem enviei seus dois textos sobre CAMINHOS DAS ìNDIAS e aquele outro sobre os o PEDRO BIAL simplesmente vibraram e me poediram para parabenizar o autor. O povo é preguiçoso cpom esse negócio de acessra site e registrar comentário, você sabe, né?
Thiago Conceição , Campinas-SP – Programador
Enviado em 13/3/2009 às 4:47:19 PM
Adriana, o problema é dois seres humanos foram assassinados no aborto. Isso não é ser laico, é ser criminoso. A questão não tem nada a ver com religião, mas sim pelo respeito a vida.
Adriana  Araújo Alves , Brasília-DF – estudante de jornalismo
Enviado em 13/3/2009 às 3:36:31 PM
A mesma igreja católica que condena o aborto para salvar a vida de uma criança vítima de abuso. Tem muitos padres envolvidos em casos de pedofilia. O estado brasileiro é laico e essa é uma questão de saúde e segurança que diz respeito ao estado. A igreja não tem moral para falar contra uma mãe que tenta salvar a vida da sua filha e médicos que agiram conforme a lei e ética da medicina. Por sua atuação na dizimação da cultura indigena desde de a colonização do Brasil, por sua irresponsabilidade na falacia contra a camisinha que tem levado muitos jovens de países subdesenvolvidos onde a religião domina a contrair doenças sexuais.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC – Biólogo
Enviado em 13/3/2009 às 1:47:22 PM
Caro xará de Cachoeira Paulista, agradeço seus conselhos, mas se minhas faculdades mentais permitirem, até o fim da vida espero não professar nenhuma religião. E se passar a ter religião, já pedi à minha família que me interne num hospício. Religião é esquizofrenia coletiva e, portanto…. Não admito ninguém pensando por mim. A respeito disso que você comentou: “o ser humano,nasce pra morrer e o tempo de vida é justamente o que o nosso deus nos dá para agirmos” não há referências em qualquer lugar a respeito disso, tratando-se pois, de delírio. Agora, não tenho raivas a qualquer manifestação religiosa. Cada um acredita naquilo que resolva suas mazelas existenciais. Porém, que cada um fique no seu ramo e não se intrometa nos mandos e desmandos dos outros. No filme Blade Runner, há uma frase do Replicante Rutger Hauer, que é assim: ” todos estes momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva”. Ou seja, o tempo dos humanos continua e o das religiões um dia, felizmente, se acabará.
Thiago Conceição , Campinas-SP – Programador
Enviado em 13/3/2009 às 12:42:11 PM
A imprensa, assim como o autor do texto, falhou enormemente. Não apuraram nada e pularam para as conclusões “médicas” (imaginárias pois não há documento algum para provar coisa alguma) sem sequer entender o que realmente aconteceu. Um link interessante demonstrando o esforço para acobertar o assassinato de duas vidas inocentes: http://contra-o-aborto.blogspot.com/2009/03/aborto-no-recife-o-que-imprensa-omitiu.html .A mera idéia de que a menina não havia “se desenvolvido” o suficiente é tão ilógico e irracional que dói toda vez que leio. É como se seres humanos quisessem ensinar a natureza a como funcionar. Se a natureza de fato deu a capacidade de procriação a esta menina então ela já tinha se desenvolvido o suficiente. Quem defende a destruição de vidas inocentes não é melhor do que o estuprador.
alexandre  macedo pereira , cach.paulista-SP – administrador
Enviado em 13/3/2009 às 11:58:59 AM
amigo alexandre,percebe-se,pelo seu comentário,o ódio que tem pela igreja católica,não sei qual é a tua religião,ou mesmo se a tem porém o aconselho a meditar sobre o assunto e procurar uma porque o ser humano,nasce pra morrer e o tempo de vida é justamente o que o nosso deus nos dá para agirmos de modo a merecer o seu reino na hora certa,o bispo emitiu uma opinião como você emitiu a sua,ele na sua boa fé achou que a medida tomada era a correta tendo em vista a sua cultura religiosa e a sua posição dentro do seio católico,cabe a nós respeitá-la,mesmo porquê ele é que vai responder pelos seus atos,também na hora certa,parab[éns a articulista pela matéria,muito sensata e equilibrada.
