amozOzExistem assuntos que precisam ser noticiados. Um destes é repercutir o fato, até bem pouco impensável, que a rede de televisão Al-Jazeera, sediada no Qatar e uma espécie de CNN de língua árabe, tenha entrevistado há poucas semanas o escritor israelense Amoz Oz. Não é de hoje que tenho grande admiração pela literatura produzida por Oz, a começar pelo seu excelente romance “A caixa preta“. Além disso, Oz tem se mostrado um intelectual-ponte entre o pensamento judaico e o palestino. Desnecessário dizer de seu reconhecido pacifismo e de seu repúdio ao uso da violência como s0lução para conflitos. A entrevista a que me refiro foi ao ar no dia 18/2/2009. O entrevistador foi Riz Khan. Esta foi a primeira vez que o hebraico foi falado, igualmente com o árabe e o inglês na ora célebre Az-Jazeera. Quem quiser conferir basta buscar o vídeo no YouTube. Compartilho os seguintes trechos da entrevista:

Amoz Oz defende a solução de dois Estados para que israelenses e palestinos possam viver em sociedade. Ele não compara a solução a uma lua de mel, mas a um divórcio. Suas palavras textuais são:

“Os palestinos não vão a lugar nenhum. Estão na Palestina para ficar na Palestina, com razão. Os israelenses estão em Israel e também não vão a lugar nenhum, com razão. Eles não podem se tornar uma família feliz porque não o são, não são felizes e não são nem ao menos uma família, são duas famílias”, afirma. “Isso não é sobre se apaixonar e sair em lua de mel, é sobre um doloroso e talvez conturbado divórcio, e com certeza um divórcio curioso, pois as duas partes vão continuar a morar na mesma casa e terão que decidir quem fica com cada quarto e, como o apartamento é pequeno, as arrumações terão que ser feitas entre a cozinha e o banheiro. Isso vai ser complicado, mas é preferível à situação atual de opressão israelense e terrorismo palestino.”

Ao final da entrevista surge a seguinte pergunta:  Oz, você acredita, com base em tudo que já viu e vivenciou, que é possível ser otimista de que um dia vá haver paz no Oriente Médio?

E a resposta: “Sim, responde o escritor. “Eu sei que, hoje, há mais palestinos pronunciando a palavra `Israel´, que por muitos anos eles se recusavam a dizer, e hoje muitos israelenses pronunciam a palavra `Palestina´, que por muitos anos também se recusavam a dizer. Por isso eu acho que, lá no fundo de toda a animosidade e ódio, há a constatação de que não há alternativa a não ser um difícil compromisso entre as duas partes, e eu acredito que este compromisso tem como se estabelecer.”


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