galinhaÉ de impressionar a capacidade que nossa caixinha mágica tem de expor pessoas ao ridículo, fustigar valores universais como crença e etnia, trazer à tona velhos preconceitos e provocar na audiência a adesão a um tipo de humor de desvalorização da condição humana. É o que vem acontecendo com o Big Brother Brasil, já em sua 9ª edição, ao manter confinado um número de pessoas que busca o prêmio maior de R$ 1 milhão e prêmios menores, que incluem uma casa, vários carros, dezenas de celulares, computadores etc., toda essa vitrine de dar água na boca de seus ávidos consumidores, que chegam embalados pelo marketing dos produtos que patrocinam o “programa”.

A inovação desta edição (pode até ter começado na edição 2008) é a criação de castigos semanais a serem cumpridos por um ou mais dos participantes. É aqui que está o ponto. Em geral, o escolhido precisa vestir uma roupa especial por um período de tempo que pode chegar a 48 horas, é privado de algum conforto físico e recebe o comando de realizar uma tarefa a cada toque de uma sirene. O que se espera dos “escolhidos”? Ora, que fiquem irritadiços, cansados e prestes a ter um ataque de nervos. A carga negativa dos “castigados” se volve primeiro para quem os indicou e depois transborda para o grupo. Ou seja, o castigo abre margem para muita discórdia. O BBB é um programa que fatura (e muito) expondo as mazelas da condição humana e é alavancado pelo nível de discórdia que impeça um clima mínimo de civilidade e bom relacionamento social dentro da casa da Globo em Jacarepaguá.

Se fosse índio, me sentiria ofendido

Voltemos aos castigos. Estes são, na maioria das vezes, infames. Vejamos alguns deles:

Um casal deve se vestir de índios (obviamente índios norte-americanos, com modelos, plumas, colares e cores dificilmente encontráveis em qualquer nação indígena no Brasil) e são obrigados a fazer a dança da chuva cada vez que toca o sinal. A maneira como uma longeva tradição indígena é retratada é uma forma pouco sutil de ridicularizar os povos indígenas e passa a mensagem de quão ingênuos (para não dizermos outro adjetivo) estes são. Não é de hoje que a cultura indígena é objeto de escárnio da auto-proclamada civilização branca. Alguns exemplos? Quando alguém não tem o que fazer numa noite de 3ª ou 5ª feira o que diz que vai fazer? Um programa de índio. Algo muito desinteressante, sem graça que… somente poderia ser feito por um ou mais índios. Quando alguém fala um português sem dominar a gramática e sem muita noção do uso deste ou daquele vocábulo como o sujeito é referido? Ah, ele fala igual a um índio. Depois dessa exposição caricata e pejorativa para com os valores dos primeiros habitantes das Américas, ainda temos que conviver com a hipocrisia ensinada em muitas das nossas escolas que respeitamos nossos índios, valorizamos seus costumes, admiramos suas crenças. Entendo que o castigo imposto ao casal para dançar dezenas de vezes a dança da chuva, a caráter, é de um ridículo somente superado pelos castigos posteriormente apresentados no mesmo programa. Se fosse índio me sentiria bastante ofendido e entraria com uma representação na esfera do Judiciário. Provavelmente não daria em nada tal representação, mas ao menos vocalizaria minha dor, embora com muito menor visibilidade que aquela alcançada pelo programa apresentado por Pedro Bial e seus heróis.

Os tropeções da História

Há poucos dias, uma participante foi escolhida para o tal castigo do monstro. A jovem deveria, vestida de galinha (isso mesmo, de galinha), chocar um ovo no jardim sempre que escutasse o som de pintinhos. Isso seria cumprido à risca por 48 horas. Como seria bom se a azarada selecionada para a performance pudesse dizer em alto e bom som: “Recuso-me a me vestir de galinha porque não sou galinha. Recuso-me a chocar ovos porque não sendo uma galinha não é inerente à minha condição humana. Peço que bolem outra tarefa menos ridicularizante de minha condição de mulher.”

