O que faz a mídia quando não há o que fazer?

midiasafadaRepercute de tudo muito, de pouco, tudo. É o que vem acontecendo nas últimas semanas. Tivemos as muitas matérias sobre o Senado: número de diretorias, cotas de passagens aéreas, critérios para criação de cargos e funções. Tivemos matérias sobre a prisão da dona da Daslu, Eliana Tranchesi, por sonegação e com pena “módica” de 94 anos e alguns meses. Tivemos a operação Castelo de Areia colocando a empreiteira Camargo Corrêa, a Fiesp e os mais vistosos partidos políticos no olho do furacão.

Sobre o Senado, o que extrapolou foram os tais boxes da memória, sempre repetitivos, indefectíveis, tentando lembrar o que ainda não conseguira ser esquecido – boxes redundantes, oras. Sobre Eliana Tranchesi tivemos uma reportagem de Veja que só a muito custo poderia ser chamada de reportagem, já que melhor se encaixaria em um perfil da empresária milionária e a prisão seria apenas o pano de fundo para a revista repetir pela trilionésima vez seu credo liberal – que ser rico no Brasil não pode ser visto como crime, que mesmo os ricos também sofrem, choram e tem crises de consciência.

Sobre a Castelo de Areia, a cobertura foi feita com a mesma areia, logo saiu de cena com a descoberta que ninguém se salvava e a ninguém mesmo interessaria tal investigação. Daí, o leitorado teve o mais do mesmo: a Polícia Federal foi midiática em excesso, os agentes federais carecem de controle e de se aterem ao objeto de cada operação, nada de investigar crimes correlatos porque senão fica tudo muito misturado.

Esse foi o resumo das últimas semanas? Não. Tivemos ainda a reunião em Londres dos países que compõem o G-20, onde o presidente Lula foi alcunhado entusiasticamente por ninguém menos que seu colega americano Barack Obama com a juvenil expressão: “Ele é o cara!”. A verdade é que a cobertura da reunião de Londres foi fraquinha, fraquinha. Havia um interesse em que as previsões se confirmassem de véspera: seria mais uma reunião daquelas em que não se decide nada de relevante salvo estipular a data para sua nova ocorrência.

Pérola da desfaçatez

Já não se fazem mais pautas como antigamente. Será que passamos a ser, como beneficiários finais das informações (leitores/telespectadores), menos exigentes? Outro dia sintonizei na revista televisiva Fantástico e me deparei com a cobertura de um concurso sobre quem era dono do pior chulé do mundo – isto mesmo, uma maratona para se julgar tipos de chulé.

Na mesma sequência observei uma cobertura pífia sobre a morte do deputado Márcio Moreira Alves, aquele jovem destemido que nos dias que antecederam a decretação do Ato Institucional nº 5, em 1968, teve o tirocínio de convocar as moças brasileiras a dispensarem os jovens soldados por estes encarnarem a opressão militar sobre a sociedade como um todo.

A “minutagem” em horário nobre do programa da Globo dedicado ao chulé deu de dez ao tempo concedido pelo mesmo programa à memória do tenaz jornalista Marcito, como era chamado pelos de sua geração.

Decididamente já não podemos antever que critérios editoriais são utilizados nos dias que correm. Ah, não podemos deixar ao relento da memória a entrevista do deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que por si só é uma pérola da desfaçatez com que se busca justificar o injustificável. Pois bem, o deputado Fraga queria histrionicamente afirmar que a moça que servia como doméstica em sua residência era na verdade alguém que lhe servia como assessora parlamentar, e deu no que deu: “Reafirmo que esta moça trata de assuntos políticos, ou seja, de assuntos estritamente domésticos!”. E, ante o ato falhíssimo, encara a câmara desnorteado com mais esta expressão: “Agora complicou tudo…”

Faltam faro e apetite

Enquanto isso, vemos o interesse em se criar pautas fundadas na realização e imediata análise de pesquisas de opinião pública sobre quem estará mais cacifado para suceder o presidente Lula. Por essa, nem madame Carlota, com sua expertise em bolas de cristal, esperaria. Querer saber com antecedência superior a um ano e meio como votará o eleitor para presidente é ou não é uma forma prática de encher o noticiário com não-fatos, com não-informações, com não-notícias?