ELISAMAR  MACHADO PEREIRA , PALMAS-TO – estudante
Enviado em 13/3/2009 às 12:50:36 AM
CARO WASHINGTON Seu texto foi simplesmente o melhor que eu já li até agora sobre esse caso, e nao foram poucos. Voce soube ser sensível e respeitoso, mas ao mesmo tempo preservando o rigor jornalístico que o caso requer. Foram muito bem colocados seus questionamentos e sua abordagem sobre a questão da IMPUNIDADE que infelizmente é regra em nosso país. Realmente, concordo 100% com você, todos nós temos muitos questionamentos a fazer e a debater . Um desses questionamentos é, como fazer para proteger nossas crianças , para evitar que possam ser vítimas de abusos , de qualquer natureza, mas principalmente sexual? Por fim, acho que temos uma grande oportunidade de nos questionarmos, e inclusive faço sugestão para um futuro artigo, sobre o Poder que a Igreja Católica tem nos ditames desse país e na formulação de nossas políticas públicas… Penso que seria a hora de tentarmos fazer as pessoas enxergarem que não podemos viver dominados pelo poder da religião em nossa vida social e política. Fica aqui meu elogio ao seu excelente texto e minha sugestão. Saudações a todos os que fazem o Observatório: Jornalistas, editores , colaboradores e também aos comentaristas, por mostrarem sempre bom nível nas abordagens.

Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC – Biólogo

Enviado em 12/3/2009 às 8:49:29 PM
Para cada uma das perguntas feitas pelo autor, eu respondo: “não, não se faz nada, porque, como ele mesmo diz, 80% da população brasileira é católica”. Ficaria “mal” para muita gente indispor-se contra seus doutrinadores. Falta coragem. Indignações aqui, outra ali, mas torcem para que o assunto caia no esquecimento, que é para não “atestar” contra seus princípios. A sociedade onde vivemos é calhorda, preconceituosa e hipócrita. Gente como Jabor, Jô, Mainardi, Garcia e assemelhados criticam abertamente os homens-bomba, inclusive com posturas racistas e piadinhas infames, mas emudecem frente a um bispo deste, que não traz um aparato de nitroglicerina na cintura, mas porta num cérebro deformado pela sua doutrina um petardo medieval capaz de destruir tudo aquilo que conhecemos por civilização.
Alexis  Fonseca , —-SP – Jornalista e advogado
Enviado em 11/3/2009 às 10:20:00 PM
Não pudemos, conforme sugere o Araújo, enquanto audiência, verificar a repercussão do caso por meio das aspas de psicólogos, advogados e juízes, militantes dos direitos humanos. Mas ainda há tempo de suprir a lacuna, mãos à obra moçada!
Carlos  Ayres , Brasilia-DF – Jornalista
Enviado em 11/3/2009 às 10:15:45 PM
Estou de acordo com a pedagoga Maria de Fatima em seu lúcido comentário. Tratou-se de uma questão exemplar em que a ética científica se abraça com a ética jurídica. Na verdade lamentamos que o arcebispo sequestrou a menina e só faltou puní-la com a recitação diária, ajoelhada em milho seco de 500 aves-marias diárias até alcançar a maioridade. Mostra o descompasso entre a Igreja e o mundo em transição em que vivemos. As questões levantadas pelo articulista merecem resposta e a bola continua com a mídia se esta não quiser fazer média…
Maria de Fátima Fontes Fontes , João Pessoa-PB – Pedagoga
Enviado em 11/3/2009 às 7:27:21 PM
Excelente a matéria pelo enfoque real que o autor deu a questão. A atenção da imprensa e da sociedade deveria estar voltado para a ocorrência do fato: uma criança indefesa e em desenvolvimento físico e emocional, violada naquilo que consitue a essência da sua dignidade, o mais íntimo da sua nobreza humana, por um animal revestido de pessoa humana, intimidando-a com suas próprias garras e preso a ânsia de satiafazer os seus mais baixos instintos, grávida, como consequência, de gêmeos, aos 9 anos de idade, levando médicos e familiares à prática justificável do aborto. Não é, portanto, a avaliação simplista – punitiva para os médicos e familiares e complacente para o violador, vinda do arcebispo de Olinda/Recife – cenário deste insano crime, que deveria ter o destaque dos meios de comunicação e nossa atenç Um ponto, entretanto, que poderia ser ressaltado na matéria, é que os médicos, segura e serenamente, além de explicarem aos leigos os riscos de vida daquela criança gerando outras crianças em seu ventre, esclareceram que a decisão tomada foi respaldada também pela ciência jurídica. Os seus conhecimentos médicos, científicos, foram colocados em prática eticamente, respaldados pela lei. Não lembro de nenhuma experiência onde ciências se abraçaram em busca de razões para uma ação consciente. Esta articulação, séria, cuidadosa, me chamou a atenção e tocou fundo meu coração!!!