Um discurso desses dificilmente – se não, impossível – alguém iria ouvir da boca de uma jovem sequiosa para conquistar o seu sonhado R$ 1.000.000,00. Mas seria um discurso verdadeiro. O castigo traz consigo uma realidade que não quer calar em nosso país: somos machistas e não conseguimos fingir o contrário por muito tempo. Claro que poderia ter sido escolhido um homem para cumprir o castigo. Mas, digam-me, senhores leitores, sendo um homem aquele a escolher quem vai se expor ao ridículo por dois longos dias, será que lhe passaria pela cabeça optar por um homem? Os preconceitos contra as mulheres vêm de muito longe. Estão em textos sagrados: São Paulo advertia contra as mulheres. Santo Tomás de Aquino afirmava ser a mulher um ser “ocasional” e “acidental”. No Livro de Provérbios (11:22), a mulher é redimida enquanto posse do homem: “A mulher virtuosa é a coroa de seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão de seus ossos.” Encontram-se em textos dos filósofos: Eurípedes (485-406 a.C.) toma Hipólito como seu alter ego e argumenta, ardoroso, que “a mulher é um flagelo desmedido que posso provar; o pai que a gera e cria estabelece um dote a quem a leve, a quem o livre de tamanha praga!”; já Virgílio (70-19 a.C.) define a mulher como sendo sempre “coisa variável e mutável”. Ninguém menos que o renomado Montaigne (1533-1592) insiste em deixar às mulheres os afazeres domésticos: “A ciência e ocupação mais útil e honrosa para uma mulher é o governo da casa.” E depois ele escreveria que o papel da mulher seria o de “sofrer, obedecer, consentir.” Enquanto a História avança, Voltaire (1674-1778) invocava um argumento pseudo-biológico para explicar a “inferioridade” da mulher: “o sangue delas é mais aquoso.” Risível é a História. Mais risível ainda é nossa predisposição a realçar os tropeções da História. E isso o formato Big Brother Brasil vem fazendo à larga.

A humanidade assemelha-se a um pássaro

E contra estes cânones do pensamento universal não precisaríamos reforçar percepções tão incorretas e injustas sobre a mulher, seu potencial, seus infinitos talentos, sua certeira inteligência e sempre presente intuição – aliás, é corrente adjetivar a intuição como uma faculdade inerente à mulher. Será que Boninho, o diretor-geral do BBB9, e sua equipe, não poderiam se dar ao castigo (sim, me parece que a esses gênios da raça pesquisar a história seria um trabalho muito longe de algo reputado como prazeroso) de inventar outras formas de entreter o público, mantendo os polpudos patrocínios amealhados com um programa que reforça o que há de mais ridículo na natureza humana, qual seja, criar estereótipos depreciativos da condição humana e reforçar atitudes e comportamentos de rebaixamento da mulher ante o homem?

Nunca é tarde para aprendermos que a humanidade assemelha-se a um pássaro; uma asa é o homem e outra asa é a mulher. Um pássaro não pode alçar vôo sem o equilíbrio das duas asas.

 

(Texto publicado com um dia de antecedência no site http://www.observatoriodaimprensa.com.br)


COMENTÁRIOS

 

Franco Adailton , Salvador-BA – Estudante de jornalismo
Enviado em 6/4/2009 às 8:16:30 PM

É a sociedade do espetáculo. Vivemos numa era onde as tecnologias surgem e, nós, seres humanos, estamos ávidos por consumí-las, sem sequer, ao menos, saber usá-las. Há uma inversão de valores, onde os comportamentos e as atitudes repudiáveis servem agora como modelo. As mulheres, que por tanto tempo clamaram (e ainda clamam) por igualdade de direitos, estão se nivelando ao homens por baixo. Não se respeitam, tampouco se dão ao respeito. Idolatram as “mulheres melancia”, “proibidas do funk”, “pagodeiras” da vida para chamar a atenção, talvez por não possuirem outras qualidades, a não ser exibirem seus corpos.

Eliaquim Lopes , Teresina-PI – estudante de jornalismo
Enviado em 6/4/2009 às 3:20:15 PM

É realmente lamentável que exista um total desprezo pela condição humana, em que pessoas são expostas, degrinem sua imagem…e o mais lamentável ainda é saber que a nossa TV que deveria proporcionar a sociedade um saber crítico, está a cada dia alienando cada vez mais o cidadão.

Clóvis Rios , Itaperuna-RJ – aposentado
Enviado em 6/4/2009 às 2:38:51 PM

Se fossem cinquenta reais,nunca!…. A mensagem de tais programas é que todo mundo tem seu preço,é a cara da sociedade do Ter e não Ser. Filosofia de parachoque, porém válida: “Aquele (ou aquela) que se vende,não vale o que recebe.”