Existe um nivelamento por baixo do que seria o tal valor-notícia. Todos os casos acima esboçados demonstram à larga a barafunda em que se encontra nossa mídia. É como se as notícias houvessem mudado de eixo e este não fosse detectado nem nas editorias nem nas redações da mídia nacional.

Para não dizer que deixei de falar sobre tema da maior importância e que gerou certa expectativa na mídia do eixo Rio-São Paulo, registro o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, logo adiado, de duas questões afetas ao exercício do jornalismo no país: a obliteração da lei de imprensa produzida nos anos de arbítrio e a necessidade de diploma para profissionais do jornalismo. O que resultou desse debate jurídico, logo abortado? A questão essencial do direito de resposta às vítimas dos excessos e mesmo da má fé dos que exercitam o fazer jornalístico.

Isto posto, fico com a sensação que existiam pautas interessantes a serem tratadas, pautas de interesse da sociedade como um todo. Por exemplo, há 50 anos, a ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos da Criança… então, a quantas anda a situação da infância no Brasil? Qual o grau de eficiência de nossas políticas para combater o trabalho infantil? Quais obstáculos precisamos superar para blindar nossas crianças da exploração sexual?

Como vem sendo tratado em outros países o instituto do direito de resposta à vítima do mau jornalismo? Deveria o assunto, tão delicado quanto esse, ser relegado à legislação ordinária ou deveria merecer atenção especial, condizente em importância ao direito humano fundamental que se pretende preservar? Quais os interesses envolvidos na atual cobertura, excessivamente negativa, do nosso Poder Legislativo? Como contrabalançar pautas negativas com pautas positivas sem que uma venha a ser contaminada ideologicamente por outra? Pautas existem. E muitas. Faltam apetite e faro jornalístico para torná-las factíveis, reais.

Caso o leitor não se sinta tentado a oferecer uma resposta à pergunta-título deste artigo, ofereço-lhe logo esta outra questão: o que a mídia faz quando se recusa a cobrir o que realmente importa?

(Texto publicado com um dia de antecedência no site http://www.observatoriodaimprensa.com.br)

COMENTÁRIOS:

Katia  Schafer , São Paulo-SP – Jornalista (sem emprego!)

Enviado em 15/4/2009 às 9:52:45 AM

Nossa! Consegui ler aqui, em alguns minutos, tudo que venho pensando e avaliando. Eu respondo a sua pergunta, com outra: por que a mídia não quer ver ou não vê mesmo??? O que temo é que a resposta seja a segunda opção: não veja mesmo! Cansei de assitir na TV jornalistas em entrevistas fazendo perguntas absurdas aos seus entrevistados… Essa do chulé, matéria do Fantástico…é que é fantástica mesmo. O maior de todos os absurdos. Como gastam dinheiro nessas coisas inúteis. Parabéns pelo texto. Aliás, o nível do Observatório é impar. Abraço.

Guilherme Lacerda , Recife-PE – Estudante/Estagiário de direito

Enviado em 13/4/2009 às 5:59:03 AM

Sem dúvida alguma se a mídia deixa de noticiar os fatos importantes para divulgar o que quer, ela deixa de ser um meio de informação para ser um meio de manipulação do leitor. Os cidadão comuns não têem garantido seu direito à informação, vivem sob a censura dos “aquários”, os orientadores intelectuais do conteúdo da empresa jornalística. É preciso para se garantir o acesso à informação que seja feito um controle sobre esses encarregados do conteúdo do jornal para que diminua sua discrionariedade. Esse cargo é tão importante para a sociedade que não pode ser ocupado por estrangeiros, nem pelo português no gozo do estatuto da igualdade, se até o presidente da república, o presidente do STF podem ser responsabilizados por crime de responsabilidade, porque não o orientador intelectual de uma empresa jornalística.