Anna Miranda , Brasília-DF – Advogada
Enviado em 11/3/2009 às 2:30:09 PM
Mandou bem Wasghinton. Ver o dom José Cardoso Sobrinho seria uma pauta e tanto. Essa autoridade religiosa merece uma entrevista no formato talk-show, até para esclarecer suas declarações prá lá de polêmicas. Apoio sua opinião que o bispo sequestrou o protagonismo da vítima nesse desgraçado episódio. Vá entender a mídia…
samuel carvalho , Fortaleza-CE – Jornalista
Enviado em 10/3/2009 às 9:29:26 PM
A igreja católica ainda se encontra no Período Medieval. Só pra lembrar ela era a única detentora do conhecimento e tudo que fosse escrito ao contrário, seu autor poderia, junto com sua obra, ser queimado vivo na fogueira. Somente os poderosos senhores feudais e suas famílias poderiam ter acesso ao conhecimento, como ler e escrever, por exemplo. Daí o apego ao poder, tão característico de seus menmbros. Não é à toa que os maiores fornecedores de fiéis para as igreja ditas evangélicas, são os próprios líderes da igreja católica. As pessoas vão até um templo religiosos qualquer à procura de paz interior, um conselho, fazer uma oração, porque é um local que ainda fornece um pouco de paz, nesse mundo tão atribulado. O caráter “modernizador” das igrejas ditas evangélicas está somente em ter abandonado alguns ritos da católica, nada mais. Quando algum religioso diz que determinada gravidez deve ir em frente porque assim Deus quer, mesmo com risco de morte, não representa Deus nenhum.
Lidia Souza , Curitiba-PR – Jornalista
Enviado em 10/3/2009 às 9:26:56 PM
Concordo com a reflexão. Entendo que a mídia precisava se especialiar em cobrir direitos humanos e suas violações, algo tão em voga em países como o nosso com tal gritante desigualdade social!
Amaury Nolasco , Porto Alegre-RS – Administrador de Empresas
Enviado em 10/3/2009 às 9:24:28 PM
Boas pistas para se entender um drama humaníssimo e as contradições midiáticas. A Igreja deveria excomungar os padres pedófilos para ter a moral elevada ao intentar excomungar de suas fileiras pessoas simples, generosas em sua fé.
Renan Vasconcelos , São Paulo-SP – Estudante de filosofia e teologia
Enviado em 10/3/2009 às 3:21:09 PM
Bravo. Resta saber qual a posição da Igreja no caso dos numerosos padres pedófilos em todo o mundo, que têm seus “pecados” tratados no ambiente de penumbra pela Igreja. Não é à toa que milhões de euros e dólares são desembolsados todo ano nos EUA e na Europa, pelas dioceses católicas, para pagar indenizações às vítimas de seus padres estupradores. É de rir com a cara de pau do arcebispo de excomungar pessoas inocentes para que a Igreja, segundo ele, seja coerente com sua missão pastoral. Bem que a imprensa poderia se aprofundar na questão dos padres pedófilos e outras anomalias tão bem acobertadas por Suas Reverendíssimas.