Rodrigo Castro , Viçosa-MG – Estudante de Jornalismo
Enviado em 6/4/2009 às 1:03:06 PM

Mais triste que ver o processo de degradação humana diariamente na TV é ter que ler argumentos vazios do tipo “é um milhão que está em jogo, quem não se venderia?”. Eu não me venderia. A maioria dos comentaristas daqui não se venderia. A maioria da população (prefiro acreditar) não se venderia. A questão não é se é um milhão, dois, três, vinte. A questão é sua integridade moral, como ser humano, dotado de razão, capaz de separar o que é ruim do que é bom. É lamentável, sim, que exista um programa como o BBB. Mais lamentável ainda é saber quem está por trás disso tudo.

kelly aquino , Belo Horizonte -MG – estudante de comunicação
Enviado em 6/4/2009 às 9:07:00 AM

Alguém tem ideia do que é R$ 1 milhão? quantos sonhos realizados? quantos anos temos que trabalhar para receber este dinheiro? É um programa que querendo ou não se assemelha ao dia a dia de cada um de nós. Sonhamos, brincamos, corremos atrás do que queremos. As regras sim, podem ser mudadas. A mulher realmente deve ser poupada para não ser mais desvalorizada.

Jaime Collier Coeli , Itanhaem-SP – Aposentado
Enviado em 6/4/2009 às 8:12:53 AM

A TV me dá sono e eu não consigo entendê-la. Mas eu sou velho, irritado, aposentei-me sem ficar remediado, os livros que leio não alcançam IBOPE. Reconheço que o dnheiro possível de ganhar é esse, exibido na comunicação “pop”. Não há como deixar de ser homem de sua época, o que equivale a dizer que a alternativa é ser “out”. Portanto, combater os usos e costumes de uma determinada época significa renunciar à cidadania, aceitar o ostracismo e, quando assume o combate a esses usos e costumes, assume também um tipo de hipocrisia, Nolas! Viva a programação sadica, pornografica etc — para os outros.

Vithor César , Cuiabá-Mt – estudante
Enviado em 6/4/2009 às 12:41:24 AM

algum leitor venderia a sua intimidade por 1 milhão? quando passamos a morrar em cavernas a intimidade começa a ser um do nossos valores mais precioso. aceitar “competir” é o mesmo que jogar anos de história. isto sem falar nos outros parentêses que tem um programa com o BBB

Luís Eduardo Lopes Machado , Bagé-RS – Eletrotécnico
Enviado em 6/4/2009 às 12:17:34 AM

E o programa é lotado de patrocinadores…as empresas não tem o menor pudor em associar sua marca à esse programa, tão degenerativo. Cabe à nós, cidadãos, cortarmos o mal pela raiz: protestem, da maneira que puderem, organizadamente, contra os milhões de reais despejados pelos patrocinadores nesse verdadeiro show de indignidade.

Gilson Raslan , Jaru-RO – Advogado
Enviado em 5/4/2009 às 6:01:08 PM

O mais espantoso desse tal BBB é que os telespectadores pagam para ser idiotas. E viva a imbecilidade global!

kaio oliveira , teresina-PI – estudante de jornalismo
Enviado em 5/4/2009 às 5:42:13 PM

ahhh por que se pega tanto no pé do big brother???!!! é um programa como outro qualquer, que tras entreternimento pra muita gente. e é isso que importa. convenhamos que todos nós cumpririamos castigos para ganhar um milhão!!!

Adriana Dornellas , Brasília-DF – Psicóloga
Enviado em 5/4/2009 às 5:36:05 PM

“Falem mal, mas falem de mim…” me parece que a Poderosa está com sérios problemas de rejeição,auto-imagem e amor próprio. Apelar para qq tipo e Ibope é deveras preocupante…fora o tamanho da incoerência.Alguém sabe me dizer o que significa Globo Ecologia, Tele-Curso 2° Grau,minisséries de qualidade,Futuras,GNTs e algum jornalismo junto com essa coisa chamada Bando de Bobos Brasileiros 9???? A que veio? Qual o (des)serviço que presta????”Mim mulher branca.Eu ser brasileira,eu querer fazer programa de bobo branco”. Se existisse a Santa Ignorância talvez ela já estivesse aposentada …haja trabalho ! E nas cúpulas heim!?