Honorato Salgado , Brasília-DF – Advogado e Jornalista

Enviado em 12/4/2009 às 9:53:17 PM

Se tivesse faro jornalístico a colegada iria direto saber mais sobre o tal fechamento do Congresso proposto pelo senador Cristovao Buarque. Acabo de ir comentar sobre isso no blog do folhetinesco Josias. O que se comenta é a cara de pau de um senador atentar contra uma cláusula pétrea da Constituição. Porque ele não sugeriu também a deposição imediata do Lula e o impeachment de Sua Santidade Jurídica Glmar Mendes? A serviço de quem está esse senador do PDT-DF? Da democracia no Brasil é que não está! Jornalistas poderiam colhido opiniões de juristas, de outros políticos, de militantes sociais, de pessoas das ruas sobre essa proposta desprovida de discrenimento político e retrógrada em sua essência. Precisamos de faro para noticiar os atentados ao estado de direito.

Floriano Cerqueira , SÃO PAULO-SP – Jornalista e advogado

Enviado em 12/4/2009 às 9:45:29 PM

Esse Christovam Buarque com sua idéia fixa de fechar o Congresso Nacional é um prato cheio para uma mídia nitidamente pró-golpe. Oportunista, o senador Christovam Buarque esperou que a mídia tivesse malhado bastante as duas casas do Congresso para então propor um plebiscito onde se votaria pelo seu fechmaneto. Esquece a inteligência rara que até reitor da UNB já foi que a alternativa a um país sem Poder Legislativo é transformar o Brasil em uma tirania ao estilo cubano ou chinês. Pois bem, somente com uma mídia saudosa dos tempos dos militares prendendo e arrebentando para dar vazão ao oportunismo descarado do senador pedetista. Cadê o editoriais indignados? Cadê as análises políticas nos jornais e nos telejornais condenando a idiotice proferida pela excelência que já governou o DF? Agora, Washinton, imagine se tal proposta partisse do Lula… aí o mundo desabava, não é mesmo? Acho que o Christovam foi contratado pela Folha e pela Veja para lançar esse seu balão de ensaio para depois colocar o bloco golpista mais na rua do que já está. Nunca simpatizei com gente que tem idéia fixa (educação, no caso do senador) pois sempre esconde um pensamento medieval em termos de liberdade. O pior é que o senador escreveu um texto pífio sacaneando com nossa inteligência ao explicar o inexplicável. Peça desculpas senador. Sem meio-termos. Desculpas à Nação. É isso.

Carlos A. V.  Junior , Brasília-DF – jornalista

Enviado em 12/4/2009 às 9:30:20 PM

Veja da Abril está na vanguarda do baixo desempenho jornalístico. Cada vez mais se tornou uma publicação espécie de colcha de retalhos opinativos. Todo jornalista escreve sua opinião como se fossem diretamente do Oráculo grego em Delphos. Uma revistinha desprezível eplo despudor com que aborda temas sérios. Parece mais órgão noticioso do PSDB. Vai ver que é mesmo. O Brasil só terá uma imprensa melhor quando o modelo Veja deixar de ser o que é: manipulação editorial da primeira à última página.

Cleber Marcondes , SP-SP – jornalista

Enviado em 12/4/2009 às 9:23:02 PM

Washington, essa sua constatação deu a medida da baixa qualidade de nossa produção jornalística: “A “minutagem” em horário nobre do programa da Globo dedicado ao chulé deu de dez ao tempo concedido pelo mesmo programa à memória do tenaz jornalista Marcito, como era chamado pelos de sua geração.”