Josias Abreu , Salvador-BA – Jornalista
Enviado em 10/3/2009 às 2:58:28 PM
Comento com esse recente cordel de Miguezim da Princeza, grande poeta paraibano. Os textos se casam na defesa da vítima! Lá vai a 1a. parte: I Peço à musa do improviso Que me dê inspiração, Ciência e sabedoria, Inteligência e razão, Peço que Deus que me proteja Para falar de uma igreja Que comete aberração. II Pelas fogueiras que arderam No tempo da Inquisição, Pelas mulheres queimadas Sem apelo ou compaixão, Pensava que o Vaticano Tinha mudado de plano, Abolido a excomunhão. III Mas o bispo Dom José, Um homem conservador, Tratou com impiedade A vítima de um estuprador, Massacrada e abusada, Sofrida e violentada, Sem futuro e sem amor. IV Depois que houve o estupro, A menina engravidou. Ela só tem nove anos, A Justiça autorizou Que a criança abortasse Antes que a vida brotasse Um fruto do desamor. V O aborto, já previsto Na nossa legislação, Teve o apoio declarado Do ministro Temporão, Que é médico bom e zeloso, E mostrou ser corajoso Ao enfrentar a questão. VI Além de excomungar O ministro Temporão, Dom José excomungou Da menina, sem razão, A mãe, a vó e a tia E se brincar puniria Até a quarta geração. VII É esquisito que a igreja, Que tanto prega o perdão, Resolva excomungar médicos Que cumpriram sua missão E num beco sem saída Livraram uma pobre vida Do fel da desilusão. (tem mais…)
Carlos Ayres Brito , Brasília-DF – Jornalista
Enviado em 10/3/2009 às 2:45:40 PM
Dois pesos, duas medidas. A mídia não hesitou em rasgar os manuais de jornalismo a entrar com paixão no barco furadíssimo (viu-se logo depois) do caso Paula Oliveira, na Suiça e entrou à meia boca no caso do estupro dessa inocente criança da pequena Alagoinha, no sertão nordestino. Primeiro porque colocou seu foco nas decisões (equivocadas, equivocadas) do arcebispo Dom José Sobrinho em condenar o aborto e em excomungar quem se atrevesse a socorrer a menina; segundo, por deixar ao relento toda uma impressionante leque de opções para exercitar o tal jornalismo investigativo sobre a questão de fundo, no caso, o estupro de crianças por seus familiares. Gostei do texto. Lê-se de um fôlego só. Muito bom. Fica a questão: será que seus encaminhamentos serão considerados por nossa prepotente e autosuficiente mídia brasileira???
Ricardo Sena , Santo André-SP – Professor universitário
Enviado em 10/3/2009 às 2:40:01 PM
Concordo com o leitor André. A mídia sente-se muito à vontade com escândalos políticos e econômicos mas é tíbia quando se trata da defesa dos mais simples direitos humanos, ainda mais quando a vítima é marcada pela vulnerabilidade familiar, social. O bispo foi arrogante nessa situação e a imprensa deveria ter carregado nas tintas contra seu pensamento medieval e uma forma iníqua de fazer justiçamento: a menina vítima da monstruosidade do padrasto passou a ser vista como símbolo dos 50 milhões de abortos do mundo. Esquece o arcebispo a lição de Oskar Schindler tão bem transmitida pelo filme de Spielberg: “Quem salva uma só vida salva toda a humanidade.” Mais uma vez Washington você acertou em cheio com um texto humano e contundente, coisas muitas vezes antípodas. Parabéns.
Andre Leite , Recife-PE – Teólogo
Enviado em 10/3/2009 às 2:19:09 PM
Certo, certeito, certíssimo. O arcebispo de Recife demonstra apenas o obscurantismo em que vive ao punir a vítima e áqueles que a socorreram. Congratulações com o autor do brilhante texto.

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