Elís Lima , Além Paraíba-MG – professora aposentada
Enviado em 5/4/2009 às 4:36:32 PM

As pessoas votam… casam… reproduzem… ganham dinheiro. Sem pedirem ajuda. Quando pinta [ ] pedem socorro. Lembram que fazem parte de um grupo social. Mas, se tudo continuar bem, pouco ligam para o restante da população. Agora, é o restante da sociedade que está deixando para lá essa [ ] que montou um mundinho, sujo e cheio de favores, e que está desmoronando. Caro professor Cardoso, eles e elas fazem tudo por dinheiro… eles que se danem. Que paguem, caro, o mundo deles. Porque no meu… sempre custeado com o meu trabalho… eles não entram. Nem para lavar a minha privada. Abraços, caro colega (ou ex).

Julio Valerio Neto , Andradas-MG – Produtor de TV
Enviado em 5/4/2009 às 1:37:06 PM

Alem desses “tropeços”, o BBB vem nos últimos anos apelando para o lado sádico da plateia. A gincana da Rede Globo há tempos faz do ridiculo e dos castigos um dos motes do programa. O BBB me lembra um zoológico humano, como havia na Europa do seculo 19, usado para expor os povos colonizado.

Miguel Álvares Cardoso “Cardoso” , Rio Verde-GO – Professor aposentado
Enviado em 5/4/2009 às 11:23:10 AM

Cadê o Movimento Feminista? Por que não reage, pelo menos protestando contra o envilecimento da condição de mulher? Isso, também, é liberdade para a mulher? E as outras que não querem faxer parte do prostíbulo, como é que ficam? “Liberdade” para algumas para se prostituirem; constrangimento para todas que não querem se promiscuir. Dá pra desconfiar que tem muita gente conluida para o “deixa ficar”.

Elis Lima , Além Paraíba-MG – professora aposentada
Enviado em 5/4/2009 às 11:04:30 AM

A moça posou de galinha para ganhar dinheiro na moleza. Os brasileirinhos bobinhos assistem esse besteirol, exatamente porque são bobinhos. Eles que se lasquem! Só não venham depois, quando os espertalhões acabarem de predar o Brasil, pedirem justiça e chorar o leite e o país derramados, dizendo que a responsabilidade é de toda a sociedade. Minha… com certeza não é.

Miguel Álvares Cardoso “Cardoso” , Rio Verde-GO – Professor aposentado
Enviado em 5/4/2009 às 10:56:31 AM

É o balcão de negócios da vergonha por um pouco de moeda, pois ainda que fosse muito não justificaraia imolar o caráter no altar da ignomínia. Será que essa gente que se dispõe a espetáculos deprimentes, não tem família? Não têm amigos? Ou são parte de um grupo “solidário”, ou quem sabe, igualitário? Mas, é isso mesmo, em todos os setores da sociedade a mídia televisiva, gananciosa, que por qualquqer meio, ainda que seja imoral, há de buscar elementos para os seus fins. Saiu João Cleber, ficou o “Big-brother” que o substitui muito bem, agora de forma sofisticada, requintada, “glamurada”, para melhor aceitação mas com a mesma máscara, o mesmo exterior, e o mesmo despudor das produções que pensávamos não mais voltar. É uma vergonha!

Marcelo Conti , São Paulo-SP – Bibliotecário
Enviado em 5/4/2009 às 9:06:16 AM

O capitalismo regado a uma brutal concentração de renda, gera um número enorme de prostitutos. Aqui, animadores de auditório (em frente às câmeras) jogam dinheiro para o ávido (e miserável) público acotoverlar-se. Aqui se oferecem prêmios para um bando de indigentes mentais (BigbosB) degradar-se. Aqui se tem a idéia de que o dinheiro compra tudo. Ou em muitas empresas os chefes não se fazem valer de sua posição e renda para $eduzirem funcionárias?