Marcos Chaves Chaves , Belo Horizonte-MG – Func. público

Enviado em 12/4/2009 às 7:57:44 PM

Uma boa matéria jornalística a meu ver e que certamente causaria boas e longas discussões, como sugeriu um dos primeiros blogueiros abaixo, seria sobre o controle externo das ações da imprensa. É o caso de se colocar sobre a mesa a discussão da qualidade ética de produção de notícias nas editorias dos diversos meios de comunicação/mídia hoje de não-fatos “produzidos” no Brasil. Modernamente conhecidas como agências reguladoras, nos casos de serviços públicos, nos daria pelo menos a possiblidade de ter com quem reclamar, pois com os bisbos já não dá mais!

Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ – advogado

Enviado em 12/4/2009 às 6:32:02 PM

“o que a mídia faz quando se recusa a cobrir o que realmente importa?” Resposta: passa no caixa para receber pelo “serviço”.

Cleogenes Martins , São Paulo-SP – Jornalista

Enviado em 11/4/2009 às 8:29:10 PM

Uma pauta urgente: Porque o senador Cristóvão Buarque defende o fechamento do Congresso Brasileiro via plebiscito? O que leva um senador a achar que para acabar com a corrupção basta defender a extinção do Poder Legislativo? Então, quando ele achar que o povo não aguenta mais o presidente Lula da Silva vai passar a pregar a destituição do presidente democraticamente eleito? Por que políticos sérios não se contentam em serem sérios e logo apelam para medidas extremas, nem um pouco sérias, como essa de abolir o Senado e a Câmara? Espero ver um dos brilhantes articulistas do Observatório da Imprensa comentando a rematada tolice proferida por sua excelência senatorial Cristovam Buarque… E pensar que votei nesse sujeito!

Carolina  Passos , Rio de Janeiro-RJ – Jornalista

Enviado em 11/4/2009 às 6:46:01 PM

Além das pautas que vc sugere poderia listar ainda outras bem importantes como a baixa qualidade da programação da TV aberta, os gastos gigantescos com publicidade pelos governos estaduais e federal, o financiamento das campanhas com recursos privados não declarados legalmente, o poderio do Daniel Dantas a desafiar o bom senso da Nação com autoridades republicanas em sua folha de pagamento, notadamente nos tribunais superiores. O que não alta Washington são boas pautas. Existem muitas lacunas a preencher nos atuais escândalos.

Carlos Ayres Ayres , brasilia-DF – Jornalista

Enviado em 11/4/2009 às 6:35:41 PM

Giovane Arruda você tem meu endosso: são meia dúzia de familias tratando do que é divulgado no Brasil – uma lástima!

Maria Amalia Couto , Taquari-RS – Professora

Enviado em 11/4/2009 às 6:08:50 PM

O Giovane Arruda , Sevilha (Espanha), esqueceu a família Sirostyk que possui a RBS (Rede Brasil Sul de Comunicações) fazendo parte a RBS TV RS, Jornal Zero Hora, Diário Gaúcho , Jornal o Pioneiro e muitos outro e, mais de uma dezena de radios AM e FM. Agora está investindo pesado em Santa Catarina onde já coaptou para a RBS um grande número de jornais, tvs e rádios porovocando, inclusive, o interesse investigativo da promotoria daquele estado. Se facilitar daqui a pouco ela estará transmitindo do Paraná, Sâo Paulo…

Renan Ribeiro , Porto Alegre-RS – Jornalista/Assessor de Imprensa

Enviado em 11/4/2009 às 3:43:46 PM

Será que a mídia nativa conseguiria levar a cabo essa sua sugestão de pauta? (… há 50 anos, a ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos da Criança… então, a quantas anda a situação da infância no Brasil? Qual o grau de eficiência de nossas políticas para combater o trabalho infantil? Quais obstáculos precisamos superar para blindar nossas crianças da exploração sexual?) Se sim já seria um avanço pois o normal (que já muito anormal) seria uma cobertura recheada de números e suas unidades de medida a la revista Veja: daria para empilhar 2 trilhões de caixas de fósforo ou 51 bilhões de raquetes de tênis de mesa hehehe Valeu ter tratado do tema dando uma oxigenada em nosso site preferido – o OI.