Marcelo Conti , São Paulo-SP – Bibliotecário
Enviado em 5/4/2009 às 8:59:16 AM

O nosso capitalismo-religioso-patriarcal sempre viu a mulher como um objeto, como algo vendável… ou nunca vimos propagandas de cervejas com mulheres seminuas? Nunca vimos, nas bancas de jornais, uma profusão enorme de mulheres sendo “vendidas”? Em nosso sociedade, a coisa mais bela e doce do mundo (que merece ser galanteada, paquerada etc, sempre com respeito e cordialidade) é tratada como mercadoria. Esse programa ridículo e estúpido (simbolo da Rede Globo) é isso ai mesmo e as TVs do Brasil não estão engajadas para educar, estão para deseducar…

Marcelo Conti , São Paulo-SP – Bibliotecário
Enviado em 5/4/2009 às 8:52:00 AM

Washington, como alguém que participa de programa tão boçal poderia dizer isso: “Recuso-me a me vestir de galinha porque não sou galinha. Recuso-me a chocar ovos porque não sendo uma galinha não é inerente à minha condição humana. Peço que bolem outra tarefa menos ridicularizante de minha condição de mulher.” Quem está ali não pensa. Alguém pensa por eles… grotesco tal programa, que é símbolo-mór da estupidez e ignorância que impream no Brasil.

erneny souza , são paulo-SP – enfermeiro
Enviado em 4/4/2009 às 9:45:02 PM

É interessante ver uma série de manifestações aqui neste espaço. Creio que esses abusos cometidos, deveriam ser cobrados diretamente daquele que comete. Nos textos ficam quase claro que ninguém ver o tal programa. Então com que propriedade criticam, ou é só por criticar? Disse-me um assíduo assistente que os castigos são escolhidos pelo público. Sabiam? Bem, gostei do que disse o elustre jornalista; principalmente “os tropeços…” que foram alvo de algumas críticas. A analogia das asas é maestral. Parabéns! Para os mais enojados alguém deixou em aberto uma saída: “mudar de canal”. Ah, esqueço-me essas pessoas não veem; logo… forte abraço.

marina chaves , marilia-SP – bancaria
Enviado em 4/4/2009 às 9:05:37 PM

sinceramente, se alguem me perguntasse como vai esse programa da globo, a minha resposta será nao sei, não acompanho… eta perda de tempo… eu fico sabendo pois ainda existem jornalistas que acompanham e comentam, com um olhar pra lá de bagdá… nã dá pra assistir uma coisa dessas… o que me choca é que a tv é uma concessao publica, e ninguem faz nada, nada mesmo… na europa, por muito menos, quase tiraram um programa desses dor ar, por causa de comentarios sobre os judeus…

Armando Serra , São Paulo-SP – Professor Universistário
Enviado em 4/4/2009 às 6:55:59 PM

Se Pavlov estivesse vivo e pesquisando, não encontraria cobaias melhores do que os seres humanos que “babam” quando vêem o dinheiro; isso é diferente dos cães que produziam saliva quando ouviam a campainha? As pessoas se submetem a isso, os demais assistem a isso passivamente, com uma vontade louca de estar lá. Isso sempre existiu, existe e sempre existirá, enquanto o homem for homem. Inútil debater, o melhor remédio é ignorar mesmo.

José Mariano , Florianópolis-SC – ………………….
Enviado em 4/4/2009 às 6:47:11 PM

Muito boa análise. Absurdo aceitar tudo por um milhão. Além do desrespeito aos indígenas e à mulher há todo um discurso de fé e de guerra: confessionário, estratégia, paredão, eliminação etc. Sem falar naquela voz camuflada: – Atenção: tire a roupa e fique de quatro! Tem gente pra tudo neste mundo! Nada contra os participantes, afinal tem um milhão na parada. O problema é a produção. É a mesma ladainha do antigo “No Limite”. Não faltará muito para obrigar os participantes a ficarem ainda mais isolados. Que fazer? A audiência é alta e as pessoas, sem querer generalizar, não enxergam a normalização da discriminação contra o índio, não por acaso, queimado vivo em Brasília; contra a mulher, diariamente violada e violentada em seus direitos à igualdade; contra os cidadãos e a favor dos militares: algumas empresas têm adotado o mesmo esquema: CUIDADO, se não você vai para EL PAREDON. E ficamos, ano a no, nesta mesma pasmaceira. Neste hambúrguer cultural.

Bruno Mendes , bh-MG – economista
Enviado em 4/4/2009 às 6:22:05 PM

Que texto politicamente correto irritante!! Chega de tantos “não-me-toque”. Quem acha o programa degradante, não assista! Quem participa é por livre e espontânea vontade.

JOSÉ VALMIR ANDRADE , ADUSTINA -BA – professor
Enviado em 4/4/2009 às 1:47:30 PM

Eu tenho nausea ao ver o BB

Jedson Batista , Fortaleza-CE – estudante jornalismo
Enviado em 4/4/2009 às 12:48:58 PM

Caro Washington, Acredito que nosso páis necessita de vozes que atuem como defesa dos que sofrem preconceito, discriminação ou mesmo desvalorização. Mas há um comentário tão preonceituoso quanto o que desejas combater com seu bem construído texto: No Livro de Provérbios (11:22), a mulher é redimida enquanto posse do homem: “A mulher virtuosa é a coroa de seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão de seus ossos.”… Suas palavras revelam seu conhecimento raso sobre o que a bíblia quer dizer. Jesus foi o maior pregador da história contra preconceitos, inclusive contra mulheres: Maria, Marta e tantas outras. Paulo afirma que a mulher deve ser cuidade e não usada como objeto. Concordo que devemos combater a visão preconceituosa, inclusive a banalização da família, tão incentivada no BBB pela valorização do ter e não do ser, mas devemos nos utilizar de bases coerentes para nossa argumentação, senão, estaremos caindo na incoerência de falarmos e não vivermos. Grato.

Roberto Xavier , São Paulo-SP – vendedor
Enviado em 4/4/2009 às 11:20:23 AM

É estranho que, algum articulista do OI perca seu tempo, gaste tinta ou a ponta dos dedos opinando sobre coisas que provém das midias como o BBB. Seria como ir a um prostibulo e depois sair por aí dizendo que lá só há luxuria e devassidão.

clarice moraes , porto alegre-RS – professora dança
Enviado em 3/4/2009 às 4:00:10 PM

Ao ler a secção de comentários deparei me com o seguinte parágrafo: “Esse programa revela, infelizmente, o nível cultural de quem o assiste. Só para acrescentar algo à pesquisa: Aristóteles não sabia quantos dentes tinha uma mulhar”. Porque o Bonizinho não é responsável?A rede Globo tb não?Novamente os culpados pela audiência são os desinformados (analfabetos) deste país? E os 16 milhoes de dolares do BNDS que esta “empresa” recebeu foram para produzir este tipo de programa?Os intelectuais de plantão não os vejo manifestarem-se como se manifestaram contra as cotas cadê Cae, que sempre tem o que dizer pq não diz, sobre bbs, ratinhos, xuxas, feiticheiras, tiazinhas, gugus, hucks, angelicas, faustões, etc etc. Inverte-se os valores novamente quem rouba pouco vai preso e quem rouba muito tá livre, ou seja quem não tem o que comer, escola digna e que o único lazer é a maldita tv é responsável?Sempre foi mais fácil culparmos os menos afortunados pelos problemas do mundo. Salve a Globo, Cae e a mafia baiana e tanto outros.

Maria do Carmo Filippeli , Goiânia-GO – Advogada
Enviado em 3/4/2009 às 2:43:28 PM

Pena que fique na seção de televisão esse texto pois muitas pessoas cansam de ficar zapeando dentro do Observatório. A meu ver, deveria ficar no setor de jornal de Debates dado à sua importância e aos valores em alto relevo aqui esboçados. Parabéns professor Washington. Uma aula a favor da condição feminina e um torpedo à míopia da rede Globo que insiste em pisotear a cidadania e a dignidade humanas. Gostei do nível de nossos comentaristas, o que continua sendo uma marca do Observatório da Imprensa, criar debates qualificados, com pessoas à altura dos temas sob foco. Sou fã da equipe do OI.

Carlos Marcílio , Porto Alegre-RS – Jornalista e Advogado
Enviado em 3/4/2009 às 2:39:41 PM

Ótima reflexão, belíssimo texto, apurado senso crítico. O fecho deveria constar e toda publicação sobre ética e gênero: “Nunca é tarde para aprendermos que a humanidade assemelha-se a um pássaro; uma asa é o homem e outra asa é a mulher. Um pássaro não pode alçar vôo sem o equilíbrio das duas asas.” Bravo!

Celia Coelho Bassalo , Belém-PA – Professora
Enviado em 2/4/2009 às 6:41:53 PM

O artigo é excelente. Tenho pena das mulheres que ainda não tomaram consciência de que são exploradas física e espiritualmente pela sociedade. Esse programa revela, infelizmente, o nível cultural de quem o assiste. Só para acrescentar algo à pesquisa: Aristóteles não sabia quantos dentes tinha uma mulhar.