Carolina Freire Gutierres , Vitória-ES – administradora

Enviado em 11/4/2009 às 3:38:31 PM

 

Concordo com suas premissas Washington. Faltam apetite e faro jornalístico para tornar factíveis pautas realmente com algum interesse social. A mediocridade de nossa imprensa é digna da cobertura feita ao [ ]reality show Big Brother. A Veja dedicou quase um perfil ao jornalista vanguarda do atraso intelectual Pedro Bial. É nesse buraco negro que nos encontramos.

Giovane Arruda , Sevilha (Espanha)-SP – Jornalista e Crítico de TV

Enviado em 11/4/2009 às 3:34:12 PM

Parabéns Washington por levantar o debate no Observatório. Porque o Dines, o Weiss e o Luciano também não arriscam respostas ao título de seu urgente texto? A mídia há muito deixou de ser séria. E isso tem a ver com os interesses econômicos pois no Brasil umas seis famílias são donas de toda a mídia mais vistosa e dita “influente”. Vejamos: a Famiglia Marinho é dona da TV Globo, Globo News, jornal o Globo, revista Época, rádios Globo, CBN e mais duas dezenas de rádios; a Famiglia Frias tem de cara o brando Folha de S.Paulo, UOL, Diário da Tarde; Famiglia Abravanel tem o Canal SBT; Famiglia Saad tem a TV Band e uma penca de rádios; Famiglia Mesquita tem o sarcófago dublê de jornal Estadão; a Famiglia Civita tem a famigerada VEJA e mais dezenas de publicações impressas. O que eles têm em comum? A cartelização da informação. E o pacto de silêncio sobre os erros e os crimes uns dos outros. O Brasil tem a sua Omertá bem definida na questão da mídia. Dxistem também as famiglias menores como a da enfant terrible que é a Editora Três que publica QuantoÉ, oops, IstoÉ.

Idalecio Sousa , Brasília-DF – TCE

Enviado em 11/4/2009 às 2:51:43 PM

A sensação que fica da imprensa que está aí é: – não tem pauta séria; – guia-se pelo espetáculo; – jornalistas com qualidade questionável (vide as coberturas sobre assuntos jurídicos); – repetições desnecessárias; – etc Hoje vejo pela milésima vez, em jornal de Brasília, matéria sobre o Senado.

Anna  Kleve , Padova-IN – Designer

Enviado em 11/4/2009 às 12:19:34 PM

–O que a mídia faz quando se recusa a cobrir o que realmente importa? Caro Washington Araújo, A midia transformou-se em mera operadora de marketing, um instrumento de propaganda e venda de produtos dos contratantes. Esta é a formação dos “diplomados”: canudo sem conteúdo.

 

Magerson  Bilibio , São Paulo-SP – Consultor Web

Enviado em 11/4/2009 às 11:36:41 AM

Qual importância tem a mídia? As pessoas não compram mais jornais nem revistas e estão preferindo navegar na internet a assistir telejornais. A mídia deixou de ser relevante para muitas pessoas, eu incluso. A última vez que comprei jornal foi quando vim morar em São Paulo, há 3 anos, pois queria encontrar um apartamento. Vi que nem para isso o jornal prestava. Revista? Não perco meu tempo folheando estas Vejas da vida nem em sala de espera de médico. Só quem se importa com a mídia é a elite, que vê nela uma porta-voz.

 

Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS – Diagramador

Enviado em 11/4/2009 às 4:37:17 AM

Além de responder a interesses econômicos e afinidades ideológico-partidárias, a superficialidade das pautas e a decadência na qualidade (e na credibilidade) dos jornais não tem em nenhum momento a ver com a formação biônica dos jornalistas de hoje? Coloco a questão (que até já foi debatida em edições passadas e recentes do OI) pelo seguinte: muito se fala, inclusive agora há este levante capitaneado por associações de classe exigindo o diploma, muito se fala que a grande temeridade para o jornalismo (e para a sociedade) é o exercício da função por “não-profissionais”. Pero… essas pautas deprimentes, essas reportagens superficiais, essas informações equivocadas, esses dados imprecisos, esses apelos sensacionalistas, essas banalizações da cultura e essas inverdades publicadas nos veículos do país não são em sua imensa e inapelável maioria produzidas, editadas e chanceladas por jornalistas “profissionais”? Se não for, alguém está assinando matéria de outrem. É importante frisar isso porque muitas pessoas falam do diploma, mas não falam da FORMAÇÃO – que de modo geral é péssima, sobretudo a provida por essas indústrias de diplomas que atendem pelo epiteto de faculdades privadas. O problema das pautas e do nível constrangedor do jornalismo atual está lá na outra ponta da história, mais atrás, dissimulado. Acobertado, eu diria.

 

Francisco  Ovidio , Natal-RN – engenheiro

Enviado em 9/4/2009 às 5:33:09 PM

Correta a análise. O nivelamento das pautas é por baixo, muito baixo. Não é mais prazeiroso pegar um jornal e levar adiante a leitura. Tanto faz pegar uma edição de hoje como aquela de três dias passados que, à  excessão de um terremoto aqui ou um a batida da PF ali, o resto é aquela pasmaceira. É bom alguém ter escrito sobre isso pois o assunto me incomoda um bocado: a falta de assunto dos jornais, telejornais, revistas, tudo chocho demais.

 

Paulo Macedo , Campinas-SP – Professor de Direito – Unicamp

Enviado em 8/4/2009 às 5:33:29 PM

Argumentação muito boa. Assino embaixo dos exemplos que lustram a nossa triste realidade midiatica. Tranchesi, Xulé, Senado e Satiagraha ninguém, aguenta mais. Temos uma imprensa vaidosa, arrogante e massa de manobra dos tais poderosos do capital financeiro. Só falta sabermos que o Daniel Dantas é o dono oculto da Veja e que está se insinuando para adquirir 51% das ações da Folha. Nada mais deve causar estranheza. Acertou em cheio ao mostrar a falta de preparo de nossas editorias.

 

Janine Oliveira , Belo Horizonte-MG – Jornalista

Enviado em 8/4/2009 às 5:29:19 PM

Otima reflexao sobre o momentum da imprensa brasileira. Falta criatividade e senso de missão para termos um jornalismo minimamente responsável, sério. As [ ] são de uma indigencia assustadora. Perfeitos os exemplos mencionados no texto. Show.

 

Ivan Moraes , Newark, NJ-MG – sem profissao

Enviado em 8/4/2009 às 9:49:23 AM

“mídia passa a fabricar as pautas. Daí que as matérias são como cometas, surgem num dia, desaparecem no outro ou no máximo duram uns 3 dias”: na media, ne, Fabio? Na internet, as pautas sao estabilissimas: Satiagraha, justica, supremo, baixa qualidade da media. Nao mudam ha tempos. A media finge que o unico Brasil eh o delas.

 

Márcio Dornelles , Fortaleza-CE – Estudante de Jornalismo

Enviado em 7/4/2009 às 8:36:39 PM

Fatos lamentáveis e preocupantes. Não bastasse a falta de faro para encontrar e investigar bons assuntos, coisas que valham efetivamente para a sociedade, ainda encontramos, aqui e ali, confrontos entre profissionais. A nossa comunicação realmente anda (ou rasteja?) cega, professor Washington. A reportagem sobre o chulé, veiculada no final de semana, foi uma daquelas mordidas no cachorro, um pedido de socorro à criatividade. E a Veja… Ah! A Veja o faz apenas com um olho, através de um ângulo (o seu, claro!).