Margot Jung , Maringá-PR – Servidora pública estadual
Enviado em 2/4/2009 às 1:21:46 PM

Parabéns pelo texto, mas a ridicularização e a exposição da mulher neste programa (BBB) passam também pelo tipo físico das participantes. Nada de gordas, nada de feias, nada de inteligentes… E ressalte-se, também, a participação dos negros. Sempre um só e eliminado nas primeiras semanas. A alta audiência do Big Brother só me causa tristeza em saber que tanta gente se submete a assistir esse “show de horrores” e, sobretudo, gosta.

Elias Canuto Brandão , Maringá-PR – professor
Enviado em 2/4/2009 às 8:36:21 AM

Parabéns Washington, seu texto é merecedor de prêmio. E observe que não é apenas o BBB que deprecia a mulher, o índio, o conhecimento, a moral, ética… As últimas novelas da Rede Globo não ficam para trás. Incentivam a violência fora e dentro das instituições de ensino, a criação de sites em nome de outros, a formação de grupos para confrontos e agressões nos clubes, ruas e escolas. A Globo está anti-educativa. É regressão total.

Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC – Biólogo
Enviado em 1/4/2009 às 3:32:41 PM

BBB é um programa inútil, protagonizado por inúteis, assistido por um bando de inúteis existenciais sem muito o que fazer em suas inúteis vidas.

henrique rodrigues , americana-SP – estudante
Enviado em 1/4/2009 às 1:25:11 PM

daqui a pouco vai ter gente chiando que o texto é “politicamente correto” ou que atenta contra os direitos dos homens e dos brancos.

Jonas Valente , Brasilia-DF – jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 5:26:06 PM

Muito bom texto. Valeu. Concordo 100% com os demais comentários.

Dione Valadares , Salvador-BA – Jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 1:03:56 PM

De que adianta nossos filhos aprenderem na escola o respeito à diversidade humana, a valorizar nações indígenas e a ver a mulher com olhos de justiçca, igualdade etc se o que irá mais influenciá-las será a forma como a TV mostrará isso em programas que têm uma espécie de ímã para seduzir a atenção de crianças, jovens e mesmo adultos, como é o caso do reality da Globo? A grande deseducadora do povo brasileiro é a televisão aberta: não existe limites, qualquer fiscalização (não estou defendendo censura) sobre conteúdo impróprios para menores de idade. O MPF deveria se pronunciar e indiciar a Globo por atentar contra índios, mulheres, negros etc Poderia até usar essa opinião do colunista do OI para dar robustez a qualquer linha de argumentação. Ótimo texto.

Solange Aurora , São Paulo-SP – Jornalista/Professora universitária
Enviado em 31/3/2009 às 12:09:25 PM

Cadê as entidades de defesa da condição da mulher para se contrapor à Globo? Então nós somos ridicularizadas a chocar ovos em rede nacional de televisão, a nos vestirmos de galinhas e nem temos um contraponto do lado de cá, da sociedade? Endosso a argumentação do sr. Araújo pois dá bem a medida de como a mulher é vítima de discriminação por parte de tantos pensadores, teólogos, filósofos e líderes religiosos ao longo do tempo. Vou encmainhar o texto a meus alunos.

Carlos Dutra , Recife-PE – Professor
Enviado em 31/3/2009 às 12:05:42 PM

Fazer uma moça chocar um ovo dá bem a medida da sensibilidade que a Globo tem para com os direitos humanos. Certeira opinião quando alerta para a perpetuação do machismo e dos preconceitos que vem de tão longe contra as mulheres.

Carlos Ayres , Brasília-DF – Jornalista
Enviado em 31/3/2009 às 11:27:06 AM

Oportuno, oportuníssimo esse texto do Washinghton Araujo. São coisas como essa que o BBB9, sob as asas protetoras da poderosa Globo, que reforçam os preconceitos contra as mulheres. Argumentos fortes e approach perspicaz faz desse texot um dos mais sábios que já li em defesa da condição feminina. Congratulo-me com o autor. Semana passada procurei pelo texto do eminente professor nesse Observatório mas não encontrei. Chega um tempo em que encontrar uma boa reflexão na Web é como buscar a tal agulha no palheiro. Irei distribuir à minha rede de amigos e contatos na blogosfera.


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