 

Rubens Oliveira , São Paulo-SP – Bancário

Enviado em 7/4/2009 às 6:54:40 PM

Acho que você está certo em dizer que a mídia perdeu o rumo e que a qualidade da produção jornalística brasileira é cada vez mais deplorável. Isto está correto, mas creio que você não tratou dos motivos de forma adequada. A qualidade está caindo porque é assim que as redações imaginam que podem vender mais! Ponto. Adorno dizia que na modernidade a seriedade é proscrita como arrogância de quem se acha superior aos outros. Disso segue que apenas questões estritamente mercadológicas podem pautar o que é produzido pelas redações, pois imaginam que de outra forma serão preteridos. E talvez de fato sejam já que tantos outros órgãos têm realizado este despautério desinformativo há muitos anos e existe agora toda uma classe elitista-assinante-da-veja que se reacionarizou e emburreceu com a lavagem cerebral propagada primeiro sob a ótica anti-comunista depois com as atuais visões utilitaristas da visão liberal a la VEJA, que considero o pior órgão de imprensa de massa do país. O lucro há muito tempo explica mais que Freud.

 

Gilberto  Ferraz , Rio de Janeiro-RJ – Jornalista

Enviado em 7/4/2009 às 4:01:47 PM

O que a faz mídia quando não há o que fazer? PENSO QUE TEM UM “A” SOBRANDO NESSE TÍTULO ou estou ficando vesgo??? Esse texto me fez pensar sobre quantas coisas são inventadas pela própria mídia para vender mais, alavancar índices de audiência, vender mais espaço publicitário. Valeu.

 

Luiz Vital Rodrigues , Brasilia-DF – advogado

Enviado em 7/4/2009 às 3:45:41 PM

Direito de resposta à vítima do mau jornalismo, taí uma pauta pra lá de interessante e atual. Mas será que interessa a imprensa esse debate? Se depender disso as bolas de cristal de madame Carlota estarão bem ocupadas até outubro de 2010.

 

Fabio Câmara , Maceió-AL – Jornalista

Enviado em 7/4/2009 às 3:43:04 PM

É por aí, na falta do que fazer ou porque não gostam das pautas espontâneas ou porque as que tinham já deram o que tinham que dar, a mídia passa a fabricar as pautas. Daí que as matérias são como cometas, surgem num dia, desaparecem no outro ou no máximo duram uns 3 dias. A do deputado Fraga foi de lascar: é muita [ ] por centimetro quadrado da telinha. Pensei até que a Veja ia angariar fiéis para um culto a Santa Eliana Tranchesi, ô materiazinha pernóstica e metida a reportagem. A Folha há muito deixou de ser a Folha, é hoje mais um desses pasquinzinhos de fim de tarde. Fui.

 

Marcelia  Soares , S. Luis-MA – Fazendo mestrado de ciência política

Enviado em 7/4/2009 às 1:51:57 PM

Pura encheção de lingüiça. Perttinente mesmo é essa parte do texto: “Querer saber com antecedência superior a um ano e meio como votará o eleitor para presidente é ou não é uma forma prática de encher o noticiário com não-fatos, com não-informações, com não-notícias?” E haja lingüiça pra encher hehehe

 

Gilberto Ferraz Neto , Rio-RJ – Professor de Jornalismo

Enviado em 7/4/2009 às 1:46:21 PM

Alô pessoal da Folha! Alô colunistas amestrados da Veja! Leiam esse texto antes de começar suas reuniões de pautas! Agora mesmo li texto do Espinoza negando todo o caso do sequestro-que-não-houve do Delfim pelo grupo da VAR-Palmares. O que está acontecendo com a Folha? Primeiro a tal ditadura que em seu linguajar seria melhor chamada de ditabranda, logo em seguida as grosserias com o mestre Fabio Comparato e com a mestra Maria Victória Benevidez. Na esteira o caso da mansão do diretor do Senado que não passou de um tiro na água (ou melhor no pé de sua editoria de política), agora a demonização de Dilma Roulssef por envolvimento na luta armada contra a ditabranda. Se era tão branda, porque se fazia necessária uma luta armada? Porque o ombudsman não aborda esses casos?

 

João Carlos Silveira , Salvador-BA – Jornalista

Enviado em 7/4/2009 às 1:37:16 PM

Concordo com o comentário do colega Jânio Varella. A Folha é useira e vezeira em dar voz de prisão a pessoas em cargo de autoridade (de preferência do Poder Legislativo) depois vê seu prisioneiro ser solto pelo anúncio dos fatos e logo vai na desqualificação de quem deu voz de soltura. Explico-me. Acompanhei o caso da propalada mansão do Agaciel do Senado: página inteira da Folha dizendo que o dito cujo escondeu sua mansão e em menos de 24 horas o desmentido, a mansão estava sim declarada à Receita Federal. Um mês depois sai relatório da auditoria do Tribunal de Contas da União inocentando o Diretor do Senado e o que a Folha faz? Coloca uma notinha lá no Painel e já prepara baterias para deslegitimar o TCU insinuando ter sido uma ação entre amigos já que um dos ministros do TCU seria egresso dos quadros do Senado. É por essas e outras que penso que precisamos ter uma CPI da Mídia para saber a quem interessa o espoucar de escândalos, a desproporção entre acusação e defesa, entre um lado e outro lado. O caso Ricardo Delgado Noblat com seu programa de jazz na rádio Senado precisaria também ser investigado. Cadê que a Folha cobriu o caso Noblat/Rádio Senado? Haja corporativismo.

 

Devanir Costa , Curitiba-PR – Administrador e Funcionário Público

Enviado em 7/4/2009 às 12:49:06 PM

Bom texto. Quando a mídia não tem assunto ela cria. E cria com toda a pirotecnia a que tem direito. Assim se criam escândalos, sensacionalismo barato, factóides midiáticos. Se até o Judiciário precisa ter um órgão de controle externo, porque a Imprensa não o tem? E não me venham com coisas de censura, ditadura, supressão de liberdades. A imprensa brasileira já mostrou que cria presidentes e os derruba, designa ministros e os demite. Não há que ficar mostrando músculos. Por que colocar a Imprensa acima dos demais poderes da República?

 

Jânio Varella , Porto Alegre-RS – Jornalista e advogado

Enviado em 7/4/2009 às 12:21:43 PM

A revista Veja parece mais publicação oficial de partido político que revista semanal de informações tal o peso ideológico de cada abordagem, é sempre hiper-opinativa, não existem fatos, existem conceitos, bordões e chavões. A gota d´água foi a a matéria sobre Eliana Tranchesi. Soa ridículo seus autores compararem a socialite paulista com dona Severina que carrega água na cabeça lá nos cafundós do Judas. O deputado Fraga foi de uma cara-de-pau que somente óleo de peroba para lustrar o brilho intelectual de Vossa Excelência. A Folha continua fazendo seu joguinho duplo: detona o Senado, depois vê que errou na mão, como no caso do Agaciel Maia, e publica notinha pífia no Painel dizendo que o TCU não achou irregularidades na posse de sua casa… e faz o quê? A Folha começa a detonar o TCU. E assim La Nave Va de nossa mídia em Pindorama. Concordo com o autor do texto: a mídia nacional está em profunda crise de identidade e já não sabe distinguir o que é e o que não é notícia. Move-se apenas por interesses (alguns ocultos, of course) e nada mais.

 

Carlos Ayres , Brasília-DF – Jornalista

Enviado em 7/4/2009 às 11:39:04 AM

 

Bom apanhado de um semana cheia de imagens e de poucos fatos. Enfim alguém mostrando o óbvio: não existem pautas minimamente sérias a serem tratadas pelos mais expressivos órgãos da imprensa brasileira. Concordo que Veja chamou de reportagem o que não passava d eum chocho perifl da dona da Daslu. Concordo que a mídia está mais presente pelo que deixa de cobrir do que pelo que cobre. Se a imprensa é o espelho da sociedade então estamos muito mal na foto, hein? O mundo cão é ainda a opção preferencial resultante das rueniões de pauta. Lamentável caro professor Washington. Alô estudantes de jornalismo… leiam esse texto e depois sigam o bordão do OI: devemos ter um novo jeito de ler as notícias.


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